(Foto: Reprodução Print Redes Sociais)
Manaus (AM) – O Brasil condenou, nesta segunda-feira (5), durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A posição brasileira foi apresentada pelo embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, que afirmou que o país não concorda com o uso da força para atingir objetivos políticos ou estratégicos.
Durante seu pronunciamento, Danese declarou que não é aceitável o argumento de que os fins justificam os meios, destacando que esse tipo de ação não encontra respaldo nas normas internacionais.
Segundo o embaixador, permitir esse tipo de conduta pode abrir espaço para que países com maior poder decidam, de forma unilateral, o que é considerado correto ou incorreto nas relações internacionais, o que pode afetar a soberania de outros Estados.
“Conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto é incompatível com a ordem internacional”, alertou.
Danese afirmou ainda que, na visão do Brasil, a organização do cenário internacional no século XXI deve ser baseada na cooperação entre os países, e não em áreas de influência entre potências.
As declarações do embaixador foram alinhadas a uma nota oficial divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mesmo dia da ação militar.
No comunicado, o governo informou que rejeita a intervenção armada em território venezuelano por considerar que a ação viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional.
Na ONU, Danese afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente ultrapassam os limites previstos nas normas internacionais, além de gerar preocupação sobre possíveis precedentes para outros conflitos.
De acordo com o embaixador, a Carta da ONU estabelece que o uso da força contra outro Estado é proibido, salvo em situações específicas previstas no próprio documento. Ele explicou que a aceitação de ações desse tipo pode resultar em instabilidade internacional e enfraquecer o sistema multilateral.
Sérgio Danese também destacou que a América Latina e o Caribe têm histórico de buscar soluções pacíficas para conflitos, e que intervenções armadas no passado tiveram impactos negativos para a região.
Por fim, o embaixador afirmou que o Brasil defende uma solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano, com base na Constituição do país, e defendeu que o Conselho de Segurança da ONU atue dentro das normas do direito internacional.
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