Manaus, 26 de outubro de 2026
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Manaus, 26 de outubro de 2026

Política

Amazonas e Minas Gerais acertam vencedor para presidente desde 1989

Estados-pêndulo repetem trajetória histórica e, mais uma vez, escolheram nas urnas o candidato que terminou vencedor na disputa nacional.

Amazonas e Minas Gerais mantêm histórico de escolha do candidato vencedor nas eleições presidenciais. (Foto: Gerada por IA/Montagem Portal AM1)

Brasil– O Amazonas e Minas Gerais voltaram a confirmar uma característica que acompanha os dois estados há quase quatro décadas: o voto que muda de acordo com o momento político, mas que acaba coincidindo com o resultado final da eleição presidencial.

Considerados estados-pêndulo, Amazonas e Minas Gerais escolheram, em todas as eleições presidenciais desde 1989, o candidato que terminou eleito presidente do Brasil.

Em 2026, o fenômeno se repetiu. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa nacional contra Flávio Bolsonaro (PL) e também foi o mais votado nos dois estados.

A trajetória, porém, mostra que o eleitorado dessas regiões esteve longe de manter uma preferência permanente por um único partido.

1989

A primeira eleição presidencial direta após a redemocratização marcou também a primeira candidatura de Lula à Presidência.

Naquele ano, Fernando Collor de Mello (PRN) venceu a disputa nacional e também foi o escolhido pela maioria dos eleitores do Amazonas e de Minas Gerais.

Em Minas, Collor recebeu 52,82% dos votos válidos, contra 47,18% de Lula. No Amazonas, o candidato do PRN alcançou 52,69%, enquanto Lula ficou com 47,31%.

O resultado marcou o primeiro registro da sequência que transformaria os dois estados em referências quando o assunto é voto pendular.

1994

Cinco anos depois, o cenário mudou. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu a eleição presidencial ainda no primeiro turno e também conquistou ampla maioria nos dois estados.

No Amazonas, FHC recebeu 60,50% dos votos válidos. Em Minas Gerais, chegou a 64,82%. No resultado nacional, o tucano terminou com 54,28% dos votos válidos e foi eleito para a Presidência.

1998

A preferência por Fernando Henrique Cardoso se repetiu na eleição seguinte. Em 1998, FHC disputou a reeleição e venceu novamente no primeiro turno.

No Amazonas, o tucano obteve 54,67% dos votos válidos. Em Minas Gerais, chegou a 55,67%.

No país, FHC terminou a eleição com 53,06% dos votos válidos, garantindo mais quatro anos no Palácio do Planalto.

2002

Foi em 2002 que o pêndulo amazonense mudou de direção. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou José Serra (PSDB) e conquistou sua primeira vitória em uma eleição presidencial.

No Amazonas, Lula recebeu 65,13% dos votos válidos, enquanto Serra ficou com 34,87%.

Em Minas Gerais, a vantagem petista foi ainda maior: 66,51% contra 33,49%. Lula terminou eleito no segundo turno e iniciou, em 2003, seu primeiro mandato como presidente.

2006

Quatro anos depois, o eleitorado amazonense ampliou ainda mais sua preferência por Lula. Na disputa pela reeleição contra Geraldo Alckmin (PSDB), o petista obteve 86,82% dos votos válidos no Amazonas.

Alckmin ficou com apenas 13,18%. Em Minas Gerais, Lula também venceu com ampla vantagem, alcançando 65,19% dos votos válidos, contra 34,81% do tucano. No resultado nacional, Lula foi reeleito presidente.

2010

Com a saída de Lula do Palácio do Planalto após dois mandatos, o eleitorado amazonense manteve a preferência pelo grupo político petista.

Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno e foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil.

No Amazonas, Dilma obteve 80,57% dos votos válidos, contra apenas 19,43% de Serra. Em Minas Gerais, a petista venceu com 58,45%, enquanto Serra alcançou 41,55%. Mais uma vez, os dois estados escolheram o candidato que terminaria vencedor no país.

2014

A eleição de 2014 colocou Dilma Rousseff novamente diante de um tucano. Desta vez, o adversário foi Aécio Neves (PSDB).

No Amazonas, Dilma recebeu 65,02% dos votos válidos, enquanto Aécio ficou com 34,98%. Em Minas Gerais, a disputa foi muito mais apertada. Dilma venceu por 52,41% a 47,59%.

No resultado nacional, a petista foi reeleita por uma diferença estreita e iniciou seu segundo mandato.

2018

Depois de três eleições consecutivas com vitória de candidatos do PT nos dois estados, o pêndulo mudou novamente.

Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) enfrentou Fernando Haddad (PT) no segundo turno. No Amazonas, Bolsonaro venceu por uma diferença mínima: 50,27% dos votos válidos, contra 49,73% de Haddad.

Em Minas Gerais, a vantagem foi maior. Bolsonaro recebeu 58,19%, enquanto Haddad ficou com 41,81%. Bolsonaro terminou eleito presidente da República.

O resultado mostrou que o eleitorado dos dois estados não estava preso a uma determinada corrente política.

2022

A eleição seguinte trouxe uma nova mudança. No segundo turno de 2022, Lula voltou a vencer no Amazonas e em Minas Gerais, em uma disputa novamente marcada pelo equilíbrio.

No Amazonas, o petista recebeu 51,10% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 48,90%.

Em Minas Gerais, Lula venceu por uma margem ainda menor: 50,20% contra 49,80%. No resultado nacional, Lula terminou eleito e voltou à Presidência da República.

2026

Em 2026, o Amazonas voltou a repetir o padrão. Lula enfrentou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e terminou vencedor tanto no resultado nacional quanto nos dois estados-pêndulo.

No Amazonas, Lula recebeu 54,02% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 45,98%.

Em Minas Gerais, a disputa foi novamente apertada. Lula venceu com 50,43% dos votos, contra 49,57% de Flávio.

No resultado nacional, Lula terminou reeleito com aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.

Um pêndulo que nunca parou

A sequência histórica ajuda a explicar por que Amazonas e Minas Gerais são observados com atenção nas eleições presidenciais.

Desde 1989, os dois estados já escolheram candidatos de diferentes partidos e correntes políticas. O eleitor amazonense votou em Collor, FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro.

Mudou de posição diversas vezes. Mas, em todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, acabou escolhendo o candidato que venceu a disputa nacional.

O comportamento é diferente do observado em estados que possuem uma preferência política mais consolidada.

No Amazonas, o voto presidencial mostrou capacidade de acompanhar as mudanças do cenário nacional.

Eleições Ano Presidente escolhido pelo Amazonas Partido
1º 1989 Fernando Collor de Mello PRN
2º 1994 Fernando Henrique Cardoso PSDB
3º 1998 Fernando Henrique Cardoso PSDB
4º 2002 Luiz Inácio Lula da Silva PT
5º 2006 Luiz Inácio Lula da Silva PT
6º 2010 Dilma Rousseff PT
7º 2014 Dilma Rousseff PT
8º 2018 Jair Bolsonaro PSL
9º 2022 Luiz Inácio Lula da Silva PT
10º 2026 Luiz Inácio Lula da Silva PT

 

Há quase quatro décadas, Amazonas e Minas Gerais funcionam como termômetros das eleições presidenciais do Brasil: em todas as disputas desde 1989, os dois estados apontaram o nome que chegaria ao Palácio do Planalto. O fenômeno transformou os dois estados em verdadeiros termômetros eleitorais do Brasil.

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