Manaus, 28 de outubro de 2026
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Cenário

“Está limpando o cofre público”, dispara Guedes sobre Roberto Cidade

Vereador questiona pagamentos de R$ 577 milhões em seis dias, aponta suspeitas em contratos e anuncia medida cautelar no TCE-AM.

(Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – O vereador de Manaus Rodrigo Guedes (Republicanos), eleito deputado estadual nas eleições de 2026, acusou o governador Roberto Cidade (União Brasil) de realizar pagamentos de R$ 577 milhões em apenas seis dias. A denúncia foi feita durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta quarta-feira (28), quando o parlamentar questionou a destinação dos recursos e afirmou que o governo estaria “raspando o cofre” antes de deixar o cargo.

Segundo Guedes, os pagamentos levantam suspeitas por envolverem valores elevados cuja justificativa, de acordo com ele, ainda não foi esclarecida. O vereador também criticou a liberação de recursos para contratos enquanto servidores estaduais enfrentam problemas relacionados a salários, benefícios e direitos trabalhistas.

“O governador está saindo, mas está raspando o cofre, está limpando o cofre”, declarou.

Durante o discurso, o parlamentar questionou as prioridades da administração estadual e cobrou explicações sobre os desembolsos, especialmente diante das reclamações de profissionais da saúde e da educação.

Servidores e benefícios suspensos

Entre os problemas citados por Guedes está a suspensão do plano de saúde de servidores da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM), atribuído à operadora Hapvida. O vereador também mencionou professores que, segundo ele, estão sem receber o auxílio-transporte e profissionais da educação que teriam identificado descontos superiores a R$ 1 mil nos contracheques.

Conforme o parlamentar, o governo atribuiu os descontos a um erro no sistema. Ele também cobrou a regularização de pagamentos a trabalhadores da saúde e o cumprimento de direitos relacionados aos planos de cargos, carreiras e remunerações e às datas-base dos servidores.

A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, Dia do Servidor Público. Para Guedes, a situação evidencia a contradição entre os pagamentos milionários questionados e as pendências que afetam trabalhadores da administração estadual.

Anúncio da medida no TCE-AM

O vereador afirmou que pretende apresentar uma medida cautelar ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) para exigir esclarecimentos sobre o cronograma de desembolso financeiro do governo nos últimos dois meses.

Guedes também pretende solicitar a suspensão de novos pagamentos que, segundo sua avaliação, não tenham previsão para serem executados ainda em 2026 e possam comprometer o orçamento estadual de 2027.

O parlamentar afirmou que parte dos valores estaria relacionada a contratos de anos anteriores e questionou a liberação de recursos para despesas que, segundo ele, não representam as prioridades imediatas da população.

Durante o pronunciamento, Guedes levantou suspeitas sobre possíveis negociações envolvendo contratos antigos, mas não apresentou, na fala, documentos que comprovem irregularidades nos pagamentos mencionados.

Orçamento de 2027 entra no debate

Na avaliação do vereador, os desembolsos podem comprometer a capacidade financeira da próxima gestão estadual, ao deixar despesas e contratos previamente assumidos para o exercício de 2027.

Guedes pediu a atuação dos órgãos de controle para apurar os pagamentos e cobrar explicações do Executivo estadual.

“Milhões de reais em série sem que haja uma explicação de por que obrigações financeiras do Estado não estão sendo cumpridas”, afirmou.

O valor de R$ 577 milhões citado pelo parlamentar e as suspeitas relacionadas aos contratos dependem de verificação nos registros oficiais de execução financeira. Até o momento, o pronunciamento, por si só, não comprova irregularidades nos pagamentos.

A reportagem deve buscar posicionamento do Governo do Amazonas sobre os desembolsos, os contratos citados e as pendências relatadas pelos servidores, além de confirmar o protocolo da medida cautelar anunciada por Guedes.

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