(Foto: Divulgação/Instagram)
Manaus (AM) – O pré-candidato a deputado federal Delegado Costa e Silva, do PL-AM, sugeriu uma solução inspirada no modelo ferroviário da Suíça para resolver o impasse histórico da BR-319. Durante viagem ao país europeu, o delegado publicou um vídeo nas redes sociais sugerindo a criação de uma ferrovia capaz de transportar veículos de passeio e cargas, reduzindo impactos ambientais na floresta amazônica.
A gravação foi feita durante um trajeto entre Lötschberg e Goppenstein, onde motoristas embarcam os próprios carros em plataformas ferroviárias para atravessar cerca de 15 quilômetros por dentro das montanhas suíças sem precisar sair dos veículos. Segundo Costa e Silva, o modelo poderia ser adaptado à realidade amazônica.
“Sabemos dos longos debates sobre o impacto ambiental da BR-319. E se a solução for exatamente essa: uma ferrovia que transporte veículos de passeio e trens de carga, minimizando os danos à floresta?”, questionou.
O delegado disse ainda que o Amazonas precisa observar experiências internacionais para encontrar soluções modernas de logística e infraestrutura.
“Os suíços já pensaram nisso há centenas de anos e a gente fica patinando. Conhecer outras culturas é importante para trazer atitudes e soluções reais para o nosso país. É perfeitamente possível aliar desenvolvimento, logística e preservação ambiental”, declarou.
Décadas de impasses
A BR-319 vive há décadas um impasse envolvendo a pavimentação do chamado “trecho do meio”, entre Manaus e Porto Velho, devido aos debates sobre impactos ambientais. Nas últimas semanas, o governo federal avançou com novas licitações e obras de recuperação da rodovia.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) prevê homologar até junho os contratos para melhorias em mais de 150 quilômetros da estrada. Um dos lotes, vencido pela empresa mineira LCM Construção e Comércio S.A., prevê investimentos de R$ 144,3 milhões em obras de pavimentação e recuperação do trecho entre os quilômetros 433 e 469.
As obras, no entanto, seguem no centro de uma intensa disputa judicial e ambiental. No fim de abril, a Justiça Federal chegou a suspender temporariamente os editais após ação movida por entidades ambientais, mas a decisão foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), permitindo a continuidade dos pregões eletrônicos.
Organizações ambientais criticam o modelo adotado pelo governo federal, que trata as intervenções como manutenção e reforma de infraestrutura já existente, reduzindo exigências burocráticas em comparação à construção de uma nova rodovia.
Além das obras viárias, o Ibama autorizou recentemente a substituição de antigas pontes de madeira por estruturas de concreto sobre os igarapés Santo Antônio, Fortaleza e Realidade. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também liberou a instalação de canteiros de obras e unidades de produção de concreto, mas proibiu supressão vegetal sem autorização específica.
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