Trecho da BR-319 (Foto: Divulgação/Ascom AGU)
Manaus (AM) – A BR-319, principal ligação terrestre entre Manaus e o restante do país, continua no centro do debate político do Amazonas, mas ainda sem solução definitiva. Em entrevista ao programa AM1 Entrevista, o presidente da Associação Amigos e Defensores da BR-319, André Marsílio, afirmou que o maior entrave para a repavimentação da rodovia não é técnico, mas político.
Segundo ele, a pauta da BR-319 costuma ganhar força em anos eleitorais, quando pré-candidatos e parlamentares intensificam discursos públicos, visitas à estrada e postagens nas redes sociais. Na prática, porém, o cenário pouco avança.
“Falta vontade política. Tudo depende de vontade política”, afirmou André durante a entrevista. Para ele, a rodovia virou uma bandeira eleitoral recorrente no Amazonas, usada por grupos políticos sem que haja continuidade nas cobranças institucionais após o período de campanha.
O dirigente da associação disse que a população amazonense já foi “enganada diversas vezes” por promessas ligadas à BR-319 e defendeu uma postura mais crítica do eleitor diante do tema em 2026.
“Permanece no erro quem quer. A gente precisa de gente que defenda essa pauta de forma permanente, e não só quando tem eleição”, disse.
Processo está no Ministério dos Transportes
Durante a entrevista, André Marsílio também rebateu a narrativa de que o principal obstáculo atual para o avanço da BR-319 seria exclusivamente o Ibama. Segundo ele, neste momento, o processo não está no órgão ambiental, mas no Ministério dos Transportes.
“O processo hoje está no Ministério dos Transportes. Então, se ele está lá, é lá que precisa ser cobrado. Quando chegar no Ibama, aí sim se cobra o Ibama. Mas hoje o processo não está com o Ibama”, afirmou.
De acordo com ele, o que falta neste momento é a apresentação e o avanço do Plano Básico Ambiental, etapa necessária para dar continuidade ao processo de licenciamento e, posteriormente, à execução das obras no chamado “trecho do meio” da rodovia — os cerca de 405 quilômetros ainda sem pavimentação definitiva.
Avaliação da bancada federal
Marsílio também fez uma avaliação crítica da bancada federal do Amazonas em relação à defesa da BR-319. Ao ser questionado sobre uma nota de 0 a 10 para a atuação dos parlamentares no tema, respondeu: “Cinco”.
Ele reconheceu a atuação do deputado federal Fausto Júnior, citando visitas frequentes ao Ministério dos Transportes, e também mencionou o senador Eduardo Braga, destacando a destinação de emendas parlamentares para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), voltadas à manutenção da estrada. Ainda assim, considerou insuficiente o nível de pressão política.
“Falar é muito fácil. Difícil é sentar com o ministro, pedir prazo, cobrar solução e dar resposta para a população”, declarou.
Carta-compromisso para 2026
A associação pretende atuar diretamente no debate eleitoral de 2026. Segundo André, o grupo já prepara uma carta-compromisso que será apresentada a pré-candidatos ao Governo do Amazonas, Senado e Presidência da República.
O objetivo é fazer com que os postulantes assumam publicamente o compromisso com a defesa e a repavimentação da BR-319.
“Nós vamos participar ativamente do processo eleitoral, porque a luta da BR-319 é uma luta política”, disse.
Ao final da entrevista, ele reforçou o alerta à população amazonense para que avalie com cautela os discursos que devem se multiplicar em torno da rodovia ao longo da pré-campanha e da campanha eleitoral.
“Vai aparecer muito pai e mãe da BR-319 em 2026. A população precisa saber quem está nessa luta o tempo todo e quem só aparece em época de voto”, concluiu.
Assista à entrevista na íntegra:
LEIA MAIS:





