(Foto: Éder França & Cleuton Silva/CMM & Divulgação Assessoria)
Manaus (AM) – A Câmara Municipal de Manaus foi palco de uma discussão acalorada entre os vereadores Coronel Rosses (PL) e Jander Lobato (PSD) nesta quarta-feira (24). A sessão precisou ser encerrada pelo vereador Professor Samuel (PSD), que presidia os trabalhos, em razão dos ânimos exaltados dos parlamentares.
A discussão entre os vereadores se estende desde a última semana, quando uma sessão da Câmara Municipal de Manaus foi marcada por um intenso bate-boca após declarações do vereador Coronel Rosses.
Na ocasião, o vereador Jander Lobato exibiu um boletim de ocorrência registrado por uma ex-esposa de Rosses. O parlamentar do PL negou as acusações e afirmou ter sido absolvido pela Justiça, posição que voltou a defender durante a sessão desta quarta-feira.
O embate teve início após Rosses afirmar que colegas da Casa estariam recebendo benefícios financeiros para defender o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante).
Na última semana, em resposta à acusação de Rosses, Jander Lobato apresentou durante o debate um boletim de ocorrência registrado anteriormente contra o vereador por sua ex-esposa.
A discussão avançou para esta semana, quando Rosses subiu à tribuna na sessão desta quarta-feira (24) para rebater Jander Lobato. Na ocasião, afirmou que os acontecimentos da semana passada fizeram com que vereadores agissem como “súditos da corrupção”, declaração que gerou questionamentos na Casa. Ele também voltou a afirmar que o caso mencionado por Jander se refere a uma ocorrência antiga de um processo que corria em segredo de Justiça e no qual teria sido absolvido.
“Como eu disse, na semana passada, nós tivemos um fato diferente, inusitado, em que eu fui aqui atacado, agiram como filhos do prefeito, súditos da corrupção, volto a dizer isso aí, e até boletim, ocorrência antiga, de processo, já isso é errado, que eu fui absolvido, eles violaram o segredo de justiça e me atacaram, envolveram uma mãe, uma esposa, em que o marido, certamente, já me comunicou, vai tomar providências, e, assim, eu não entendi por que isso estava acontecendo”, disse Rosses.
Na sequência, Rosses levou à tribuna o tema da operação da Polícia Federal em que o presidente da agremiação Boi-Bumbá Caprichoso, que desfila no tradicional Festival Folclórico de Parintins, foi preso em novembro de 2025, suspeito de fraudar uma licitação para o fornecimento de transporte escolar em Presidente Figueiredo. Jender Lobato é irmão do vereador Jander e atual presidente da ManausCult.
Conforme veiculado pelo UOL Notícias, segundo as investigações da Polícia Federal, duas empresas concorreram a uma licitação da Prefeitura de Presidente Figueiredo, em 2017, para o fornecimento de transporte escolar. De acordo com a investigação, uma delas cobriu a proposta da outra com o objetivo de dar aparência de legitimidade à concorrência.
Segundo Rosses, ele não iria citar o nome de outras pessoas envolvidas porque se considera “ético”. O vereador afirmou que “todos aqui [na Câmara Municipal de Manaus] abriram a temporada de ataques à família” e acrescentou: “Está aberta a temporada. Então se preparem todos que atacaram a minha família. Está liberado atacar a família”.
Após a fala do vereador do PL, o presidente da sessão, Professor Samuel, afirmou que não se pode generalizar. Enquanto Samuel se pronunciava, Jander Lobato o interrompeu pedindo que Rosses permanecesse no plenário. Samuel, então, solicitou que o microfone de Jander fosse desligado para que pudesse dar continuidade à sessão.
Samuel deu espaço para que Jander falasse porque, conforme o regimento, o parlamentar tem esse direito quando é citado por outro vereador. No entanto, o parlamentar optou por se manifestar durante o pequeno expediente, utilizando o tempo do vereador Zé Ricardo (PT).
Jander Lobato iniciou seu discurso pedindo que Rosses retornasse ao plenário e afirmou que era “vergonhoso chamar de vossa excelência” alguém que, segundo ele, “bate mulher”.
Após se defender das acusações feitas por Rosses, Jander afirmou que não era “súdito do crime” e que não tinha suas contas pagas pelo chefe do Executivo. O vereador classificou a situação como “absurda”. Em seguida, declarou que Rosses era um frustrado, afirmando que ele não era coronel, mas tenente-coronel, o que, segundo Jander, seria “a primeira frustração pessoal”.
“Não leve isso pro coração. Nós aqui da Câmara Municipal não somos súditos do crime. Nós não recebemos dinheiro do prefeito, ele não paga nossas contas”, disse Jander.
O vereador voltou a mencionar o boletim de ocorrência envolvendo Rosses e encerrou seu discurso recomendando “terapia” e “medicação” ao colega, afirmando que isso ajudaria a diminuir suas frustrações.
“Com esses três tratamentos de terapia, uma medicaçãozinha boa, vossa excelência diminuirá suas frustrações e entenderá que o problema do mundo não são as pessoas, e sim vossa excelência. Tenho dito”, disse ao final do discurso.
O vereador Professor Samuel, que presidia a sessão, decidiu encerrá-la mais cedo em razão de os “ânimos estarem aflorados” e convidou os parlamentares a comparecerem à sessão da próxima segunda-feira (29).
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