Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Atlas revela cenário preocupante de violência contra PCDs e população idosa

Pesquisa mostra que vítimas com deficiência intelectual estão entre as mais afetadas, enquanto idosos enfrentam aumento de situações de abandono e maus-tratos.

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(Foto: Marcelo Camargo /Agência Brasil)

Manaus (AM) – O Atlas da Violência 2026 trouxe um retrato preocupante da violência sofrida por pessoas com deficiência (PCDs) e idosos no Brasil. Os dados mostram que diferentes formas de agressão atingem esses grupos de maneira recorrente, com destaque para a violência sexual, a negligência e os casos de abandono.

Entre as pessoas com deficiência, a violência sexual aparece como uma das principais formas de vitimização. O problema é mais frequente entre pessoas com deficiência intelectual, para as quais esse tipo de violência representa 35,3% das notificações, e entre pessoas com transtornos mentais, grupo em que corresponde a 25,5% dos registros.

As mulheres são as maiores vítimas. Entre mulheres com deficiência intelectual, a violência sexual responde por 44,9% das notificações, enquanto entre os homens na mesma condição o percentual é de 20,1%.

O levantamento também aponta que a violência doméstica concentra os maiores índices de agressão física contra pessoas com deficiência intelectual, representando cerca de 68% dos casos registrados.

Outro dado que chama atenção é a predominância de vítimas do sexo feminino entre pessoas com deficiência intelectual. Elas correspondem a 81,5% das notificações, índice significativamente superior ao observado entre homens com a mesma condição.

Segundo o Atlas, pessoas com transtornos mentais lideram o número de notificações em praticamente todos os contextos de violência, seguidas pelas pessoas com deficiência múltipla. A maior concentração de registros ocorre entre adolescentes de 10 a 19 anos.

A análise por faixa etária demonstra mudanças importantes no perfil das agressões. Na infância, entre 0 e 9 anos, predominam os casos de negligência e abandono, responsáveis por 37,7% das notificações. A violência sexual aparece em seguida, com 32,3%, enquanto a violência física responde por 29,8%.

Durante a adolescência, a violência sexual atinge seu nível mais elevado, representando 40,4% dos casos. Já na fase adulta, entre 20 e 49 anos, a violência física passa a ser predominante, alcançando entre 63% e 69% das notificações.

O estudo também revela crescimento gradual da violência psicológica ao longo da vida, atingindo seu pico entre pessoas de 50 a 59 anos, faixa em que representa 39,2% dos registros.

Entre os idosos, o cenário é igualmente preocupante. Entre 2014 e 2024, os registros de violência interpessoal contra pessoas com 60 anos ou mais cresceram 226,3%, chegando a 30.097 casos anuais registrados no sistema de saúde.

Nos grupos mais idosos, a negligência e o abandono tornam-se as principais formas de violência. Entre pessoas de 60 a 69 anos, essas ocorrências representam 44% das notificações. Entre aqueles com 80 anos ou mais, o percentual sobe para 72,4%.

A pesquisa também evidencia desigualdades raciais. Homens idosos negros apresentam taxa de vitimização letal 1,7 vez superior à de homens não negros da mesma faixa etária. Entre as mulheres idosas, a taxa é 1,3 vez maior quando comparada às não negras.

Os pesquisadores destacam que os dados reforçam a necessidade de ampliar ações de proteção social, fiscalização e acolhimento às vítimas, especialmente nos ambientes domésticos, onde grande parte das ocorrências é registrada. O fortalecimento das redes de assistência e dos mecanismos de denúncia é apontado como um dos principais desafios para reduzir a violência contra esses grupos vulneráveis.

(*) Com informações da Agência Brasil

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