Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Anne Moura defende alternância no PT e mira presidência municipal em Manaus

Dirigente nacional critica estagnação no partido e diz que maternidade influenciou decisão de não disputar a presidência estadual.

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Anne Moura durante entrevista ao programa Cenário Político (Foto: Arquivo/Portal AM1)

Manaus (AM) – A secretária Nacional de Mulheres do PT, Anne Moura, confirmou sua candidatura à presidência do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores em Manaus. Em entrevista ao programa Cenário Político, do Portal AM1, Anne destacou que sua decisão é parte de um processo de construção coletiva dentro da legenda e defendeu a renovação das lideranças petistas no estado.

“Essa disputa não é contra ninguém, é a favor do PT. É por um partido mais democrático, com mais diálogo com a militância e mais organização desde a base”, afirmou a dirigente. Anne será a única mulher disputando o comando municipal da sigla na capital e uma das poucas candidaturas femininas no estado. “Nos 62 municípios do Amazonas, em Manaus sou a única mulher candidata. Isso precisa ser enfrentado com coragem”, pontuou.

A eleição interna do PT faz parte da reorganização do partido em todo o país. Anne integra uma corrente interna que é a mesma do presidente Lula e do candidato nacional Edinho Silva. Em Manaus, ela tenta construir unidade com outros quadros da mesma tendência, como o militante histórico Berg.

Oxigenar o partido

Questionada sobre a gestão atual do diretório, liderada por Valdemir Santana, Anne afirmou que é legítimo que ele também coloque o nome à disposição, mas defende uma alternância na condução do partido. “Valdemir já foi presidente, teve a gestão prorrogada e foi reeleito. Mas acredito que uma direção que permanece a mesma por muito tempo perde o pique do que precisa ser feito. É hora de oxigenar”, declarou.

Para Anne, o PT precisa ampliar sua capacidade de escuta e mobilização de base. Ela também defendeu que o processo eleitoral interno seja um momento de debate e construção de propostas para o futuro do partido.

Candidatura estadual foi descartada por maternidade

A dirigente também revelou que, inicialmente, sua intenção era disputar a presidência estadual do PT, mas a maternidade a levou a repensar os planos. “Tenho um bebê de dois anos. Já viajo semanalmente para cumprir agendas nacionais. Não conseguiria conciliar com a necessidade de estar nos municípios do interior como a disputa estadual exige”, explicou.

Ela reconheceu que o deputado estadual Sinésio Campos, que busca a reeleição na direção estadual, leva vantagem pelo cargo e estrutura disponíveis. “Se eu tivesse um mandato estadual, certamente disputaria. Mas esse não é o meu momento”, afirmou. Seu apoio na disputa estadual será ao ex-senador João Pedro, também da mesma corrente interna que a dela.

Processo democrático e disputado

Anne destacou ainda o caráter democrático do processo interno petista, com debates públicos e transmissão das propostas dos candidatos. “Nenhum outro partido tem isso. As divergências no PT são públicas, são debatidas. Isso é saudável e enriquece nosso projeto”, afirmou, destacando que o próximo debate estadual será em Rio Preto da Eva.

A eleição interna do PT está marcada para os próximos meses e deve mobilizar as principais correntes da legenda no Amazonas. A candidatura de Anne representa não apenas a presença feminina em um espaço historicamente dominado por homens, mas também um chamado por renovação política dentro da sigla.

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