(Fotos: Reprodução/Redes sociais)
Manaus (AM) – Possíveis falhas detectadas na coleta de provas do caso “Djidja Cardoso” na última quinta-feira (30), como a não utilização de equipamentos básicos, como luvas, por parte da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), podem interferir nos resultados da investigação, conforme especialista ouvido pelo Portal AM1 neste domingo (2).
À reportagem, o advogado especialista em direito penal Almir Albuquerque explica que a não utilização dos equipamentos básicos pode, sim, comprometer os resultados da investigação, uma vez que, ao utilizar uma luva, por exemplo, se preserva as digitais de um suspeito.
“Nós estamos diante de uma possível violação da cadeia de custódia das provas, que é o processo de documentar toda a história de forma cronológica dos vestígios encontrados na investigação, com o objetivo de preservar as provas a serem analisadas pelo juiz. […] Pelas imagens, nós vemos que houve possíveis falhas na coleta dessa prova, no acondicionamento do transporte. A coleta dos vestígios ainda deve ser realizada, preferencialmente, por um perito oficial e ele dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, ou seja, uma pessoa qualificada”, opina Albuquerque.
De acordo com o especialista, pelos relatos da própria Polícia Civil do Amazonas, a família de Djidja Cardoso estava sob investigação há pelo menos 40 dias. Esse período seria mais do que suficiente para que, no momento da coleta das provas e vestígios dos crimes, fosse necessária a presença de um perito habilitado.
Este perito deveria realizar a seleção e coleta do material, utilizando equipamentos adequados tanto para a coleta quanto para o armazenamento. Mas no momento em que a família é presa e a coleta é realizada, tanto o delegado Cícero Túlio, titular do 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP), e outros policiais, não utilizavam os equipamentos básicos.
“Entendemos que há possibilidade de interferência, sim, com relação ao resultado das investigações, embora nós tenhamos a identificação do material utilizado. Mas, por exemplo, exames importantes poderiam ser utilizados para saber quem havia manuseado esse material encontrado através, seja, das digitais fixadas nesse material, de quem seria? Isso ajudaria a esclarecer quem manuseou e possivelmente, fazia a aplicação nas outras pessoas”, explica o especialista ao Portal AM1.
O outro lado
Ao Portal AM1, o titular do 1° DIP disse, informalmente, que essa tese [de possível falha] é improvável, pois, a utilização de luvas na coleta das provas também pode borrar as digitais. Segundo o delegado, a tese “é bem fraca”.
“Quem utilizava as drogas nunca usou luvas… os produtos nunca foram manuseados com luvas e agora não vão servir pra ser periciados? Essa tese aí tá bem fraca. Exemplo, quero periciar um líquido que está dentro de um frasco. No que vai interferir eu pegar o frasco sem luvas?”, questiona a autoridade policial.
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