(Fotos: Divulgação/Assessorias e Ricardo Stuckert/PR)
Manaus (AM) – Políticos bolsonaristas do Amazonas reagiram às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi anunciada na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Capitão Alberto Neto (PL), afirmou que o governo federal estaria mais preocupado em questionar a nomenclatura utilizada pelos Estados Unidos do que em combater as facções criminosas.
“Os Estados Unidos classificam o PCC e o Comando Vermelho como terroristas, e a reação do Lula é repudiar os Estados Unidos. O trabalhador que sofre com o crime, a mãe que tem medo do filho não voltar para casa e o policial que sai para trabalhar sem saber se retorna vivo querem segurança, não uma discussão sobre conceitos jurídicos”, declarou.
Para o parlamentar, as facções exercem controle territorial em diversas regiões do país e promovem ações que espalham medo entre a população.
“Soberania não é passar pano para facção. Soberania é o Estado mandar de verdade no território. PCC e Comando Vermelho aterrorizam o Brasil todos os dias. Precisamos de cadeia, bloqueio de dinheiro e uma guerra total contra o crime”, acrescentou.
O vereador de Manaus e pré-candidato a deputado federal, Coronel Rosses (PL), também criticou a posição do presidente. Segundo ele, as ações praticadas pelas facções se enquadram no conceito de terrorismo por provocarem medo e insegurança na população.
“O que é um ato terrorista? É qualquer ação que, por meio da violência ou ameaça, busca causar terror em uma população. Se o que PCC e CV fazem no Brasil não for terrorismo, então o que seria?”, questionou.
Rosses afirmou ainda que o crime organizado vai além do tráfico de drogas e possui influência em diversos setores da sociedade.
“O crime organizado não atua apenas no tráfico. Ele também está envolvido em esquemas de corrupção, licitações e movimentação de recursos ilícitos que impactam diretamente a política e a administração pública”, disse.
Outro que se manifestou foi o vereador e pré-candidato a deputado estadual Carpê (PL). Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que Lula estaria mais incomodado com as medidas de combate ao crime do que com a atuação das organizações criminosas.
“Mais uma vez Lula se incomoda mais com o combate do que com a criminalidade. A notícia de que Trump classificou duas facções brasileiras como terroristas era algo que o próprio governo brasileiro deveria fazer, mas não faz. Isso só prova o quanto Lula parece mais incomodado com o combate do que com a opressão diária que os brasileiros sofrem”, escreveu.
Declaração de Lula
As críticas ocorreram após Lula afirmar que ficou “muito triste” com a classificação anunciada pelo governo norte-americano. O presidente reconheceu que PCC e Comando Vermelho promovem terror em comunidades brasileiras, mas argumentou que as organizações não se enquadram no perfil de grupos terroristas tradicionalmente combatidos pelos Estados Unidos.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro”, afirmou.
Lula destacou que o Brasil possui legislação própria para enfrentar o crime organizado e lembrou a aprovação de medidas voltadas ao combate às facções. O presidente também argumentou que organizações como PCC e CV possuem características diferentes de grupos terroristas internacionais, citando o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, como exemplo.
Durante a declaração, Lula ainda cobrou respeito dos Estados Unidos à soberania brasileira e afirmou que o país não aceitará interferências externas em assuntos internos.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui não é um país qualquer. É um país muito grande”, disse.
O presidente também levantou preocupações sobre possíveis interesses estrangeiros nas riquezas naturais do Brasil, especialmente na Amazônia, e reforçou que o governo continuará intensificando o combate às organizações criminosas por meio de medidas de segurança pública e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
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