Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Como as eleições nos Estados Unidos podem afetar o Brasil? Bolsonarismo pode ser impulsionado?

O resultado da eleição dos EUA não impactará apenas a política interna americana, mas também influenciará diversos países, incluindo o Brasil.

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A eleição nos Estados Unidos acontece no dia 5 de novembro - (Fotos; Divulgação/ Freepik)

Manaus (AM) – A eleição que definirá o novo presidente dos Estados Unidos ocorrerá no dia 5 de novembro. À medida que a disputa se aproxima, cresce a expectativa em todo o mundo sobre quem ocupará o Salão Oval da Casa Branca: o republicano Donald Trump ou a democrata Kamala Harris. O resultado não impactará apenas a política interna americana, mas também influenciará diversos países que mantêm relações próximas com a maior potência econômica e militar do mundo, incluindo o Brasil.

Além das implicações para a política externa brasileira e as relações bilaterais entre os dois países, especula-se se uma possível vitória de Donald Trump daria um impulso renovado à extrema direita no Brasil, especialmente em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para a cientista política e doutoranda em Ciências Sociais, Juliana Fratini, isso é provável, uma vez que o bolsonarismo possui semelhanças com o trumpismo em termos de ideologia, valores e métodos políticos. Segundo ela, a perspectiva conservadora tende a fortalecer aqueles que defendem esses princípios em diferentes partes do mundo.

Bolsonaro é apoiador declarado de Trump – (Foto: Agência Brasil)

“Uma possível vitória de Trump não deve polarizar ainda mais a política no Brasil, mas sim retroalimentar os discursos já existentes, como a manutenção de valores cristãos, a defesa da família em face das perspectivas woke sobre identidade de gênero e transativismo, e a defesa de Israel em relação à Palestina, além de discursos contrários às ditaduras de esquerda, como Cuba e Venezuela”, afirmou Juliana em entrevista ao Portal AM1.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, assim que Joe Biden desistiu da reeleição, em julho, que as relações entre Brasil e Estados Unidos continuarão “civilizadas”, independentemente do vencedor da disputa presidencial. No entanto, Trump é próximo de políticos que se opõem a Lula.

Em 2018, ele apoiou Jair Bolsonaro e afirmou, em uma mensagem aos eleitores brasileiros, que Lula era um “lunático de esquerda” que “destruiria rapidamente o seu país”. No início deste ano, Trump e o presidente argentino, Javier Milei, se encontraram em uma reunião de políticos conservadores em Washington. Milei tem atacado Lula, associando o atentado contra Trump à “esquerda internacional”.

Juliana Fratini, cientista política e doutoranda em Ciências Sociais – (Foto: Divulgação/Assessoria)

Lula também já criticou o ex-presidente americano, chamando-o de mentiroso e sugerindo que ele tentará tirar proveito do atentado que sofreu. Isso lembra a situação no Brasil, quando o ex-presidente Bolsonaro foi esfaqueado e usou o ocorrido em sua campanha, o que contribuiu para sua vitória.

Diplomacia pode diminuir conflitos 

Entretanto, segundo Juliana, a diplomacia brasileira é eficaz em diminuir conflitos e evitar que os mercados domésticos sejam influenciados por eventuais desacordos.

“Atualmente, o principal ponto de desacordo entre os países é a relação dos EUA com Israel e a defesa da causa palestina pelo Brasil, além da política dos EUA em relação a Cuba. Contudo, apesar das discordâncias, não há registros significativos de dados nas relações entre americanos e brasileiros do ponto de vista da política internacional”, destaca.

Sobre os principais mecanismos pelos quais as decisões políticas dos EUA podem impactar a economia e a política interna do Brasil, Juliana explica que eventuais políticas protecionistas podem restringir as trocas comerciais. No entanto, não há definição sobre quais políticas poderão ser adotadas, pois isso, depende de qual candidato vencer. Mesmo Kamala, que possui um alinhamento ideológico mais próximo ao governo brasileiro, pode adotar políticas protecionistas, valendo a máxima “amigos, amigos, negócios à parte”.

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Presidente Lula – (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Juliana considera Lula uma liderança diplomática e carismática. Para ela, se Trump não o atacar diretamente, é provável que o presidente brasileiro não inicie nenhum conflito direto. No entanto, ela avalia que o comportamento de Lula será constantemente examinado em relação a suas posições controversas, como o reconhecimento da Venezuela e da Rússia como ditaduras, e a China enquanto “ditadura capitalista”. O mesmo se aplica às suas posturas sobre Israel, que se alinha aos interesses americanos.

“Embora Kamala tenha um viés progressista, ela defende os interesses econômicos dos EUA e não aborda temáticas de esquerda na economia. Em Direitos Humanos, Lula se alinha um pouco mais a Kamala, mas isso não implica que ela concorde com sua visão de que a Venezuela não é uma ditadura, algo que Lula tem dificuldade em admitir”, analisa.

Pesquisa

As projeções indicam uma disputa acirrada, considerada por especialistas como imprevisível, quase como um “cara ou coroa”. Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (22) pela agência de notícias Reuters e pelo instituto Ipsos aponta que 46% dos eleitores preferem Kamala Harris, enquanto 43% preferem Donald Trump. O resultado está dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

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