Louismar Bonates, ex-secretário de Segurança do Amazonas, disputa vaga na Aleam em 2026 - (Foto: Divulgação/Instagram)
Manaus (AM) – O ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas durante o governo Wilson Lima, coronel Louismar Bonates (Podemos), tenta chegar à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de 2026 após uma passagem marcada por crises na gestão da segurança pública e uma derrota nas urnas.
Bonates comandou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) desde janeiro de 2019, no início do primeiro mandato de Wilson Lima. Permaneceu no cargo até agosto de 2021, em meio a uma série de desgastes políticos e à repercussão das investigações sobre a operação policial realizada na região do Rio Abacaxis, no interior do Estado.
Crise política marcou saída da SSP-AM
A saída de Bonates do governo foi antecedida por uma crise política entre o então governador Wilson Lima e o vice-governador Carlos Almeida Filho.
Em 22 de julho de 2021, durante uma viagem de Wilson Lima a Brasília, Carlos Almeida, que havia assumido interinamente o Governo do Amazonas, exonerou Bonates do comando da SSP-AM. Na ocasião, o vice afirmou que estava fazendo o que, segundo ele, Wilson Lima já deveria ter feito diante do desgaste provocado pelas investigações e pela repercussão do caso do Rio Abacaxis.
O governador, na época, classificou a decisão como uma “manobra ilegal e fraude”. Após retornar a Manaus, Wilson Lima anulou a exoneração e reconduziu Bonates ao cargo.
Poucos dias depois, em 3 de agosto de 2021, Bonates deixou definitivamente a SSP-AM. A justificativa oficial apresentada à época foi a necessidade de afastamento para tratamento de saúde, incluindo uma cirurgia programada. Ele foi substituído pelo general do Exército Carlos Alberto Mansur.
Caso Abacaxis colocou ex-secretário no banco dos réus
O episódio mais grave relacionado à passagem de Bonates pela Segurança Pública ganhou novo capítulo em maio de 2025, quando a Justiça Federal no Amazonas recebeu denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 11 policiais militares envolvidos em mortes de indígenas e ribeirinhos na região do Rio Abacaxis.
Entre os denunciados estão Bonates, que era secretário de Segurança Pública na época dos fatos, e o então comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Airton Norte. Segundo o MPF, os acusados respondem, em diferentes ações penais, por crimes como homicídio qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado.
As investigações tiveram como foco uma operação policial iniciada em agosto de 2020 nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba. De acordo com o MPF, a ação teria sido apresentada como combate ao narcotráfico, mas as investigações apontaram que a atuação policial teria sido motivada por vingança após a morte de dois policiais e o ferimento de outros dois.
Segundo as denúncias, dois indígenas Munduruku foram mortos. Um deles teve o corpo destruído, de acordo com o MPF. Na sequência, uma família ribeirinha de quatro pessoas teria sido abordada por policiais: três foram mortas e tiveram os corpos destruídos, enquanto um integrante da família foi sequestrado e permanece desaparecido.
No dia seguinte, ainda segundo o Ministério Público Federal, outro morador tradicional foi morto e teve o cadáver e a embarcação desaparecidos.
Para o MPF, as mortes teriam sido praticadas por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa das vítimas e em uma ação caracterizada como típica de grupo de extermínio. O órgão também sustenta que indígenas e ribeirinhos tiveram direitos coletivos, modo de vida, costumes e organização social afetados pela operação.
O MPF pediu, nas denúncias relacionadas às mortes, a condenação dos acusados, a perda dos cargos públicos que eventualmente ocupem na Polícia Militar e o pagamento de R$ 500 mil às famílias das vítimas, como valor mínimo de reparação por danos morais.
Bonates, contudo, é réu e ainda não foi condenado. As acusações apresentadas pelo MPF serão analisadas no decorrer das ações penais.
Derrota nas urnas antes da nova tentativa
A candidatura à Aleam também ocorre após uma primeira tentativa de chegar ao Congresso Nacional que terminou sem eleição.
Em 2022, Bonates disputou uma vaga de deputado federal pelo União Brasil. Ele recebeu 27.666 votos e terminou como terceiro suplente da legenda no Amazonas, sem conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Agora, quatro anos depois, o ex-secretário tenta mudar o resultado nas urnas e conquistar uma vaga no Legislativo estadual.
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