Manaus, 7 de julho de 2026
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Brasil

Comida estragada, desnutrição e calor: denúncias nos abrigos da Operação Acolhida

A Operação Acolhida conta hoje com sete abrigos, sendo três deles voltados para a população indígena refugiada.

(Foto: Coletivo Banquetaço/Agência Brasil)

Crianças indígenas com desnutrição, comidas com insetos, doenças e habitações nada aclimatadas para a região amazônica. Essas foram as denúncias feitas pela população venezuelana refugiada, ex-trabalhadores humanitários e pesquisadores sobre a estrutura da Operação Acolhida, em Roraima, que abriga migrantes principalmente vindos da Venezuela. As denúncias foram ouvidas pela Agência Pública no local e fazem parte da  segunda reportagem da série Segredos da Operação Acolhida.

A Operação Acolhida conta hoje com sete abrigos, sendo três deles voltados para a população indígena refugiada. Eles são administrados pela Agência ONU para Refugiados, a Acnur. Segurança, zeladoria e distribuição das refeições são feitas pelo Exército Brasileiro.

Já a comida, segundo a reportagem apurou no Portal da Transparência, é fornecida ao menos desde 2022 pela empresa Paladar Nutri. Segundo o próprio portal e informações confirmadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a empresa RMP Romero também presta serviço direto de alimentação, contudo, nas cidades de Pacaraima e Manaus (AM).

Sob a responsabilidade da Organização Internacional para as Migrações (OIM), fica o Posto de Recepção e Apoio (PRA), um espaço onde os migrantes em situação de rua podem dormir à noite; e o Posto de Interiorização e Triagem, onde a população venezuelana recém-chegada tira a documentação de residência no Brasil. Nesse último espaço, parte das tarefas também é divida com outras agências humanitárias.

Estima-se que mais de 1 milhão de venezuelanos tenha passado pelos serviços da Operação Acolhida desde fevereiro de 2018, quando a ação teve início, ainda no governo do então presidente Michel Temer. Os dados são do Ministério da Justiça.

Crianças indígenas desnutridas e a comida que adoece

“No almoço e no jantar, às vezes, a comida chega com baratas, moscas e larvas”, disse Afonso Aztana (fictício), indígena venezuelano da etnia Warao, que vive no abrigo Jardim Floresta, da Operação Acolhida, administrado pela Acnur e pelo Exército Brasileiro.

Aztana contou à Pública que as crianças indígenas estariam doentes por conta da comida entregue pela empresa Paladar Nutri e distribuída pelo Exército Brasileiro todos os dias. Além disso, todas as queixas feitas aos militares sobre a alimentação servida seriam alvo de retaliação à população indígena abrigada no Jardim Floresta.

“Diarreia, febre, vômito, dor de cabeça e no corpo” foram os sintomas que as crianças apresentaram ao ingerir a comida fornecida pela Operação Acolhida, segundo o indígena Warao. À Pública, ele afirmou que havia casos de desnutrição de crianças.

 

(*) Por Rafael Custódio – Agência Pública

 

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