Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Criminalização de pesquisas eleitorais revela mudança no cenário de monopólio no AM

No dia 17, o TRE fará uma reunião de alinhamento com representantes dos institutos, devido aos diversos pedidos de suspensão feitos por partidos e pré-candidatos.

pesquisas de intenção de voto

(Fotos: Divulgação TSE e TRE-SC)

Manaus (AM) – As pesquisas fazem parte do processo eleitoral e contribuem para analisar os nomes de cada um dos pré-candidatos junto ao eleitorado, bem como auxiliam os que almejam o cargo eletivo na melhoria de suas estratégias de pré-campanha, já que a campanha, de fato, só inicia no dia 16 do próximo mês.

No entanto, a divulgação dessas pesquisas na capital amazonense tem sido alvo de polêmicas, após diversos pedidos de suspensão feitos por partidos políticos e pré-candidatos ao cargo majoritário, o que tem gerado uma ‘briga’ entre os donos dos institutos nos bastidores da política amazonense.

Os recentes acontecimentos envolvendo os resultados dessas análises junto à população revelam uma mudança neste cenário, que se pode chamar de uma perda do monopólio de institutos, que por muito tempo, possuíam o domínio referente a esses estudos sobre cada nome que se apresenta como uma opção no pleito.

Para alinhar o trabalho dessas empresas e o bom andamento da disputa eleitoral de outubro deste ano, afastando interesses particulares de alguns proprietários, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), por meio do presidente da Corte, desembargador João Simões, marcou uma reunião na sede do órgão, para o próximo dia 17, a qual deve também alinhar esse processo de levantamentos de informações que fazem parte dessas pesquisas.

A reunião foi solicitada por empresários do mercado de pesquisas, que buscam legalmente se adequar cada vez mais e melhorar os resultados dessas sondagens, que são registradas junto à Justiça Eleitoral, como prevê a legislação.

Esses empresários justificam que, mesmo diante da regularidade e métodos convencionais utilizados nas análises, têm visto os estudos serem alvo de judicialização com a finalidade apenas de descredibilizar os seus trabalhos, já que os que dominaram o setor por muito tempo, como a empresa ‘Perspectiva Mercado e Opinião’, de propriedade de Durango Duarte, vêm perdendo espaço no mercado e, por isso, estão insatisfeitos.

Ameaças

Após a reunião ser marcada no TRE-AM, áudios do empresário e marketeiro gaúcho, Durango, em que ele faz ameaças ao presidente da Corte e ao Poder Judiciário do Amazonas, vazaram.

Em sua fala, o empresário, conhecido do estado por possuir diversos contratos com órgãos públicos, tenta fazer pressão para que o encontro no tribunal seja cancelado.

O empresário afirma que iria destruir a reunião e que denunciaria o desembargador por abuso de autoridade e conluio com estudos fraudulentos.

Nos trechos dos áudios, Durango diz ao responsável pela comunicação do órgão a seguinte frase: “Orienta o teu presidente a não fazer o que ele quer fazer no próximo dia 17, às 15h30, vocês vão levar o Tribunal ao ridículo e eu vou para a reunião e vou desmascarar tudo”.

Ele diz, ainda, que se a reunião acontecer, será uma “besteira” e que irá gravar um vídeo e dizer em nome do presidente do Tribunal Regional Eleitoral que ele está criando um cenário para favorecer os fraudadores. “É surreal. Eu vou destruir essa reunião, vou mostrar provas, vocês não queiram fazer essa reunião”, diz ele em tom de ameaça, em outro momento do áudio.

O diálogo circulou nas redes sociais e em grupos de aplicativos de conversa na quarta-feira (10) e, no mesmo dia, após a repercussão, o dono da Perspectiva publicou em seu perfil no Instagram uma ‘Nota de Desagravo’, em que ele se dirige ao presidente da Corte Eleitoral pedindo sinceras desculpas pelas palavras, afirmando também que em nenhum momento teve a intenção de ameaçar ou desrespeitar o presidente do TRE-AM.

Manipulação

Uma das realidades do ramo de pesquisas eleitorais é que existe o benefício para aquele candidato que solicita a análise, ou seja, o interessado paga o estudo e os resultados, muitas vezes, o favorece, demonstrando a manipulação dos números divulgados para a população, na tentativa de influenciar os cidadãos na hora do voto.

Atualmente, mais institutos de pesquisas estão atuando em Manaus, o que faz com que existam análises conforme o ‘gosto do freguês’, o que tem sido uma das justificativas para o elevado número de ações contra algumas dessas empresas.

Erros

Sobre o assunto, a reportagem do Portal AM1 ouviu alguns empresários e pesquisadores responsáveis por institutos de pesquisas no Amazonas.

Dentre eles, conversamos com Afrânio Soares, diretor-presidente da ‘Action Pesquisas de Mercado’, que atua no segmento desde o ano de 2002.

O especialista destacou que a estatística é uma ciência que possui preceitos e normas, além de ser preventiva. Ele argumentou, que um erro de digitação, por exemplo, em um, dois ou três questionários num universo de mil ou mais não é suficiente para invalidar a pesquisa ou para torná-la fraudulenta.

“A estatística é uma ciência, os julgamentos desses processos precisam ser analisados em conjunto, porque se não forem, parece que se constrói um cenário em que uma questão pequena vira algo gigantesco. Pelo menos, nos casos que vi dos institutos que tiveram pesquisas suspensas, que não foi o nosso caso, porque não tivemos nenhuma suspensa, em alguns casos, eu considero, sinceramente, irrelevante”, frisou.

Soares destacou que a reunião do TRE deve estreitar os laços com a Corte e juízes para terem mais informações de fontes confiáveis como, por exemplo, do Conselho Regional de Estatística (Confe) para analisar os processos que têm se avolumado este ano, com a tentativa de discutir metodologias de forma rasa e estatísticas sem consistência e fundamento, segundo ele.

“Nós aqui da Action não vemos problema nenhum em sermos auditados, como já fomos muitas vezes. Nunca houve um tipo de auditoria que veio com uma tentativa de desmoralizar as pesquisas, com a tentativa de parecer que existiram falhas nelas”, comentou.

 Alarde

A nossa equipe de reportagem também conversou com João Alves que é gestor do Instituto de Pesquisas do Norte (IPEN) e professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O Ipen está no mercado desde 1997 e, este ano, ganhou um maior destaque na mídia ao fazer uma parceria com um grupo de sites de notícias de Manaus para realizar uma pesquisa que analisa o cenário da disputa à prefeitura da capital.

Para o professor, a reunião no Tribunal Eleitoral será valiosa, tanto para os institutos, quanto para os partidos, para o pleito e o mercado. O especialista disse, ainda, que o momento servirá para esclarecer muitas coisas, principalmente, algumas opiniões veiculadas que não são reais.

“Há uma tentativa de prejudicar o trabalho de institutos lançando na mídia que os mesmos são fraudulentos. Sabemos quem é que está fazendo todo esse alarde (atitude exibicionista, comportamento de fanfarrão). Os partidos têm que entender que hoje um candidato está bem melhor nas pesquisas, amanhã pode ser outro”, disse.

João afirmou também que, sempre fez o seu trabalho da melhor maneira possível, sem prejudicar ninguém e sem procurar ‘mídia’.

“Esse ano ficamos mais conhecidos, porque um grupo de portais nos contratou e criou essa visibilidade, mas seguimos há quase três décadas fazendo um trabalho reconhecido nesse estado”, concluiu o gestor.

 

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