'Lixão' na selva mostra descaso da prefeitura de Presidente Figueiredo

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‘Lixão’ na selva mostra descaso da prefeitura de Presidente Figueiredo

Lixeira fica no quilômetro 4, da estrada AM-240, que liga a Vila de Balbina à sede do município, causa transtorno à população das proximidades.

(Márcio Silva/Amazonas1)

O Amazonas1 produziu uma série de reportagem para denunciar o descaso do poder público quanto a falta de infraestrutura, saneamento básico e limpeza no município de Presidente Figueiredo, conhecido como a Terra das Cachoeiras.

A primeira, que foi ao ar na tarde de ontem, 21, tratou sobre a falta de manutenção de uma ponte que leva risco a crianças que necessitam do local para ir à aula. Mas o município também sofre com buracos, lixão a céu aberto na estrada de Balbina, e acúmulo de lixo pela cidade, como veremos a seguir.

Um lixão a céu aberto, que fica no meio da floresta, no quilômetro 4, da estrada AM-240, que liga a Vila de Balbina à ‘Terra das Cachoeiras’, causa transtorno à população das proximidades.

Lixão a céu aberto fica no meio da floresta (Márcio Silva/Amazonas1)

Há cerca de quatro dias, um trator responsável pelo serviço de empurrar o entulho para dentro do matagal quebrou, impossibilitando o trabalho dos profissionais e agravando ainda mais a situação.

Conforme um homem que trabalha no local e não quis se identificar, com medo de represálias, com o problema do trator, conhecido também como ’empurradeira de terra’, não é mais possível o caminhão de lixo ultrapassar uma via que deveria ser utilizada como acesso ao lixão a céu aberto que fica mais a fundo na selva, fazendo com que os detritos sejam despejados em uma área próxima a quase 400 metros da estrada de Balbina. 

(Márcio Silva/Amazonas1)

A denúncia foi verificada in loco pela reportagem do Amazonas1, que confirmou a situação de descaso, conforme as imagens registradas pelo fotojornalista Márcio Silva. Ainda segundo o profissional que trabalha no lixão, a previsão para que o trator seja arrumado é até a próxima semana.

(Márcio Silva/Amazonas1)

Na cidade

As negligências também podem ser conferidas na sede do município de Presidente Figueiredo, como é o caso de um depósito de lixo que fica atrás do Mercado Municipal e em frente de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Francisco Xavier, localizada na rua Andiras. Em consequência da sujeira, é possível sentir um forte mau cheiro. Ao lado do mercado, ainda há uma escola de Ensino Fundamental.

Moradores reclamam de forte mau cheiro de lixeira que fica atrás do Mercado Municipal e em frente a uma UBS (Márcio Silva/Amazonas1)

“É um descaso principalmente para quem precisa vir à UBS, porque temos que conviver com esse fedor. Hoje (21), ainda está limpo, porque era ainda pior dias atrás. O mais grave é para as crianças que precisam estudar e têm que passar por essa rua”, disse uma mulher, que também não quis se identificar com medo de represálias.

Outros descasos com lixeira podem ser conferidos pela cidade (Márcio Silva/Amazonas1)

Prefeitura

A reportagem procurou o prefeito Romeiro Mendonça (PDT), por volta das 16h dessa quinta-feira, 21, para questionar o que a gestão municipal têm feito quanto a limpeza da cidade e quanto ao lixão a céu aberto que fica no quilômetro 4, na estrada AM-240, mas foi informada de que o expediente da prefeitura era até as 13h e que não poderia realizar atendimento no momento.

Prefeitura Municipal de Presidente Figueiredo (Márcio Silva/Amazonas1)

No entanto, a secretaria repassou o número de telefone, com terminação ‘356’, do secretario ‘Valter’, da secretaria de Cultura e Eventos do município, para que o Amazonas1 entrasse em contato. Ao longo da manhã desta sexta-feira, 22, a reportagem tentou contato com o secretário, mas não obteve retorno.

Fiscalização

Conforme o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), que é responsável pela fiscalização contábil, econômica e patrimonial do Estado, estão previstas para acontecer ações junto às prefeituras do interior para solucionar a questão dos lixões, que causam prejuízos aos cofres públicos e afetam a saúde da população, gerando mais gastos.

No mês de outubro, o TCE assinou um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) para acabar com o lixão de Parintins e estabeleceu um prazo de até 24 meses (2 anos) para a prefeitura fazer a destinação correta e o manejo dos resíduos sólidos produzidos pelos parintinenses. O prazo está previsto no Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), assinado na noite do dia 21, no bumbódromo, entre o prefeito Frank Luiz da Cunha Garcia, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM).

O TCE destaca, ainda, que o mesmo termo está previsto para acontecer no município de Presidente Figueiredo. “A nossa intenção é que seja solucionado o problema do lixo em todo interior do estado. O que foi feito em Parintins é nossa intenção fazer, inicialmente, na região metropolitana de Manaus, incluindo Presidente Figueiredo”, destacou o conselheiro Júlio Pinheiro.

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