Hopper Lindway será responsável pela dragagem de pontos críticos do Rio Amazonas. (Foto: Divulgação/Receita Federal)
Manaus (AM) — O deputado estadual Sinésio Campos (PT) destacou, nessa terça-feira (15), durante sessão na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o atraso na operação de dragagem do rio Amazonas. A pauta gira em torno da antecipação da viagem do navio Hopper Lindway, embarcação responsável pela remoção de sedimentos nos pontos críticos do rio, em meio à seca histórica que atinge o estado.
No último sábado (12), a Receita Federal autorizou a atuação do navio-draga americano, que já atracou em Manaus para iniciar os trabalhos. No entanto, para o parlamentar, a medida chegou tarde. “O navio saiu em setembro de lá (EUA), mas o que me preocupa é o seguinte: a subida e descida do rio acontecem todos os anos. Deve haver um planejamento a médio prazo para que uma decisão de governo não seja tomada de última hora. Agora o rio já começa a subir”, criticou Sinésio.
O deputado também questionou o timing da operação, afirmando que, se houvesse planejamento, a dragagem poderia ter ocorrido antes da estiagem: “Acredito que esse investimento em um navio desse porte, gastando tantos recursos para sair dos Estados Unidos em setembro, deveria ter ocorrido antes, em março ou abril, para que estivesse pronto para atuar na seca.”
Agora, a preocupação de Sinésio se volta para a próxima cheia do rio. “O governo deve se preparar para a cheia, porque o que precisava ser feito na seca já passou. Os produtores perderam tudo. De que forma os governos federal, estadual e municipal vão agir? Chamar a Defesa Civil para apresentar um plano de emergência ou esperar os problemas surgirem?”, questionou.
Início dos trabalhos de dragagem
A partir de hoje, o navio Hopper Lindway iniciará a dragagem de trechos críticos do rio Amazonas. A embarcação, uma das mais avançadas de sua categoria, partiu do porto de Norfolk, Virgínia (EUA), em 21 de setembro, e chegou ao Brasil após um trajeto de 21 dias. Tal operação é vital para garantir o escoamento de cargas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM) e para as indústrias locais, que dependem dessa hidrovia estratégica.
O projeto, sob responsabilidade da DTA Engenharia, que venceu um contrato de R$ 118,9 milhões, visa desobstruir 200 quilômetros de trechos críticos, onde a sedimentação acumulada prejudica a navegação de grandes embarcações, especialmente durante períodos de seca. A expectativa é que a obra seja concluída em 45 dias, aliviando o transporte fluvial e beneficiando as empresas da ZFM.
A seca
Na última quinta-feira (10), o rio Negro voltou a alcançar uma nova mínima histórica neste mês de outubro, com um nível de 12,11 metros, conforme informações da Defesa Civil do Amazonas. Essa é a terceira ocasião, em menos de uma semana, que o rio estabelece novos recordes de baixa.
No dia 4 de outubro, o rio Negro já havia atingido sua menor marca em 120 anos, com um nível de 12,66 metros. A severa estiagem que afeta o rio no Amazonas está transformando a paisagem e criando grandes desafios para a população local, que depende diretamente das águas do rio.
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