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Armadilha do amor: pais de crianças devem ficar em alerta sobre perigo de relacionamentos rápidos

Em 2021, foram registrados 589 casos de violência contra menores de zero a onze anos, em grande parte, os casos acontecem dentro de casa
• Publicado em 30 de abril de 2021 – 09:00
Foto: Reprodução

MANAUS, AM – O Brasil ficou em choque com o caso do menino de 4 anos, Henry Borel, que pode ter sido morto pelo namorado da mãe, o vereador Jairinho. Casos de violências contra crianças, em grande parte, ocorrem dentro de casa e são cometidos por pessoas muito próximas das vítimas. Relacionamentos rápidos, em que se conhece pouco quem é o parceiro (a), podem trazer surpresas desagradáveis ou até mesmo terminar em tragédia. Especialistas pedem atenção dos pais, que são os responsáveis por incluir uma nova pessoa no seio familiar.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), em 2021, já foram registrados 589 casos de violência contra menores de zero a onze anos. Com isso, especialistas do Amazonas alertam os pais para que tenham cuidado ao se relacionar com outras pessoas, além de terem cautela na hora de decidir quando o companheiro(a) vai passar a morar na mesma residência que a criança.

O conselheiro tutelar, Ítalo Mendes, afirma que há situações de violência contra crianças em que a mãe, por exemplo, já possui filho de relacionamentos anteriores e ao conviver com uma outra pessoa de fora do seio familiar, há conflitos e exposição dos pequenos ao risco. Segundo ele, os casos mais registrados desse tipo são de violência física e abuso sexual contra menores.

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Ele ainda afirma que existem casos que o pai ou a mãe da criança são convenientes com as agressões cometidas pelos novos companheiros. Entretanto, em muitos dos casos atendidos pelo Conselho Tutelar da Zona Sul, os pais descobrem a violência e efetuam a denúncia.

“Às vezes, a criança vai para a casa de um parente e conta o que acontece na residência. Com essa informação, os familiares fazem a denúncia”, disse.

Como alerta para os pais, o conselheiro orienta que os familiares conheçam a pessoa com quem o pai ou mãe do menor está se relacionando. O ideal é que os pais também busquem informações  sobre  a pessoas antes de conviver com ela na mesma casa com os filhos.

“Que se ame os filhos, primeiramente e, se pense sempre no bem-estar deles. Que observe sempre as atitudes das crianças e acredite nelas quando relatarem algum tipo de violação”, comentou.

Análise de comportamento

A psicóloga Aline Padilha afirma que é importante que os pais notem o comportamento dos filhos, caso eles tenham dúvidas de que o novo relacionamento atinge, de alguma forma, a criança.

“A partir do momento em que a nova pessoa vai entrando na casa e a criança apresenta sinais de comportamento alterado, é necessário ficar atento”, disse.

A especialista ainda destaca que existem casos que a mãe ou o pai está envolvido emocionalmente com o novo (a) companheiro (a) e  não dá atenção à criança. A profissional ainda afirma que os pais devem perceber como é a relação do companheiro com a criança, além de ficar próximo e observar o filho.

Ela ainda ressalta que essa observação pode ser colocada em qualquer tipo de relação. “Mudanças repentinas de comportamento, proximidade excessiva ou comportamentos infantis repentinos são sinais de algo pode estar errado. Outro sinal é um silêncio predominante, quando a criança começa a ficar mais silenciosa”, contou.

Casos de violência na família

O estudante E.T., 22, contou que já presenciou essa situação na família. Ele relata que quando a irmã começou um novo relacionamento, a sobrinha não gostava de ficar sozinha e queria ficar somente na casa da avó.

“Tinha dias que ela não queria ir para casa, chegou a passar mais de um mês na residência da avó, mas não dizia o motivo”, disse.

Ele ainda afirma que, com o passar dos meses, a criança foi apresentando sinais de rebeldia. Alto tom de voz, respostas mal educadas e até comportamentos de cunho sexual. Quando questionada, ela afirmou que não podia contar para ninguém, caso contrário, a mãe brigaria com ela.

A família passou a fazer buscas sobre o novo companheiro da mãe da criança. Com as investigações privadas, os parentes descobriram que o rapaz tinha ligação com uma facção criminosa da zona Sul de Manaus.

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Com receio do que poderia acontecer com a criança, a família pediu para que ela morasse com eles. “O tempo foi passando e ela começou a se sentir mais à vontade e contava algumas vezes, porém, ainda com medo”, relatou.

O estudante disse que a criança confirmou casos de agressões e ameaças. Em um dos episódios, que ocorreu em 2020, ela contou que estava brincando com um colega de escola e, sem motivos, o companheiro da mãe deu um tapa na cabeça dela.

“É uma criança, ela não entende. Ela acha que ele é bom e faz a mãe dela feliz. Mas no fundo, ela sente que isso dói, mas não pode falar nada, pois a mãe não acredita ou pede para não falar para os outros”, explicou.

De acordo com ele, após sofrer ameaças dos familiares, o companheiro parou de implicar com a criança. A mãe continua se relacionando com ele. Até abril de 2021, a criança não tinha mais relatado nenhuma agressão sofrida por parte dele.

“Mesmo aparentando estar bem, a família sabe que ela é carente. A mãe não cuida muito e sempre dá uma desculpa para deixá-la na casa da avó. Nossa família dá muito amor e carinho, pois mesmo que as coisas tenham cessado, ainda não confiamos nele”.

Ele comenta que os parentes chegaram a pedir para que a mãe terminasse o relacionamento, porém, ela não quis. Eles não registram nenhuma denúncia em órgãos de segurança por temer represálias e também por pedido dela.

Disque-denúncia

Em casos de maus-tratos e negligência a crianças ou adolescentes, as denúncias devem ser feitas ao Conselho Tutelar. As ocorrências também são atendidas pela polícia, além do Ministério Público. Os números para contato são: Disque 100, para ocorrências nacionais; Disque 181, para casos estaduais, e Disque 156, em municípios.

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