Manaus, 6 de novembro de 2026
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Manaus, 6 de novembro de 2026

Cidades

Mercúrio usado no garimpo ameaça rios e comunidades da Amazônia

Substância pode contaminar ambientes aquáticos, acumular-se nos peixes e representar riscos à saúde de populações que dependem do pescado; Ibama reforça controle e rastreabilidade.

(Foto: Reprodução)

Manaus (AM) – O uso de mercúrio no garimpo de ouro representa uma ameaça ambiental que vai além da exploração ilegal de recursos minerais na Amazônia. A substância pode atingir rios e sedimentos e, em determinadas condições, transformar-se em metilmercúrio, uma forma altamente tóxica que pode se acumular nos organismos aquáticos e chegar à cadeia alimentar.

O problema preocupa especialmente comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem do pescado como uma das principais fontes de alimentação. A exposição humana ao metilmercúrio é considerada um risco à saúde pública, principalmente quando ocorre por meio do consumo de peixes contaminados.

De acordo com informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o controle da circulação do mercúrio metálico é uma das medidas adotadas para reduzir os riscos ambientais associados à atividade garimpeira.

Como o mercúrio afeta os rios e os peixes

Quando chega aos ambientes aquáticos, parte do mercúrio pode passar por processos biogeoquímicos que resultam na formação de metilmercúrio. Essa substância pode se acumular nos organismos e apresentar concentrações mais elevadas em determinadas espécies de peixes ao longo da cadeia alimentar.

O risco não significa que todos os rios ou peixes da Amazônia estejam contaminados. A identificação dos níveis de mercúrio depende de coletas, análises laboratoriais e estudos específicos sobre cada região, além da avaliação dos hábitos alimentares das populações.

Ibama reforça fiscalização e rastreabilidade

Para acompanhar as operações com mercúrio metálico, o Ibama mantém procedimentos de controle que incluem habilitação de operadores, registro de movimentações e mecanismos de rastreabilidade.

A Instrução Normativa Ibama nº 26/2024 atualizou as regras relacionadas ao controle dessas operações. Entre os instrumentos está o Sistema Nacional de Rastreabilidade do Mercúrio, conhecido como Rastreia-Hg, que permite registrar e acompanhar a circulação da substância.

O uso de mercúrio na mineração de ouro também está sujeito a exigências legais, como licenciamento ambiental e autorização minerária. O controle da origem, do transporte e da destinação do produto é considerado parte importante da prevenção de danos ambientais.

Rios do Amazonas estão no centro das ações

No Amazonas, operações de combate ao garimpo ilegal nos rios Madeira e Solimões reforçam a importância da fiscalização integrada. Além de interromper atividades irregulares, as ações buscam proteger os recursos naturais e os territórios utilizados por comunidades indígenas e ribeirinhas.

Segundo o geógrafo, analista ambiental e superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, o controle da substância é fundamental para evitar danos à natureza e à população.

“O controle e rastreabilidade do mercúrio é um desejo de todos os gestores ambientais, infelizmente muito ainda insistem em flexibilizar os riscos que o mercúrio causa à natureza e à sociedade com a contaminação dos peixes, principal fonte de alimento das populações ribeirinhas!”, afirmou.

Prevenção exige fiscalização e pesquisa

O enfrentamento à contaminação por mercúrio depende de ações permanentes de fiscalização, monitoramento ambiental, pesquisa científica e políticas de saúde pública.

O Ibama também destaca que o mercúrio pode ter origem natural em determinados ambientes. Por isso, estudos técnicos são necessários para diferenciar as concentrações geológicas das contribuições provocadas por atividades humanas e identificar os riscos reais para as populações.

(*) Com informações da Assessoria.

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