De acordo com o comunicado oficial, o espaço da tribuna deve ser destinado ao debate democrático e à apresentação de reivindicações da população, mas teria sido usado para ofensas e autopromoção. A Câmara afirmou que a atitude afronta as normas de funcionamento da instituição e o respeito esperado em um ambiente público.
A nota também destaca que vereadoras teriam sido alvo direto de ataques considerados desrespeitosos. Ressalta ainda que o episódio ocorreu um dia após o Dia Internacional da Mulher e classifica a situação como um exemplo de violência política contra mulheres, postura que, segundo o Legislativo, não será tolerada.
Conforme a Câmara, a situação causa indignação pelo fato de as manifestações terem partido de alguém que ocupa cargo público com a responsabilidade de contribuir para a ordem e a proteção da sociedade. O órgão acrescenta que o uso do parlamento como palanque eleitoral, por meio de tumultos e ofensas, desvirtua o papel do cidadão e do agente público.
O Legislativo municipal também informou que se solidariza com os parlamentares citados e que poderá adotar medidas administrativas e jurídicas cabíveis para responsabilizar o autor das declarações.
Posicionamento de Rizannio Toya
Ao Portal AM1, o pré-candidato a deputado estadual Rizannio Toya, afirmou que sua fala foi retirada de contexto e interpretada de forma equivocada. Segundo ele, a manifestação na tribuna não teve caráter machista e que defendia maior participação feminina nos espaços de poder dentro da Câmara.
“Nos últimos dias, uma fala minha na tribuna da Câmara Municipal de Manacapuru foi retirada de contexto e difundida nas redes sociais como se tivesse caráter machista. Essa interpretação não corresponde à verdade nem à intenção da minha manifestação”, afirmou.
De acordo com Toya, sua fala tinha como objetivo destacar o protagonismo das mulheres na política local. Ele citou que a Câmara possui três vereadoras e que defendeu que uma delas pudesse ocupar cargos de liderança, como a presidência da Casa.
“Ao contrário do que tentam fazer parecer, minha fala foi justamente no sentido de defender o protagonismo das mulheres na política. Em um parlamento que conta com três vereadoras, eu manifestei o desejo de ver uma delas ocupando espaços de maior liderança, como a presidência da Casa, e não apenas sendo relegadas aos cargos de secretaria. Defender mais espaço de poder para mulheres não é machismo; é reconhecer que elas têm capacidade e legitimidade para liderar. Lamento que um debate tão importante tenha sido distorcido”, comentou.
O pré-candidato também afirmou que o debate acabou desviando o foco de questões que considera mais graves envolvendo a administração pública em Manacapuru. Ele citou decisões de órgãos de controle relacionadas a supostas irregularidades na saúde e na educação durante gestões anteriores.
Toya mencionou que, na área da saúde, o ex-secretário Rodrigo Balbi teria sido condenado pelo Tribunal de Contas a devolver mais de R$ 14 milhões aos cofres públicos. Já na educação, afirmou que o então secretário Raimundo Conde chegou a ser preso em operação que investigou desvios superiores a R$ 4 milhões, fatos que teriam ocorrido durante a gestão do ex-prefeito Beto D’Ângelo.
“Esses fatos não são opiniões. São processos, decisões e investigações oficiais”, esclareceu.
Em sua manifestação, Toya também afirmou que a repercussão do episódio acabou tirando a atenção de problemas que, segundo ele, deveriam estar no centro do debate público no município.
“Diante disso, considero extremamente preocupante que se tente transformar uma defesa do protagonismo feminino em polêmica, enquanto milhões de reais que deveriam estar na saúde e na educação da população de Manacapuru se tornam um assunto secundário no debate público. A população merece respostas. Merece transparência. Merece respeito com o dinheiro público”, disse.