(Foto: Valdo Leão/Semcom)
Manaus (AM) – A Prefeitura de Manaus monitora a qualidade do ar na capital por meio de sensores que medem a concentração de partículas suspensas na atmosfera, incluindo as provenientes da fumaça das queimadas. O acompanhamento é realizado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), com apoio do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O monitoramento ganhou importância após a capital registrar níveis extremos de poluição atmosférica. Na manhã de sábado, os medidores apontaram uma média de 401,4 microgramas de partículas por metro cúbico de ar (µg/m³), um dos índices mais elevados registrados nos últimos anos, segundo informações divulgadas pela Defesa Civil Municipal.
Sensores monitoram a qualidade do ar em Manaus
O sistema Selva utiliza equipamentos instalados na sede da Defesa Civil Municipal, no bairro Compensa, zona Oeste, e no ramal do Brasileirinho. A equipe técnica acompanha os dados para identificar mudanças na concentração de material particulado, especialmente durante períodos de maior presença de fumaça na capital.
Segundo o secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil Municipal, coronel Lima Júnior, a fumaça que chega a Manaus está relacionada principalmente às queimadas em municípios próximos e em outros estados.
“Nós somos afetados pela fumaça principalmente quando vem de municípios próximos a Manaus, principalmente a nordeste da cidade de Manaus, de alguns municípios como Itacoatiara e Autazes”, afirmou.
Os sensores medem a concentração de partículas no ar, enquanto a plataforma classifica a qualidade atmosférica por níveis identificados por cores. O sistema facilita a interpretação dos resultados e contribui para o acompanhamento das condições ambientais.
Como funciona a classificação da qualidade do ar
De acordo com Guilherme Figliuolo, chefe da Divisão de Suporte da Defesa Civil, o Selva utiliza faixas de concentração para classificar a qualidade do ar em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima.
“Ele mede a concentração, então essa concentração tem limiares. A concentração até 25 é considerada ‘boa’; de 25 a 50, ‘moderada’; de 50 a 75, ‘ruim’; de 75 a 125, ‘muito ruim’; e acima de 125, ‘péssima’”, explicou.
Segundo Figliuolo, Manaus registrou vários pontos com qualidade do ar classificada como péssima em dias recentes. “Desde o dia 7, Manaus chegou a ter vários pontos que o sensor estava medindo no limiar ‘péssimo’, acima de 125 micrômetros por metro cúbico”, afirmou.
A média de 401,4 µg/m³ registrada na manhã de sábado ficou muito acima do limite de 125 µg/m³ utilizado pelo sistema para classificar a qualidade do ar como péssima. O resultado evidencia a intensidade da concentração de partículas registrada naquele período.
Defesa Civil utiliza dados para prevenir riscos
As informações coletadas pelos sensores podem subsidiar a emissão de alertas e a divulgação de orientações à população quando as condições ambientais exigirem medidas de proteção. O monitoramento também contribui para o trabalho do Núcleo de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (NumaDec), responsável por acompanhar cenários de risco e auxiliar na análise de dados ambientais.
Lima Júnior explicou que as ações preventivas envolvem diferentes instituições e especialistas. “Essa prevenção é realizada aqui pela Defesa Civil, em parceria também com outras secretarias, como a secretaria de Saúde e a secretaria de Educação, e com parceiros que temos, como a Ufam e a UEA, que são pessoas especialistas também na área”, destacou.
A integração entre os órgãos permite avaliar as condições ambientais e planejar medidas de prevenção, além de orientar a população diante de episódios de fumaça intensa.
Prefeitura estuda ampliar rede de monitoramento
A Prefeitura de Manaus também estuda instalar novos sensores em pontos estratégicos da capital para ampliar a cobertura do monitoramento ambiental. A proposta busca aumentar a quantidade de informações disponíveis e identificar com maior precisão as áreas afetadas pela poluição atmosférica.
Para o coronel Lima Júnior, a expansão da rede poderá melhorar as orientações destinadas aos moradores. “Quanto mais lugares nós tivermos, teremos também mais especificamente como orientar a população quanto a esse risco com relação à qualidade do ar”, ressaltou.
Com o uso do sistema Selva, a Defesa Civil Municipal amplia os recursos para acompanhar a concentração de partículas, avaliar riscos ambientais e planejar ações preventivas. A iniciativa também busca fortalecer a capacidade de resposta do município diante dos episódios de fumaça provocados pelas queimadas que afetam Manaus.
(*) Com informações da assessoria
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