Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Construção do porto que desabou em Manacapuru custará R$ 33,2 milhões

A obra foi contratada por meio de dispensa eletrônica emergencial com uma antiga fornecedora do ex-prefeito, Beto Dângelo, e da atual chefe do Executivo municipal, Valcileia Maciel (MDB).

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(Foto: Divulgação/Defesa Civil do Amazonas)

Manaus (AM) – A construção do cais Terra Preta, localizado no município de Manacapuru, custará aos cofres públicos o montante de R$ 33,2 milhões. Conforme a publicação do Diário dos Municípios do Amazonas, na última sexta-feira (31), a obra foi contratada por meio de dispensa eletrônica emergencial com a empresa HBT Arquitetura e Engenharia Ltda, inscrita no CNPJ 15.631.381/0001-84, uma antiga fornecedora do ex-prefeito Beto Dângelo e da atual chefe do Executivo municipal, Valcileia Maciel (MDB).

Vale ressaltar que a empresa pertence ao ex-secretário de obras de Manacapuru, André Telles, que já faturou milhões com a gestão de Beto Dângelo e Valcileia.

Conforme o extrato do Termo de Contrato n.º 002/2025, o contrato foi assinado em 22 de janeiro de 2025, mas só foi oficializado agora.

A contratação prevê obras de contenção com muros de arrimo, terraplanagem, demolição de estruturas remanescentes, drenagem, recuperação de pavimentos e desenvolvimento de projetos executivos, obra que deve ser entregue em 180 dias. Ainda segundo a publicação, o valor global do contrato, de R$ 33.266.449,93, é proveniente do Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil.

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O píer Terra Preta desabou em outubro de 2024 devido ao fenômeno conhecido como “terras caídas”, vitimando duas pessoas, sendo um homem de 36 anos e uma criança de apenas 6 anos. No entanto, a fatalidade foi resultado de uma tragédia anunciada, pois os próprios moradores já haviam reclamado da situação precária que se encontrava o porto da comunidade, que segundo eles, foi negligenciado por muito tempo pelas autoridades.

A fornecedora

A reportagem apurou no portal do Diário Eletrônico da Associação Amazonense dos Municípios (DOE-AAM) que a empresa vencedora da licitação já possui um histórico longo com a prefeitura. Alguns contratos firmados com o poder público local custaram alguns milhões ao Tesouro, como mostra o Extrato Do Termo De Contrato Nº 034/2024, assinado em novembro do ano passado.

Nessa contratação, Beto Dângelo pagou R$ 4.805.505,11 (quatro milhões oitocentos e cinco mil quinhentos e cinco reais e onze centavos) para a HBT Arquitetura e Engenharia pavimentar algumas estradas das comunidades rurais do município, localizado no Ramal do Japonês, AM 352, KM 07.

 

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(Foto: Divulgação/DOE-AAM)

Com uma obra prevista para ser entregue em 26 de julho deste ano, a mesma empresa fechou contrato de mais de R$ 13,4 milhões com a Prefeitura de Manacapuru para pavimentar outros ramais da Zona Rural. Desta vez, as obras devem acontecer nas estradas do Ramal do Arapapá, AM-070, km 55 – Ramal do Bela Vista.

André Telles recebeu dos cofres públicos quase R$ 30 milhões em setembro de 2023 por obras de pavimentação na terra da ciranda.

Em 31 de agosto, a mesma empresa foi beneficiada com R$ 5.210.440,92 (cinco milhões, duzentos e dez mil, quatrocentos e quarenta reais e noventa e dois centavos), referentes à prorrogação de um ano com serviço de locação de máquinas pesadas.

Já em 4 de outubro de 2021, a HBT Arquitetura foi contratada para “obras e serviços de engenharia para pavimentação” na cidade pelo montante de R$ 11.418.898,89 (onze milhões quatrocentos e dezoito mil oitocentos e noventa e oito reais e oitenta e nove centavos).

O Portal AM1 também encontrou uma contratação que se estendeu desde 2019 até o final de 2024, tendo sido prorrogada com 14 termos aditivos, para a construção de uma escola de seis salas de aula e uma quadra coberta na comunidade Bela Vista. Na época, o contrato foi firmado por R$ 1,7 milhão, mas a empresa pode ter lucrado mais do que o valor inicial devido ao tempo prolongado.

Obras prolongadas podem gerar reclamações da população, especialmente quando a demora se estende por anos. Isso ocorre porque o atraso na entrega impacta diretamente a comunidade, causando transtornos como a falta de serviços essenciais, como a educação. Além disso, a extensão excessiva do prazo pode levantar questionamentos sobre como a gestão está administrando os recursos públicos.

Em Manacapuru, a escola foi inaugurada em julho do ano passado, mas, mesmo após a cerimônia, um novo termo aditivo ainda foi publicado no diário eletrônico da AAM, com vigência de 7 de agosto a 5 de dezembro de 2024.

Durante a gestão de Beto Dângelo, a população manacapuruense acompanhava de perto o andamento das obras, especialmente aqueles da oposição. Agora, com Valcileia Maciel no poder por quatro anos, resta saber se haverá interesse público para fiscalizar a gestão da prefeita.

 

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