(Foto: Divulgação/Defesa Civil do Amazonas)
Manaus (AM) – A construção do cais Terra Preta, localizado no município de Manacapuru, custará aos cofres públicos o montante de R$ 33,2 milhões. Conforme a publicação do Diário dos Municípios do Amazonas, na última sexta-feira (31), a obra foi contratada por meio de dispensa eletrônica emergencial com a empresa HBT Arquitetura e Engenharia Ltda, inscrita no CNPJ 15.631.381/0001-84, uma antiga fornecedora do ex-prefeito Beto Dângelo e da atual chefe do Executivo municipal, Valcileia Maciel (MDB).
Vale ressaltar que a empresa pertence ao ex-secretário de obras de Manacapuru, André Telles, que já faturou milhões com a gestão de Beto Dângelo e Valcileia.
Conforme o extrato do Termo de Contrato n.º 002/2025, o contrato foi assinado em 22 de janeiro de 2025, mas só foi oficializado agora.
A contratação prevê obras de contenção com muros de arrimo, terraplanagem, demolição de estruturas remanescentes, drenagem, recuperação de pavimentos e desenvolvimento de projetos executivos, obra que deve ser entregue em 180 dias. Ainda segundo a publicação, o valor global do contrato, de R$ 33.266.449,93, é proveniente do Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil.
O píer Terra Preta desabou em outubro de 2024 devido ao fenômeno conhecido como “terras caídas”, vitimando duas pessoas, sendo um homem de 36 anos e uma criança de apenas 6 anos. No entanto, a fatalidade foi resultado de uma tragédia anunciada, pois os próprios moradores já haviam reclamado da situação precária que se encontrava o porto da comunidade, que segundo eles, foi negligenciado por muito tempo pelas autoridades.
A fornecedora
A reportagem apurou no portal do Diário Eletrônico da Associação Amazonense dos Municípios (DOE-AAM) que a empresa vencedora da licitação já possui um histórico longo com a prefeitura. Alguns contratos firmados com o poder público local custaram alguns milhões ao Tesouro, como mostra o Extrato Do Termo De Contrato Nº 034/2024, assinado em novembro do ano passado.
Nessa contratação, Beto Dângelo pagou R$ 4.805.505,11 (quatro milhões oitocentos e cinco mil quinhentos e cinco reais e onze centavos) para a HBT Arquitetura e Engenharia pavimentar algumas estradas das comunidades rurais do município, localizado no Ramal do Japonês, AM 352, KM 07.
Com uma obra prevista para ser entregue em 26 de julho deste ano, a mesma empresa fechou contrato de mais de R$ 13,4 milhões com a Prefeitura de Manacapuru para pavimentar outros ramais da Zona Rural. Desta vez, as obras devem acontecer nas estradas do Ramal do Arapapá, AM-070, km 55 – Ramal do Bela Vista.
André Telles recebeu dos cofres públicos quase R$ 30 milhões em setembro de 2023 por obras de pavimentação na terra da ciranda.
Em 31 de agosto, a mesma empresa foi beneficiada com R$ 5.210.440,92 (cinco milhões, duzentos e dez mil, quatrocentos e quarenta reais e noventa e dois centavos), referentes à prorrogação de um ano com serviço de locação de máquinas pesadas.
Já em 4 de outubro de 2021, a HBT Arquitetura foi contratada para “obras e serviços de engenharia para pavimentação” na cidade pelo montante de R$ 11.418.898,89 (onze milhões quatrocentos e dezoito mil oitocentos e noventa e oito reais e oitenta e nove centavos).
O Portal AM1 também encontrou uma contratação que se estendeu desde 2019 até o final de 2024, tendo sido prorrogada com 14 termos aditivos, para a construção de uma escola de seis salas de aula e uma quadra coberta na comunidade Bela Vista. Na época, o contrato foi firmado por R$ 1,7 milhão, mas a empresa pode ter lucrado mais do que o valor inicial devido ao tempo prolongado.
Obras prolongadas podem gerar reclamações da população, especialmente quando a demora se estende por anos. Isso ocorre porque o atraso na entrega impacta diretamente a comunidade, causando transtornos como a falta de serviços essenciais, como a educação. Além disso, a extensão excessiva do prazo pode levantar questionamentos sobre como a gestão está administrando os recursos públicos.
Em Manacapuru, a escola foi inaugurada em julho do ano passado, mas, mesmo após a cerimônia, um novo termo aditivo ainda foi publicado no diário eletrônico da AAM, com vigência de 7 de agosto a 5 de dezembro de 2024.
Durante a gestão de Beto Dângelo, a população manacapuruense acompanhava de perto o andamento das obras, especialmente aqueles da oposição. Agora, com Valcileia Maciel no poder por quatro anos, resta saber se haverá interesse público para fiscalizar a gestão da prefeita.
LEIA MAIS:
- MPAM solicita novas explicações sobre causas do desabamento de porto em Manacapuru
- Criança de 6 anos desaparece no deslizamento do Porto da Terra Preta em Manacapuru







