Roberto Cidade terminou o primeiro turno em terceiro lugar e responde a três ações eleitorais que pedem sua inelegibilidade (Foto: Alex Pazuello e Mauro Neto/ Secom)
Manaus (AM) – Derrotado no primeiro turno da eleição para o Governo do Amazonas, o governador Roberto Cidade (União Brasil) encerrou a disputa eleitoral de 2026 com três ações em tramitação na Justiça Eleitoral que pedem a sua inelegibilidade por suposto abuso de poder político.
As ações foram apresentadas pela coligação do ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante), que também ficou fora da disputa no primeiro turno. Os processos estão sob análise do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).
As acusações apresentadas pela coligação envolvem suposto uso da estrutura e de recursos públicos para favorecer a candidatura de Cidade durante o período eleitoral. Os processos ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar as provas e os argumentos apresentados pelas partes.
Uso de estrutura de comunicação
Uma das ações questiona o suposto uso de canais de comunicação da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), do Governo do Estado e do Fundo de Promoção Social (FPS) para promover a imagem de Roberto Cidade durante a campanha.
Segundo a coligação de David Almeida, fotografias produzidas pela Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) e por profissionais remunerados por órgãos públicos teriam sido utilizadas nos canais oficiais e perfis ligados ao governador.
A representação cita imagens publicadas no site e em perfis de Roberto Cidade na plataforma Flickr. De acordo com os documentos apresentados pela coligação, algumas fotografias continham créditos da Secom e identificação dos profissionais responsáveis pelos registros.
A acusação sustenta que a utilização desse material teria ultrapassado os limites permitidos pela legislação eleitoral e favorecido a exposição do então candidato à reeleição.
Entregas e ações do governo
Outra ação questiona eventos e programas realizados pelo Governo do Amazonas durante o período eleitoral. A coligação de David Almeida afirma que houve uso da estrutura pública para promoção pessoal de Roberto Cidade.
Entre as atividades citadas estão entregas de títulos definitivos e distribuição de cartões de assistência social, cestas básicas, óculos, cadeiras de rodas, kits, insumos e implementos.
Segundo a acusação, as ações teriam ocorrido em eventos itinerantes e cerimônias realizadas em Manaus e no interior do estado.
Expoagro também é questionada
A terceira ação apresentada contra Roberto Cidade envolve a 48ª Expoagro, realizada em Manaus entre os dias 16 e 23 de agosto.
A coligação de David Almeida afirma que houve uma ampla divulgação de ações do Governo do Amazonas durante o evento, por meio de publicidade institucional em espaços de grande circulação.
Para a acusação, a exposição teria ocorrido durante período considerado vedado pela legislação eleitoral e poderia ter contribuído para a promoção da candidatura de Cidade.
Resultado nas urnas
Roberto Cidade terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 453.896 votos, equivalentes a 21,91% dos votos válidos.
Omar Aziz (PSD) ficou na primeira colocação, com 841.846 votos (40,63%), seguido por Maria do Carmo Seffair (PL), que obteve 507.335 votos (24,49%).
Após a derrota, Cidade passou a responder às ações eleitorais que questionam sua conduta durante o período de campanha.
O governador foi alvo de outras representações apresentadas por adversários e contratou quatro escritórios de advocacia para atuar na defesa dos processos.
As ações ainda tramitam na Justiça Eleitoral. Eventuais consequências, incluindo a possibilidade de inelegibilidade, dependerão das decisões do TRE-AM e, caso haja recursos, das instâncias superiores.
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