Fotos: Divulgação| Assessoria presidente
MANAUS – O pastor Valdiberto Rocha, presidente e principal organizador do 28ª edição da Marcha para Jesus disse estar muito otimista com a mega estrutura do evento que será realizado neste sábado (28), em Manaus. Este ano, o evento traz a mensagem “Sem Mim, nada podeis fazer” e vai reunir o presidente Jair Bolsonaro, o prefeito de Manaus David Almeida e o governador do Estado, Wilson Lima. Mas não resta dúvidas. A presença do presidente Jair Bolsonaro em plena “guerra” do IPI e da ZFM, no ano de eleições, é o assunto do dia.
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E essa não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem para participar de eventos religiosos, principal público que articula visando a reeleição. Bolsonaro e outros apoiadores políticos levantam a bandeira do cristianismo e arrastam os evangélicos, que são a sustentação da sua base eleitoral.
Porém, essa é a primeira visita do presidente após o episódio em que Bolsonaro foi apontado como “genocidada” pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid presidida pelo senador Omar Aziz.
Durante a CPI, ele foi responsabilizado pelas mortes de pessoas na pandemia. Além disso, outro fator que chamou e continua chamando a atenção se refere ao fato em que no feriado de Carnaval, Bolsonaro assinou o decreto que reduziu em 25% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), considerado pela bancada amazonense como “um duro golpe”.

Os parlamentares chegaram a dizer que o “golpe do presidente fere de morte a Zona Franca de Manaus”. A primeira medida foi publicada no dia 25 de fevereiro, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), antes do feriado prolongado de Carnaval.
Novamente, na madrugada de 28 abril o presidente Jair Bolsonaro, mesmo após ter prometido que editaria o decreto salvaguardando produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus (PIM), decidiu não cumprir o combinado e mais uma vez assinou dois decretos, comprometendo os mais de 100 mil empregos diretos gerados pelo setor industrial de Manaus.
Ainda assim, diante de tantos prejuízos ao povo do Amazonas, centenas de milhares de pessoas que o idolatram e o chamam de “mito” se preparam para recebê-lo neste sábado, programando a concentração prevista para a partir de 12h, na Praça da Saudade. A caminhada é prevista para às 15h, e seguirá em direção ao Centro de Convenções Sambódromo, na zona Centro-Oeste, segundo a Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas (Omeam), que coordena o encontro.
O coronel Alfredo Menezes (PL), amigo íntimo do presidente Bolsonaro, colabora na coordenação dos preparativos da visita do presidente Bolsonaro, junto a equipe de segurança da presidência, organizando, inclusive, o trajeto para a chegada de Bolsonaro.
Jair Bolsonaro deverá estar no Sambódromo às 18h, para participar do culto. O evento será transmitido ao vivo pela EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) e pelas redes sociais do Planalto, conforme a assessoria presidencial.
Há cerca de uma semana, Bolsonaro participou de evento igual em Curitiba, onde também ocorreu a Marcha para Jesus naquela cidade.
EM NOME DE DEUS
Em 27 de outubro do ano passado, o presidente Jair Messias Bolsonaro esteve em Manaus para participar de um evento em que 1,2 mil pastores se reuniram no Centro de Convenções Vasco Vasques.
Desta vez, a Convenção foi organizada pelas Assembleias de Deus no Brasil (CADB) e no Amazonas (CEADAM). Por meio das redes sociais, o presidente disse que o ato seria marcado por muitas orações e que seria “um dia de muita graça, paz e orações!”, pontuou.

As articulações para a visita do presidente a Manaus daquela vez foram coordenadas pelo deputado federal e pastor, Silas Câmara e de seu irmão e também pastor Jonathas Câmara. O presidente veio acompanhado da primeira-dama, Michele Bolsonaro.

Na visita, Bolsonaro, participou, ainda, da abertura da 1ª Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM) no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital.

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REPÚDIO
Em 10 de agosto de 2021, Bolsonaro esteve na inauguração da Ponte Rodrigo Cibele, no quilômetro 91 da BR-307, em São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas. A obra concluída pela Companhia de Engenharia de Construção do Exército, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), fica na estrada que liga a sede do município de São Gabriel da Cachoeira à Comunidade Indígena Balaio.
A viagem do presidente e sua comitiva foi considerada a primeira do presidente a uma área indígena, mas recebeu o repúdio de associações yanomamis. Isso porque, durante a live de Bolsonaro, dois dias após a inauguração da ponte, Jair Bolsonaro disse que planejava visitar um pelotão de fronteira do Exército (PEF), “conversar com indígenas” e “aterrisar” em um garimpo. Ele também voltou a defender a regularização da atividade.

A ponte de 18 metros de comprimento e 6 metros de largura atravessa o Igarapé Rodrigo e Cibele, na BR-307, Rodovia Federal, interliga o município à fronteira com a Colômbia e Venezuela. A obra, realizada pelo Exército, foi de recuperação da antiga estrutura. Dos R$ 255 mil destinados à construção, R$ 69 mil foram para a recuperação.

Também na ocasião, e para provocar o senador do Amazonas, Omar Aziz, o presidente Bolsonaro afirmou que os indígenas estavam tomando remédios sem legitimidade científica: “Poderia nessa querida CPI do Senado, que tem como presidente o senador Omar Aziz, poderia convocar os índios para ouvi-los e levar o chá saracura e jambu. Mas os índios não se enquadram nessa questão de convocação, são protegidos por lei”, zombou Bolsonaro.

CUSTO
Mas o que mais chamou a atenção foram os gastos com a comitiva do presidente Jair Bolsonaro para a viagem de inauguração da ponte em São Gabriel da Cachoeira. Três vezes maior do que o valor da própria obra.
Por solicitação do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), que reivindicou o direito ao acesso das informações dos gastos com a viagem da comitiva presidencial, a empreitada durou cinco dias e custou R$ 50 mil para as diárias ao ‘Escalão Avançado’, e outros R$ 610 mil em deslocamentos terrestres na cidade. E mais outros R$ 50 mil em gastos com cartão de crédito corporativo e mais R$ 742 em telefonia.
Ao todo, a ida de Bolsonaro ao município popularmente conhecido como ‘Cabeça do Cachorro, custou R$ 711.795,63, a ponte foi construída por R$ 255.174,38.

Na visita, no segundo dia em que estava no município, o presidente Jair Bolsonaro inaugurou módulos de energia solar no 5º Pelotão Especial de Fronteira, localizado no município de Santa Isabel do Rio Negro. Depois da inauguração, Bolsonaro retornou para a cidade de São Gabriel da Cachoeira, de onde partiu com destino a Brasília.

CONJUNTO RESIDENCIAL
Já em 18 de agosto de 2021, Bolsonaro veio novamente para participar da inauguração das 500 unidades habitacionais no residencial Cidadão Manauara 2, etapa B, no Santa Etelvina, na zona Norte.

Anterior a isso, a primeira visita do presidente após eleito ocorreu em 25 de julho de 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro, durante sua passagem por Manaus, participou da entrega de certificados e medalhas aos estudantes amazonenses que participaram da Olimpíada de Matemática, no Japão. Em seguida ele participou da reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS).

A passagem do presidente ocorreu logo após a Polícia Federal informar que celulares usados por Bolsonaro foram alvo de invasão de supostos hackers. Sobre o assunto, ele disse que não seria encontrado “nada que comprometa”.
“Eu achar que meu telefone não estava sendo monitorado por alguém seria muita infantilidade. Não apenas por eu ser capitão do Exército, conhecedor da questão da inteligência. Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas, essas não são passadas via telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado, se porventura, algo vazar aqui no meu telefone. Não vão encontrar nada que comprometa. Perderam tempo comigo”, declarou na ocasião.
Neste sábado, mais uma vez em Manaus, Bolsonaro testa sua popularidade dos manauaras, de quem recebeu a vitória nas urnas e de quem, como é público e notório, sempre foi alvo de carinho, ainda que não seja uma unanimidade.





