Amazonas e Minas Gerais mantêm histórico de escolha do candidato vencedor nas eleições presidenciais. (Foto: Gerada por IA/Montagem Portal AM1)
Brasil– O Amazonas e Minas Gerais voltaram a confirmar uma característica que acompanha os dois estados há quase quatro décadas: o voto que muda de acordo com o momento político, mas que acaba coincidindo com o resultado final da eleição presidencial.
Considerados estados-pêndulo, Amazonas e Minas Gerais escolheram, em todas as eleições presidenciais desde 1989, o candidato que terminou eleito presidente do Brasil.
Em 2026, o fenômeno se repetiu. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa nacional contra Flávio Bolsonaro (PL) e também foi o mais votado nos dois estados.
A trajetória, porém, mostra que o eleitorado dessas regiões esteve longe de manter uma preferência permanente por um único partido.
1989
A primeira eleição presidencial direta após a redemocratização marcou também a primeira candidatura de Lula à Presidência.
Naquele ano, Fernando Collor de Mello (PRN) venceu a disputa nacional e também foi o escolhido pela maioria dos eleitores do Amazonas e de Minas Gerais.
Em Minas, Collor recebeu 52,82% dos votos válidos, contra 47,18% de Lula. No Amazonas, o candidato do PRN alcançou 52,69%, enquanto Lula ficou com 47,31%.
O resultado marcou o primeiro registro da sequência que transformaria os dois estados em referências quando o assunto é voto pendular.
1994
Cinco anos depois, o cenário mudou. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu a eleição presidencial ainda no primeiro turno e também conquistou ampla maioria nos dois estados.
No Amazonas, FHC recebeu 60,50% dos votos válidos. Em Minas Gerais, chegou a 64,82%. No resultado nacional, o tucano terminou com 54,28% dos votos válidos e foi eleito para a Presidência.
1998
A preferência por Fernando Henrique Cardoso se repetiu na eleição seguinte. Em 1998, FHC disputou a reeleição e venceu novamente no primeiro turno.
No Amazonas, o tucano obteve 54,67% dos votos válidos. Em Minas Gerais, chegou a 55,67%.
No país, FHC terminou a eleição com 53,06% dos votos válidos, garantindo mais quatro anos no Palácio do Planalto.
2002
Foi em 2002 que o pêndulo amazonense mudou de direção. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou José Serra (PSDB) e conquistou sua primeira vitória em uma eleição presidencial.
No Amazonas, Lula recebeu 65,13% dos votos válidos, enquanto Serra ficou com 34,87%.
Em Minas Gerais, a vantagem petista foi ainda maior: 66,51% contra 33,49%. Lula terminou eleito no segundo turno e iniciou, em 2003, seu primeiro mandato como presidente.
2006
Quatro anos depois, o eleitorado amazonense ampliou ainda mais sua preferência por Lula. Na disputa pela reeleição contra Geraldo Alckmin (PSDB), o petista obteve 86,82% dos votos válidos no Amazonas.
Alckmin ficou com apenas 13,18%. Em Minas Gerais, Lula também venceu com ampla vantagem, alcançando 65,19% dos votos válidos, contra 34,81% do tucano. No resultado nacional, Lula foi reeleito presidente.
2010
Com a saída de Lula do Palácio do Planalto após dois mandatos, o eleitorado amazonense manteve a preferência pelo grupo político petista.
Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra (PSDB) no segundo turno e foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil.
No Amazonas, Dilma obteve 80,57% dos votos válidos, contra apenas 19,43% de Serra. Em Minas Gerais, a petista venceu com 58,45%, enquanto Serra alcançou 41,55%. Mais uma vez, os dois estados escolheram o candidato que terminaria vencedor no país.
2014
A eleição de 2014 colocou Dilma Rousseff novamente diante de um tucano. Desta vez, o adversário foi Aécio Neves (PSDB).
No Amazonas, Dilma recebeu 65,02% dos votos válidos, enquanto Aécio ficou com 34,98%. Em Minas Gerais, a disputa foi muito mais apertada. Dilma venceu por 52,41% a 47,59%.
No resultado nacional, a petista foi reeleita por uma diferença estreita e iniciou seu segundo mandato.
2018
Depois de três eleições consecutivas com vitória de candidatos do PT nos dois estados, o pêndulo mudou novamente.
Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) enfrentou Fernando Haddad (PT) no segundo turno. No Amazonas, Bolsonaro venceu por uma diferença mínima: 50,27% dos votos válidos, contra 49,73% de Haddad.
Em Minas Gerais, a vantagem foi maior. Bolsonaro recebeu 58,19%, enquanto Haddad ficou com 41,81%. Bolsonaro terminou eleito presidente da República.
O resultado mostrou que o eleitorado dos dois estados não estava preso a uma determinada corrente política.
2022
A eleição seguinte trouxe uma nova mudança. No segundo turno de 2022, Lula voltou a vencer no Amazonas e em Minas Gerais, em uma disputa novamente marcada pelo equilíbrio.
No Amazonas, o petista recebeu 51,10% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 48,90%.
Em Minas Gerais, Lula venceu por uma margem ainda menor: 50,20% contra 49,80%. No resultado nacional, Lula terminou eleito e voltou à Presidência da República.
2026
Em 2026, o Amazonas voltou a repetir o padrão. Lula enfrentou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e terminou vencedor tanto no resultado nacional quanto nos dois estados-pêndulo.
No Amazonas, Lula recebeu 54,02% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 45,98%.
Em Minas Gerais, a disputa foi novamente apertada. Lula venceu com 50,43% dos votos, contra 49,57% de Flávio.
No resultado nacional, Lula terminou reeleito com aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.
Um pêndulo que nunca parou
A sequência histórica ajuda a explicar por que Amazonas e Minas Gerais são observados com atenção nas eleições presidenciais.
Desde 1989, os dois estados já escolheram candidatos de diferentes partidos e correntes políticas. O eleitor amazonense votou em Collor, FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro.
Mudou de posição diversas vezes. Mas, em todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, acabou escolhendo o candidato que venceu a disputa nacional.
O comportamento é diferente do observado em estados que possuem uma preferência política mais consolidada.
No Amazonas, o voto presidencial mostrou capacidade de acompanhar as mudanças do cenário nacional.
| Eleições | Ano | Presidente escolhido pelo Amazonas | Partido |
|---|---|---|---|
| 1º | 1989 | Fernando Collor de Mello | PRN |
| 2º | 1994 | Fernando Henrique Cardoso | PSDB |
| 3º | 1998 | Fernando Henrique Cardoso | PSDB |
| 4º | 2002 | Luiz Inácio Lula da Silva | PT |
| 5º | 2006 | Luiz Inácio Lula da Silva | PT |
| 6º | 2010 | Dilma Rousseff | PT |
| 7º | 2014 | Dilma Rousseff | PT |
| 8º | 2018 | Jair Bolsonaro | PSL |
| 9º | 2022 | Luiz Inácio Lula da Silva | PT |
| 10º | 2026 | Luiz Inácio Lula da Silva | PT |
Há quase quatro décadas, Amazonas e Minas Gerais funcionam como termômetros das eleições presidenciais do Brasil: em todas as disputas desde 1989, os dois estados apontaram o nome que chegaria ao Palácio do Planalto. O fenômeno transformou os dois estados em verdadeiros termômetros eleitorais do Brasil.
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