Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

AM registra aumento significativo nos focos de incêndio em 2024, aponta INPE

Para estimativa, o Portal AM1 utilizou como base o Satélite Aqua Terra, identificado como referência pelo INPE.

(Foto: Reprodução/BD Queimadas)

Amazonas – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio da plataforma BD Queimadas, apontou que, de junho a julho de 2024, foram identificados 1.664 focos de incêndio no Amazonas. O número indica um aumento de 218,7% comparado ao mesmo período em 2023, quando houve 522 focos registrados. Para a estimativa, o Portal AM1 utilizou como base o Satélite Aqua Terra, identificado como referência pelo Inpe.

O número apontado pelo instituto coincide com o apresentado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Segundo a corporação, foram atendidas mais 1.600 ocorrências de focos de incêndio entre o período de 3 de junho e 21 de julho. Ao Portal AM1, o CBMAM relatou que os municípios do sul do Amazonas lideram os números de locais onde houve mais focos de incêndio.

“Entre 3 de junho e 21 de julho, mais de 1.600 focos de incêndio já foram combatidos pela corporação. Dentre os municípios do interior, Humaitá, Boca do Acre e Lábrea lideram o ranking dos municípios onde mais houve ação do Corpo de Bombeiros no combate aos incêndios”, pontua CBAM.

Medidas Preventivas

Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate aos focos de incêndio no sul do Amazonas faz parte da Operação Aceiro, lançada no dia 3 de junho pelo Governo do Amazonas, que visa combater casos de queimadas no estado. Ao todo, mais de 300 agentes, entre bombeiros, brigadistas e homens da Força Nacional, integram a ação.

Dentro das ações de prevenção aos incêndios, está também a utilização do conhecimento científico produzido nas universidades. Nesse sentido, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cuomo Foundation e a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA), aponta a qualidade do ar em regiões da América do Sul por meio da combinação de dados. Segundo os desenvolvedores, o objetivo é construir uma ferramenta que possa auxiliar instituições e governos a agir nas áreas mais afetadas.

“Principalmente durante a temporada de queimadas e maior poluição do ar na Amazônia, queremos que o SELVA se torne a principal fonte de informações rápidas para as pessoas, instituições e governos, nas áreas mais afetadas. Nossa meta é contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, dia após dia, disponibilizando informações para ajudar nas tomadas de decisões e mudanças reais das ações da sociedade”, aponta descrição do sistena.

O Portal AM1 realizou, na tarde desta terça-feira (23), uma verificação na qual se pode observar que alguns municípios do Amazonas apresentam qualidade de ar classificadas como “moderado”, são eles: Tefé, Vale do Javari, Itamarati, Boca do Acre e Maraã.

(Foto: Reprodução/Aplicativo Selva)

Estação de seca

Os dados fornecidos pelo Inpe apontam, ainda, que no primeiro semestre de 2024, de 1º janeiro ao 23 de julho, foram identificados 2.178 focos de incêndio no estado. Enquanto no ano anterior, foram observados 903 focos com o Satélite de Referência Aqua Tarde do instituto. Ao Portal AM1, o superintendente de Inovação & Desenvolvimento Institucional na Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Victor Salviati, aponta que o aumento expressivo dos incêndios pode ser causado principalmente pela intensificação da estação seca.

“O aumento significativo dos focos de calor se deve, prioritariamente, à intensificação do período da seca. Adicionalmente a isso, é preciso que os gestores públicos, em seus diversos níveis, planejem-se e atuem de maneira integrada para combater os focos de calor provocados por atividades ilegais”, aponta Salviati.

Victor Salviati explica que os municípios do sul do Amazonas são os mais afetados pelo desmatamento e, consequentemente, enfrentam os maiores problemas com os focos de incêndio no estado.

“Historicamente esses municípios têm as maiores taxas de desmatamento no AM e uma das maiores da Amazônia. O fogo é precursor do desmatamento: o foco de calor hoje é o desmatamento de amanhã. Vale notar que a intensificação do período de seca contribui, infelizmente, para que esses focos de calor aumentem”, segundo Salviati.

O sul do Amazonas

O geógrafo e ambientalista Carlos Durigan entende que os municípios da região sul do Amazonas apresentam esses números elevados de queimadas devido às intensas atividades agropecuárias, expansão dessas atividades, invasões e ocupações irregulares que acontecem na região.

“As áreas de maior incidência de queimadas no estado do Amazonas estão localizadas na região sul do estado, municípios como Lábrea, Humaitá, Apuí, Manicoré, entre outros, têm se constituído como municípios recordistas de focos de queimada nos períodos secos na Amazônia, e essas queimadas estão associadas a atividades agropecuárias muito intensas nessa região, o processo de ampliação de atividades e mesmo invasões e ocupações irregulares de territórios. Então isso está levando a um processo de expansão, de ocupação do território desses municípios, e associado a isso nós temos esses municípios como recordistas, em termos de tanto números de desmatamento quanto de queimadas”, explica ambientalista.

Carlos Durigan explica a importância das ações preventivas que vêm sendo desenvolvidas para o combate às queimadas no Amazonas. Segundo ele, é necessário um cuidado redobrado com as atividades que se utilizem do fogo, inclusive, aponta a importância de cessar essas ações.

“Espera-se que as ações preventivas levem, ao menos, a uma redução das queimadas em todo o estado. Portanto, é necessário ter um cuidado redobrado para que atividades que utilizem o fogo sejam cessadas, e um controle maior sobre o uso do fogo em atividades agropecuárias e também nos espaços urbanos. É preciso haver um controle e um cuidado maiores das pessoas no uso do fogo, o que levaria a um cenário um pouco mais ameno se conseguirmos, ao menos, controlar essas queimadas em todo o estado”, completa Durigan.

 

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