Durante encontro com apoiadores, Alfredo fez uma defesa enfática de Flávio Bolsonaro e demonstrou irritação com conservadores que passaram a questionar a viabilidade do senador como nome para uma eventual disputa presidencial. Para o dirigente, a direita parece sofrer de um problema recorrente: exigir dos seus líderes um currículo de santidade enquanto cobra dos adversários apenas viabilidade eleitoral.
“O nosso candidato não é candidato a papa, ele é candidato a presidente da República”, disparou.
A declaração veio acompanhada de uma crítica direta ao que considera excesso de purismo dentro do campo conservador. Segundo Alfredo, parte da direita se mobiliza rapidamente para colocar sob suspeita seus próprios aliados sempre que surge uma controvérsia, mesmo quando não há acusação de desvio de recursos públicos.
Na prática, o presidente estadual do PL questiona uma espécie de patrulha ideológica interna que, diante de qualquer desgaste político, parece mais preocupada em abrir processo de canonização do que em discutir projeto eleitoral.
Ao exaltar o sobrenome Bolsonaro como principal ativo eleitoral da direita, Alfredo afirmou que nenhum outro nome teria hoje maior capacidade de mobilização nacional. A fala reforça a estratégia de manter o bolsonarismo como eixo central da oposição, apesar das turbulências enfrentadas pelo grupo nos últimos anos.
O dirigente também recorreu a uma comparação frequente entre conservadores: a de que a esquerda costuma blindar seus líderes em momentos de crise, enquanto a direita frequentemente transforma divergências em disputas públicas.
“Que direita é essa que não se une? Que não acredita no que está defendendo?”, questionou.
O discurso expõe um incômodo crescente dentro do PL. Embora o partido concentre algumas das principais lideranças conservadoras do país, os sinais de fragmentação e as disputas por protagonismo seguem presentes nos bastidores. E, ao que tudo indica, para Alfredo Nascimento o maior obstáculo da direita não está do outro lado do espectro político, mas dentro de casa.
Ao final, o recado foi cristalino: na visão do dirigente amazonense, quem procura um candidato sem controvérsias talvez esteja procurando um santo. E eleição presidencial, lembrou ele, não é conclave.