Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Cheia antecipada do Rio Purus afeta municípios do Amazonas

A elevação acelerada do rio já isola o município de Lábrea e compromete o abastecimento no município

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – Municípios do Amazonas já sentem os impactos da elevação acelerada do nível do rio Purus, que neste começo de fevereiro apresenta um comportamento atípico para o período. A cheia, considerada antecipada, tem provocado transtornos à mobilidade fluvial e acendido o alerta em comunidades ribeirinhas da região.

Com cerca de 3.200 quilômetros de extensão, o Purus corta extensas áreas da floresta amazônica e desemboca no rio Solimões, exercendo influência direta tanto no equilíbrio ambiental quanto nas atividades econômicas e no abastecimento das populações que dependem de sua navegabilidade.

Dados de monitoramento hidrológico, indicam uma elevação acelerada do volume de água, acima do padrão esperado para esta época do ano. Em diversos trechos, os níveis já ultrapassam, em metros, as marcas registradas no mesmo intervalo de 2025.

No domingo (02), o Purus marcou 15,21 metros em um dos pontos de referência. Já no município de Lábrea, o cenário é mais sensível: o rio alcançou 20,63 metros, aproximando-se da faixa crítica e reduzindo a margem de segurança antes de possíveis alagamentos, embora ainda não tenha superado o recorde.

Ao longo de seu percurso pelo Amazonas, o rio Purus influencia diretamente a dinâmica de pelo menos seis cidades: Canutama, Pauini, Boca do Acre, Tapauá, Lábrea e Beruri, ponto onde suas águas se encontram com o rio Solimões. Essas localidades fazem parte da região conhecida como Calha do Purus e convivem, há décadas, com os impactos recorrentes das oscilações rápidas do nível do rio.

Cheia antecipa isolamento e corta acesso terrestre a Lábrea

A cheia antecipada isolou o município de Lábrea após a interdição da ponte sobre o rio Umari, na BR-230, único acesso terrestre ao município. A medida compromete o abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a liberação da ponte só ocorrerá após a redução do nível do rio e vistoria técnica. De acordo com informações dos moradores a água já ultrapassa o leito da ponte em cerca de 20 centímetros, além de causar inundações precoces, dificultar o transporte fluvial e afetar a pesca e a agricultura de subsistência.

O avanço precoce da cheia no Purus ocorre em paralelo ao cenário de elevação do Solimões em diversos trechos, afetando cidades ribeirinhas do Médio Amazonas, onde o transbordamento dos rios já provoca alagamentos, isolamento de comunidades e prejuízos à mobilidade e à produção agrícola.

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