Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na coordenação de uma tentativa de golpe de Estado. Em 15 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes autorizou sua participação no programa de leitura, que permite a redução da pena a partir da produção de resenhas de obras literárias. De acordo com as regras, cada livro lido e devidamente resenhado pode abater quatro dias da pena total.
No entanto, segundo 12 relatórios já enviados ao STF desde a autorização registram ausência de atividades de leitura por parte do ex-presidente. Em todos os documentos analisados, o campo referente às leituras aparece preenchido com a indicação de que “não houve” registros.
Enquanto isso, outros detentos ligados ao mesmo processo têm feito uso do benefício. Entre eles está o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que teria lido obras como “A metamorfose”, de Franz Kafka, como parte do programa de remição.
A relação de Bolsonaro com a leitura não é recente no debate público. Em diferentes ocasiões, o ex-presidente afirmou não ter o hábito de ler com frequência. Em 2021, ainda no exercício da Presidência, declarou ter passado cerca de três anos sem ler livros. Mais recentemente, reiterou a posição ao afirmar que se informa principalmente por mensagens recebidas em aplicativos de celular, especialmente o WhatsApp.
Até o momento, não há indicação de que o ex-presidente tenha apresentado resenhas ou iniciado efetivamente o aproveitamento do benefício concedido pelo STF.