Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Câmara de Manaus pode virar vitrine eleitoral em 2026

Quase metade dos vereadores aparece como possível candidato a deputado, cenário semelhante ao de 2022, quando apenas dois se elegeram.

(Foto: Divulgação /Assessoria CMM)

Manaus (AM) – Com as eleições marcadas para 4 de outubro, a Câmara Municipal de Manaus começa a dar sinais de que o plenário pode virar, mais uma vez, sala de espera para voos mais altos. Nos bastidores, a conta já chega a 19 vereadores cotados para disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Ainda não há confirmações oficiais dos partidos, mas a movimentação em eventos e articulações pré-eleitorais fala por si.

Se todos os nomes se confirmarem, 46% do parlamento municipal estará com um pé na campanha. Quase metade da Casa. A matemática é simples: menos vereadores focados no mandato atual, mais energia direcionada para o próximo cargo.

Entre os nomes ventilados estão Gilmar Nascimento (Avante), Joelson Silva (Avante), Everton Assis (União), Rosivaldo Cordovil, Eduardo Assis (Avante) e Jander Lobato (PSB). Também aparecem na lista Professora Jacqueline (União), Capitão Carpê (PL), Kennedy Marques (MDB), Diego Afonso (União), Marcelo Serafim (PSB), Rodrigo Guedes (PP), David Reis (Avante) e João Carlos (Republicanos).

Do grupo eleito em 2024, o vereador Eurico Tavares (PSD) já foi confirmado como pré-candidato a deputado estadual. Também aparecem como possíveis candidatos Zé Ricardo (PT), Sargento Salazar (PL), Aldenor Lima (União) e Coronel Rosses (PL).

O roteiro é conhecido: primeiro mandato, visibilidade em alta e a disputa estadual ou federal como próximo passo natural.

O filme de 2022

Não é a primeira vez que a Câmara vive esse movimento em massa. Em 2022, 60% dos vereadores se desincompatibilizaram para disputar cargos de deputado estadual ou federal. Foram 25 candidaturas. O resultado foi bem mais modesto: apenas dois obtiveram sucesso, Amom Mandel, eleito deputado federal pelo Cidadania, e Wanderley Monteiro, eleito deputado estadual pelo Avante.

A lista de 2022 é extensa e, em muitos casos, repetida agora. Para deputado estadual concorreram nomes como Gilmar Nascimento, Caio André, Joelson Silva, Everton Assis, Rosivaldo Cordovil, Dr. Eduardo Assis, Jander Lobato, Professora Jacqueline, Capitão Carpê, Kennedy Marques, entre outros. Para a Câmara Federal, disputaram Amom Mandel, Rodrigo Guedes, Marcelo Serafim, David Reis, Sassá da Construção Civil, Diego Afonso e João Carlos.

O índice de êxito foi baixo. A maioria retornou ao cargo de origem, depois de meses de campanha e afastamento. A pergunta que fica é pragmática: qual o impacto administrativo e legislativo de uma Câmara com metade de seus membros em ritmo eleitoral?

Mandato ou trampolim?

A legislação permite que vereadores disputem outros cargos, e a movimentação é legítima dentro das regras do jogo. Mas o fenômeno recorrente levanta uma questão estrutural: o mandato municipal tem sido exercido como finalidade ou etapa intermediária?

Na prática, o eleitor que escolhe um vereador para quatro anos pode assistir, dois anos depois, à conversão desse mandato em palanque. Não há ilegalidade nisso. Há, porém, um padrão. E ele se repete a cada ciclo.

Com quase metade da Casa cotada para concorrer, o cenário de 2026 começa antes mesmo do fim de 2025. A campanha ainda não começou oficialmente, mas os discursos já ensaiam novo endereço. Enquanto isso, a cidade segue com suas pautas diárias, transporte, saúde básica, infraestrutura, que continuam exigindo vereadores em tempo integral.

Se a história recente servir de parâmetro, a maioria deve voltar ao ponto de partida após as urnas. Até lá, a Câmara funciona em compasso duplo: legislativo de dia, pré-campanha nas horas vagas. Ou vice-versa, a depender da agenda.

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