Manaus, 29 de julho de 2026
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Manaus, 29 de julho de 2026

Cenário

Chapa de Omar, Alessandra e Braga reúne 17 candidatos citados em investigações, processos e até que já foram presos

Levantamento mostra que nomes da coligação acumulam passagens por inquéritos policiais, ações judiciais, processos eleitorais e questionamentos no TCE-AM.

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(Foto: Divulgação/ Reprodução Instagram @alecampelo)

Manaus (AM) – Ao menos 17 candidatos da chapa encabeçada por Omar Aziz (PSD), que tem Alessandra Campelo como candidata a vice-governadora e Eduardo Braga (MDB) na disputa pelo Senado, aparecem em registros relacionados a investigações, processos judiciais, ações de controle, prisões cautelares ou acusações públicas.

O levantamento considera os candidatos apresentados pela coligação ao Governo do Amazonas, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa nas eleições deste ano. Os casos possuem situações jurídicas distintas: alguns permanecem em andamento, enquanto outros terminaram em absolvição, arquivamento ou rejeição das acusações.

O principal nome da chapa, Omar Aziz, carrega o desgaste provocado pelas operações Maus Caminhos e Vertex, desdobramentos de uma investigação da Polícia Federal sobre o desvio de recursos da saúde pública do Amazonas.

Em julho de 2019, Omar foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou indiciado pela PF por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na mesma operação, a então esposa do senador, Nejmi Aziz, e três irmãos dele foram presos. Omar não chegou a ser detido.

As investigações buscavam apurar a suposta participação de integrantes do núcleo político e familiar do senador em um esquema que teria desviado recursos destinados ao atendimento da população amazonense. O MPF estimou que o grupo investigado provocou prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos.

Omar sempre negou envolvimento nas irregularidades e afirmou, em 2025, que o procedimento contra ele havia sido definitivamente arquivado por falta de provas. Apesar do indiciamento da Polícia Federal, não houve condenação judicial contra o candidato relacionada ao caso.

Candidato ao Senado na mesma composição política, Eduardo Braga também foi alvo de investigações. Em 2021, porém, o Supremo Tribunal Federal rejeitou uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República por suposta falsidade eleitoral e uso de recursos não contabilizados na eleição municipal de 2012.

Braga também apareceu em inquérito sobre supostos pagamentos realizados por um grupo farmacêutico. Nesse caso, a própria PGR pediu o arquivamento da investigação por falta de provas.

Federais na berlinda

Entre os candidatos da chapa à Câmara dos Deputados, nove possuem registros de investigações, denúncias, processos eleitorais, ações de controle ou prisões.

O ex-prefeito e deputado federal Adail Filho é alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, em abril deste ano, a pedido da PGR. A investigação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos federais destinados ao município de Coari, reduto político da família Pinheiro.

O deputado também foi incluído, em 2015, em uma denúncia do Ministério Público do Amazonas envolvendo suspeitas de falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção de testemunha e associação criminosa.

O ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por supostamente omitir dois apartamentos de luxo de sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2016. Em 2018, o TRE-AM absolveu sumariamente o então prefeito de Manaus.

Arthur também foi alvo de uma queixa-crime apresentada por Omar Aziz – atualmente aliado político – por supostas declarações consideradas caluniosas e difamatórias.

Já o deputado federal Átila Lins teve o nome citado em reportagens relacionadas à Operação Arquimedes, investigação da Polícia Federal sobre extração e comercialização ilegal de madeira no Amazonas.

Na mesma esteira, Amauri Gomes teve as contas da campanha de 2022 desaprovadas pela Justiça Eleitoral. A decisão determinou a devolução de aproximadamente R$ 44 mil aos cofres públicos.

O ex-secretário municipal de Habitação, Jesus Alves, foi investigado pelo Ministério Público do Amazonas por suposta promoção pessoal durante agendas oficiais realizadas no interior do estado. O procedimento foi arquivado em 2026.

O ex-secretário municipal e deputado federal Pauderney Avelino chegou a ser condenado pelo Tribunal de Contas do Amazonas a devolver R$ 4,6 milhões por supostas irregularidades e sobrepreço em contratos de aluguel de imóveis utilizados como escolas municipais durante sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação. A decisão, no entanto, foi cancelada pelo próprio TCE-AM ainda em março de 2016, após recurso apresentado pela defesa do ex-secretário.

Assim como eles, o ex-secretário estadual de Esportes, Jorge Oliveira, foi acusado publicamente de utilizar veículo oficial do Governo do Amazonas em compromissos pessoais ou relacionados à pré-campanha.

O ex-secretário da gestão municipal de Manaus, Saullo Vianna, foi preso temporariamente em 2018 durante uma investigação sobre supostos crimes de corrupção e violação de sigilo funcional.

Em 2020, o então deputado estadual voltou a ser alvo da Polícia Federal na Operação Ponto de Parada, que investigava suspeitas de fraude em licitação, lavagem de dinheiro e desvio de recursos do transporte escolar em Presidente Figueiredo. Na ocasião, Saullo foi alvo de busca e apreensão, mas não foi preso. Não foi localizada condenação definitiva relacionada às operações.

Já o deputado federal Sidney Leite responde a uma ação penal eleitoral sobre uma suposta compra de votos em Maués, relacionada às eleições municipais de 2004. Em julho deste ano, o TRE-AM marcou audiência para ouvir o deputado.

Estaduais

Na nominata apresentada para a Assembleia Legislativa, ao menos seis candidatos possuem registros semelhantes.

O ex-superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, já apareceu relacionado a processo por supostos crimes contra a ordem tributária e teve seu nome envolvido em desdobramentos da Operação Albatroz, que investigou irregularidades em contratos públicos no Amazonas. No caso da Operação Albatroz, Bosco acabou absolvido.

O ex-prefeito David Bemerguy foi envolvido em uma polêmica eleitoral em 2020, quando mais de 3 mil cestas básicas foram apreendidas em Benjamin Constant. Uma denúncia apontava que os produtos poderiam ser distribuídos em benefício de sua campanha à reeleição.

Na ocasião, a prefeitura alegou que os alimentos eram destinados a estudantes da rede municipal durante a suspensão das aulas presenciais. A entrega acabou interrompida.

Um dos casos mais graves é o de Dr. Sandoval, nome de urna do ex-auditor da Receita Federal Sandoval Fernando Cardoso de Freitas, possui um dos históricos mais graves da nominata. Ele foi preso pela Polícia Federal na Operação Hiena, deflagrada em 2007 para investigar um esquema de fraudes dentro da Receita Federal. Sandoval era apontado como suspeito de chefiar o grupo investigado.

Em 2012, foi condenado em primeira instância a 28 anos e dez meses de prisão pela prática de sete crimes. A defesa recorreu da decisão.

Já Simão Peixoto, ex-prefeito de Borba, foi preso preventivamente em 2023 e novamente alcançado por uma operação em 2024, relacionada a suspeitas de interferência em uma investigação sobre desvio de recursos públicos.

O ex-prefeito também foi investigado pelo MP-AM após promover uma luta de MMA contra um adversário político e ganhou repercussão estadual ao dar um soco em Roberto Cidade, então presidente da Assembleia Legislativa e atual governador do Amazonas.

Além disso, o MPF instaurou procedimento para apurar uma possível prática de violência política de gênero durante as eleições municipais de 2024. Não foi localizada condenação definitiva nos procedimentos consultados.

O deputado estadual Thiago Abrahim foi citado em denúncia política envolvendo empresas investigadas por supostas irregularidades em licitações no município de Itacoatiara. Além dele, o também deputado Wilker Barreto foi denunciado ao Ministério Público do Amazonas por suposto nepotismo cruzado envolvendo sua atuação política e o governo de Amazonino Mendes. A denúncia foi arquivada pelo MP-AM em 2019.

 

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