Aos gritos de "queremos receber", servidores da saúde protestam na ALE

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Aos gritos de ‘queremos receber’, servidores da saúde protestam na ALE

Cerca de 200 terceirizados da saúde, que pertencem a oito empresas prestadoras de serviço, compareçam para reivindicar 5 meses de salários atrasados

(Antônio Mendes / Amazonas1)

“Queremos receber”. Com esse pedido, cerca de 200 terceirizados da saúde, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, maqueiros e auxiliares de serviços gerais, realizaram protesto, na manhã desta quinta-feira, 17, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), devido o atraso nos pagamentos. Além de ecoarem gritos pelos salários, os profissionais também entoaram “Cadê o Wilson Lima?”, em alusão ao governador do estado. 

De acordo com o representante do Sindpriv, José Picanço, os trabalhadores estão há quase 5 meses sem receber. Em 2018, não foi pago o décimo terceiro e esse ano não há previsão para que o benefício seja liberado. Os terceirizados fazem parte das empresas Coopeam, Segeam, Nova Renascer, Nuscer, Manaós, Cc Batista, Souza Nogueira e Sismed.

“Mais de 5 mil profissionais que prestam serviços terceirizados para o Estado estão com pagamentos atrasados. Hoje a gente veio aqui mais uma vez pedir socorro para os deputados, porque não aguentamos mais ficar sem receber”.

Picanço destacou ainda que a categoria estuda fazer uma assembleia, na próxima segunda-feira, 21, para deflagrar greve geral por tempo indeterminado, caso nenhuma solução para o problema seja apresentado.

Se os trabalhadores cruzarem os braços, serão afetados os serviços nos hospitais João Lúcio, Platão Araújo, 28 de Agosto; Fundação de Medicina Tropical (FMT), Fundação Cecon (FCecon), e demais unidades da rede estadual.

Auxiliadora Soares, que trabalha como técnica de enfermagem no Platão Araújo, é mãe de quatro filhos e depende do trabalho para manter a casa. Mas com salário atrasado há 4 meses, a família tem vivido em situações precárias.

“Eu só tenho esse emprego, agora somos 7 em casa porque minha mãe sofreu um acidente e está vivendo comigo. Estou cozinhando na lenha há 3 meses, sem ter o que dar de comer para os meus filhos. Cortaram minha água, minha luz, estou sem gás, vivendo de doações, ou seja, estou sendo carregada pelos outros. Meus filhos estão passando necessidade, eu tenho uma pequena de 2 anos que ainda mama. Essa é a nossa realidade, um verdadeiro descaso do governo”.

“Isso é o que não tem lá em casa”, diz técnica de enfermagem. (Thaise Rocha / Amazonas1)

Ainda segundo Auxiliadora, a empresa à qual presta serviço, que é a Segeam, alega que os salários estão atrasados por falta de repasse dos recursos do Estado

“Eles dizem que a Susam tem que liberar, depois jogam pra Sefaz. Fica nesse vai e vem e a gente sem receber”, disse, e desabafou, “Eu amo o que faço, mas amor não enche minha barriga, não vai pagar minhas contas. Eu fico desesperada por saber que quando chegar no meu trabalho, vou ter uma janta, de manhã vou ter um café pra me tomar e meus filhos não tem nada para comer. As vezes eu peço dinheiro dos acompanhantes para pagar minha passagem. Essa é a nossa situação”.

Comissão e deputados marcam reunião na Susam

Os deputados de base, Álvaro Campelo, Alessandra Campelo e a líder do governo, Joana Darc, juntamente com a oposição Wilker Barreto e Dermilson Chagas, se reuniram com representantes da categoria logo após o protesto na Aleam.

Uma reunião foi marcada para tarde desta quinta-feira, 18, na sede da Susam com o titular da pasta Rodrigo Tobias e representantes das empresas terceirizadas para tratar do assunto.

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