Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

David Almeida aposta em Bolsa de Carbono para ‘valorizar a floresta’

Prefeito de Manaus afirma que iniciativa reforça bioeconomia e combate às queimadas.

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(Foto: Divulgação/ Prefeitura de Manaus)

Manaus (AM) – A capital amazonense deu início a um projeto inédito no País para a criação da Bolsa de Créditos de Carbono da Amazônia, iniciativa que pretende transformar a cidade em um centro climático de referência no Hemisfério Sul.

O plano, desenvolvido em parceria com o Banco Mundial, tem como objetivo mobilizar US$ 500 milhões até 2028, por meio da verificação e comercialização de créditos gerados a partir da preservação ambiental e de ações sustentáveis no município.

O prefeito David Almeida falou à imprensa sobre o projeto que visa estruturar mecanismos que permitam gerar receita a partir das áreas preservadas de Manaus. Segundo ele, a iniciativa reúne ações voltadas à bioeconomia, reflorestamento, saneamento básico, gestão de resíduos, eficiência energética e transporte de baixo carbono. Essas medidas serão incorporadas ao Plano Municipal de Bioeconomia, com lançamento previsto para 2026.

Além de promover investimentos verdes, Manaus aposta no uso de tecnologia de monitoramento ambiental, como drones para detecção de queimadas, e na regularização de terras como forma de inclusão social e fortalecimento da economia local.

“Nós estamos usando a tecnologia de drones avançados para que a gente possa fazer o monitoramento de queimadas na cidade. Esse ano praticamente zerou o número de queimadas em Manaus, bem diferente daquilo que a gente via em anos anteriores”, afirmou o prefeito David Almeida em entrevista à CNN.

Especialistas apontam que a criação de uma bolsa de créditos na Amazônia pode reposicionar Manaus na agenda climática global, desde que o processo seja conduzido com transparência, governança e participação das comunidades locais.

Com o apoio internacional e o avanço do mercado de carbono no Brasil, Manaus busca mostrar que desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem caminhar juntos.

Em entrevista ao Portal AM1, a ambientalista Fabiana Rocha explica que a criação da Bolsa de Créditos de Carbono da Amazônia representa um passo importante na estruturação de instrumentos de mercado voltados à valorização da floresta e à remuneração de práticas sustentáveis.

“A gente está criando um instrumento de mercado que é capaz de valorizar a floresta em pé, remunerar as práticas sustentáveis, principalmente quando você fala de comunidades tradicionais. Entretanto, para que essa iniciativa tenha sucesso de maneira geral, a gente depende de uma estrutura real de governança, de transparência, de rastreabilidade dos créditos que vão ser gerados”, afirma Fabiana.

A ambientalista destaca que ainda há desafios estruturais a serem enfrentados, como a falta de dados consolidados sobre emissões, cobertura do solo e inventário florestal, além da necessidade de modelos claros de repartição de benefícios com as comunidades que atuam na conservação da floresta.

De acordo com Fabiana, a consolidação desse mercado também depende da integração entre políticas ambientais e instrumentos de planejamento urbano e territorial, de modo a garantir que os resultados da iniciativa sejam consistentes e distribuídos de forma equilibrada na região.

O anúncio da criação da Bolsa de Créditos de Carbono da Amazônia ocorre às vésperas da COP-30, em Belém, e se soma a outras iniciativas recentes no setor. O mercado brasileiro de carbono tem ganhado força desde a regulamentação pela Lei 15.042, sancionada em 2024, que estabelece diretrizes para a criação, emissão e negociação desses créditos no país.

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