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21 de abril de 2021
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Com quase 80 mortes, violência em prisões expõe nova derrota de Moreno no Equador

Crise deve ter impacto no segundo turno da disputa pela Presidência, em abril

Com quase 80 mortes, violência em prisões expõe nova derrota de Moreno no Equador
Foto: Folhapress

A onda de violência coordenada que deixou quase 80 mortos em diferentes prisões no Equador é a demonstração de mais uma derrota da combalida gestão do atual presidente, Lenín Moreno, e pode ter impacto no segundo turno das eleições entre o candidato apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, Andrés Arauz, e o direitista Guillermo Lasso no dia 11 de abril.

Nos últimos quatro anos, o país viu um incremento da presença de facções do crime organizado nacionais e estrangeiras.

A crise se agravou com o acordo de paz entre o Estado colombiano e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em 2016. Desde então, dissidentes que não aceitaram se desarmar buscaram refúgio em outros países da região -o Equador entre eles. Com a migração, passaram a reforçar facções criminosas locais.

Muitos desses grupos têm suas lideranças operando de prisões superlotadas e supervisionadas por agentes do Estado muitas vezes corruptos. Entre 2013 e 2017, durante a gestão de Correa, foram demitidos mais de mil funcionários do sistema prisional, de carcereiros a diretores de presídios. Muitos deles ainda respondem a processos, acusados de receber suborno em troca de benefícios aos presos.

Segundo informações oficiais, a hipótese mais provável de ter detonado a onda de mortes da última terça-feira (23) aponta para um ato de vingança pelo assassinato do líder da facção criminosa Los Choneros, conhecido como “Rasquiña”, na cidade de Manta, um ponto importante da rota do narcotráfico que segue até a América Central e de lá aos EUA.

Isso teria gerado uma disputa de ajuste de contas entre os mais de 38 mil presos que pertencem a diferentes grupos e cartéis. Registros gravados com celulares mostram decapitações e mutilações. No fim do dia, o governo afirmou que a situação havia sido controlada.

Apesar de não ser um produtor de cocaína, o Equador recebe rotas do tráfico que vêm de vários pontos da América do Sul. Sua geografia, com selvas e montanhas, serve de esconderijo para grupos criminosos colombianos, peruanos, mexicanos e locais.

Além disso, o país conta com um grande porto, o de Guayaquil, por onde passa parte do contrabando. Também são recorrentes as vias terrestres, que levam as drogas ilícitas para o norte.

Embora não tenha uma cifra de homicídios tão alta como as de México, Brasil e Colômbia, o Equador ainda não controlou as rotas de narcotráfico. Segundo o mais recente relatório da ONG Insight Crime, referente ao ano de 2020, o país tem 7,7 mortos por 100 mil habitantes.

A queda nos homicídios, que somavam 20 por 100 mil habitantes em 2011, deu à população alguma sensação de segurança, mas não interrompeu a atividade dos grupos.

O histórico que caracteriza o Equador como abrigo de várias facções criminosas vem de longe. Entre os anos 1970 e 1990, os cartéis colombianos usaram o país como ponte tanto para vender drogas ao exterior como para trazer para a Colômbia os insumos necessários para processar a cocaína.

Hoje, além de receber os dissidentes das Farc, o Equador também dá refúgio a membros da guerrilha colombiana do ELN (Exército de Libertação Nacional), que está em guerra com o Exército colombiano.

Também da Colômbia vêm os chamados “Bacrim” (bandos criminosos), facções sem relação ideológica com as ex-guerrilhas que praticam extorsão e sequestros que ajudam a manter suas finanças.

Nos últimos anos, as autoridades equatorianas também registraram a presença de integrantes do cartel de Sinaloa no país. Eles funcionam como controladores das rotas da droga que passam pelo Equador.

O ex-presidente Rafael Correa envolveu o Exército na luta contra o narcotráfico. Por um lado, obteve bons resultados, baixando os índices de criminalidade nas regiões em que mais atuavam. Por outro, foi acusado de realizar pactos com os grupos armados.

Agora, seus opositores voltaram a acusar o ex-mandatário de ter vínculos com guerrilhas colombianas que atuam no narcotráfico, principalmente o ELN. Em entrevista recente ao jornal Folha de S.Paulo, Correa afirmou: “Sempre acusam, mas nunca mostram evidências. O fato é que o crime organizado está descontrolado”.

Apesar da diminuição dos índices de violência, a gestão Correa foi desgastada também pelo assassinato de três jornalistas do El Comercio, mortos por dissidentes das Farc, na fronteira com a Colômbia, em 2016.

De acordo com a ONG Insight Crime, as penitenciárias equatorianas estão mais lotadas nos últimos três anos. Em 2018, o sistema operava com 138% da capacidade. Entre os ajustes que Moreno promoveu a partir de 2019 para cumprir os requisitos do empréstimo que fez com o FMI (Fundo Monetário Internacional) também o sistema penitenciário sofreu cortes de orçamento.

No fim desta terça-feira (23), o governo tentou se descolar de responsabilidades sobre a tragédia, afirmando que se tratava de “ações de organizações criminais com a intenção de gerar violência dentro do país”. Moreno afirmou que o ministério da Defesa faria uma operação de busca e apreensão de armas e explosivos dentro e fora dos presídios.

Correa aproveitou o episódio para pedir, por meio de sua conta de Twitter, a renúncia de Moreno. Segundo o ex-presidente, o atual liquidou “o Ministério de Justiça e Direitos Humanos, debilitando a institucionalidade e a coordenação da segurança no país”.

(*) Com informações da Folhapress 

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