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26 de setembro de 2020
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Educação profissional: desafios e oportunidades na pandemia

As respostas dos sistemas de educação ao redor do mundo durante o surto da Covid-19 enfrentaram novos desafios, apresentando diversas ações para reduzir o impacto dos efeitos da pandemia na sociedade e trouxeram uma oportunidade de mudança. Além da educação básica e do ensino superior, é necessário analisar os desafios e oportunidades do ensino técnico e profissionalizante.

Segundo relatório publicado pelo Banco Mundial[i], com referências internacionais, o primeiro passo recomendado neste contexto restritivo seria oferecer cursos aplicados de curta duração, com habilidades práticas para mitigar os efeitos do novo Coronavírus, como a qualificação e atualização profissional na área de saúde. Também haveria demanda de formação na assistência social para atender idosos e crianças, aos funcionários dos supermercados e farmácias; e aos trabalhadores de logística e tecnologia da informação.Poderia ser incluída nesta lista os entregadores de delivery e os motoristas de aplicativos, entre outros.

O aumento da demanda por habilidades técnicas em áreas como saúde pública e outras com habilidades sócio emocionais que promovem a adaptabilidade, além das habilidades digitais, estão promovendo mudanças estruturais no mercado de trabalho em muitos países. A oferta do ensino técnico e profissionalizante precisa identificar e responder rapidamente a essas novas demandas de habilidades, contribuindo assim para a recuperação econômica na atual crise.

Imagen: Refinn

Com as escolas fechadas, o desafio maior tem sido diversificar o atendimento. No Senegal e na Índia, por exemplo, o governo ofereceu cursos profissionalizantes pela TV e rádio para alcançar os jovens sem acesso à internet, de forma similar à solução adotada na educação básica em várias localidades. O ensino on-line foi uma alternativa para países como Egito, Turquia e Azerbaijão, mesmo sendo necessário intensificar esforços para fornecer plataformas e conteúdos digitais, para superar as mesmas dificuldades de infraestrutura do ensino superior.Apesar das limitações, soluções low-tech como o uso de celulares básicos (dumb phones) para treinamento rápido dos agentes comunitários de saúde,  utilizando apenas mensagens de texto (SMS) e a Resposta Interativa por Voz (IVR), foram utilizadas com sucesso em Ruanda.

Alternativas existem. A aprendizagem remota pode ocorrer on-line e off-line, com ou sem mediação tecnológica. O importante é a educação profissional não parar o atendimento, enfrentando os novos desafios de forma criativa e flexível, de acordo com o contexto de cada região.

Um outro aspecto que não pode ser desconsiderado é que a eventual paralisação dos cursos profissionais durante a pandemia, de acordo com o Instituto de Estatísticas da Unesco (UIS), acentua a vulnerabilidade dos alunos a curto prazo, mais do que no ensino médio e nas universidades. A taxa de desistência pode inclusive aumentar com a descontinuidade e falta de perspectiva dos alunos sem aulas e sem acesso à renda.

No Brasil, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) ofereceu durante o período de isolamento social 23 cursos gratuitos na plataforma online Mundo Senai (https://www.mundosenai.com.br) com a expectativa de atender 100 mil alunos, porém 1 milhão se inscreveram, o que denota uma demanda reprimida, apesar da conectividade precária no país e da capacidade de atendimento da instituição.

Estamos vivendo no momento o início da segunda fase, da reabertura gradual das empresas e das escolas. Nesta fase intermediária,  a educação profissional precisa mais do que nunca estar alinhada com a empregabilidade, além da garantia dos protocolos sanitários. Na Tailândia, alunos que receberam uma determinada qualificação profissional durante a pandemia já estavam produzindo e distribuindo desinfetante para as mãos nas comunidades locais. Na Indonésia, estavam fabricando os vestuários dos profissionais da saúde e de outras áreas.

Além de poder atuar na linha de frente das respostas à crise sanitária, a demanda dos cursos técnicos deve aumentar com a retomada das atividades, seja para promover a recolocação dos trabalhadores demitidos durante a pandemia ou para atender novos alunos,cujas famílias querem melhorar suas fontes de renda. Assim,  a terceira e última fase apontada no relatório é o período de recuperação, das oportunidades que se abrem para repensar e redefinir  a educação profissional neste novo cenário.

 

1 WORLD BANK. TVET Systems’ response to COVID-19: Challenges and Opportunities. Disponível em: < https://documents.worldbank.org/ >.

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