(Foto: Tiago Correa/Secom)
Manaus (AM) – As declarações do candidato ao governo do Amazonas, Roberto Cidade, evidenciam um contraste sobre a situação financeira do estado entre o período de campanha eleitoral e a atualidade. Em entrevista concedida em 31 de agosto, o gestor sustentou a estabilidade fiscal da administração estadual e rebatia preocupações sobre as contas públicas. Em contrapartida, em novo pronunciamento nesta quinta-feira (29), Cidade justificou as limitações da gestão. Ele afirmou que a máquina pública está sobrecarregada e ressaltou que assumiu o governo com o orçamento comprometido.
Na sabatina realizada em agosto pela Rádio Rio Mar, o candidato buscou demonstrar segurança na gestão e afastar questionamentos sobre reclamações de fornecedores e a busca por novos financiamentos. Ao avaliar o cenário econômico, Roberto Cidade declarou: “o estado do Amazonas tem uma saúde financeira muito boa, é B+ conforme os índices do Ministério da Fazenda”.
Na ocasião, ele relatou uma queda na arrecadação de R$ 695 milhões, decorrente da variação do dólar, mas destacou o pagamento de mais de R$ 300 milhões aos médicos para regularizar repasses na saúde.
Ao defender os pedidos de empréstimos junto ao Banco do Brasil, o governador argumentou que os recursos tinham destino carimbado para obras de infraestrutura no interior do estado. Segundo ele, “quando se fala de orçamento do estado, não é que esse dinheiro está em caixa”. Ele ressaltou que a receita própria destinada a investimentos diretos representa apenas cerca de 4% a 5% do total. Também mencionou um projeto no Senado para renegociar dívidas antigas e economizar R$ 1 bilhão ao longo de quatro anos.
Já o posicionamento assumido nesta quinta-feira (29) traz uma postura abertamente explicativa diante dos limites operacionais da administração estadual. Questionado sobre por que o crescimento da arrecadação não se traduz em avanços visíveis na máquina pública, Roberto Cidade afirmou que a estrutura do governo precisa de adequações urgentes. Ele alegou, porém, falta de tempo para promover cortes de contratos ao lado do vice-governador Serafim Corrêa.
“A máquina do estado tá muito sobrecarregada, tem que diminuir. E eu e o Serafim não tivemos tempo para isso, não tivemos tempo de ter redução”, declarou o candidato nesta quinta-feira. Ele enfatizou que a posse em maio, após a eleição indireta realizada entre abril e maio, restringiu mudanças estruturais.
“Nós assumimos no dia 4 de maio e o orçamento já estava praticamente todo comprometido”, concluiu o gestor, reforçando a necessidade de apoio político nos próximos quatro anos.
LEIA MAIS:





