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De Amazonino a David Almeida: Trairi fatura R$ 61 mi retirando lixo dos igarapés

A empresa Trairi Comércio de Derivados de Petróleo, inclusive, é uma das empresas citadas por Omar Aziz, semanas atrás, que possuem supostas irregularidades em contratações públicas no Amazonas
Juliana Siqueira – Portal AM1
• Publicado em 01 de agosto de 2021 – 08:00
Prefeitura renova contrato com empresa que já faturou R$ 61 milhões desde 2012
Foto: Divulgação

Manaus/AM – A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), que é comandada pelo ex-deputado estadual Sabá Reis, renovou, por mais 12 meses, um contrato milionário para fazer o serviço de coleta de lixo às margens dos igarapés da capital. O aditivo custará R$ 9.651.023,64 e quem levará essa bolada milionária é a empresa Trairi Comércio de Derivados de Petróleo Ltda, responsável pelos trabalhos.

A renovação contratual garante o serviço até junho de 2022. A empresa, entretanto, vem realizando o trabalho de coleta de lixo na beira dos igarapés de Manaus desde 2012, ano em que a cidade era comandada pelo ex-prefeito Amazonino Mendes. Ao todo, a Prefeitura de Manaus já desembolsou mais de R$ 61 milhões para a Trairi Comércio de Derivados de Petróleo Ltda.

Foto: Márcio Silva/Portal AM1
Foto: Márcio Silva/Portal AM1
Foto: Márcio Silva/Portal AM1
Foto: Márcio Silva/Portal AM1

O contrato principal, e que está sendo renovado neste ano, foi firmado em junho de 2019 com encerramento em junho de 2020, ou seja, na gestão do ex-prefeito Arthur Neto (PSDB). Em 2020, este foi renovado por mais 12 meses, e encerraria no mês passado. O tucano, portanto, pagou R$ 19,3 milhões para a empresa. Os documentos estão com assinatura do então secretário da Semulsp, Paulo Ricardo Rocha Farias.

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Já neste ano, na gestão de David Almeida, o mesmo contrato foi renovado, no mês passado, pelo subsecretário da Semulsp Altervi Moreira, por mais R$ 9.651.023,64. Com isso, o valor já gasto com a Trairi, só neste contrato, salta para R$ 28,9 milhões.

O ato de renovar o contrato vai na contramão do que prometia David Almeida na sua campanha eleitoral em 2020 e no início do mandato em 2021. Antes de tomar posse, ele chegou a pedir ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) a suspensão de licitações, pregões, aditivos e leilões não essenciais abertos na gestão de Arthur Neto, e que ultrapassavam o mandato do ex-gestor.

Primeiro contrato

A empresa Trairi foi contratada pela primeira vez, conforme os dados do Portal da Transparência de Manaus, em dezembro de 2012, no fim da gestão de Amazonino Mendes. O ex-prefeito deixou o contrato 004/2012 de R$ 6,3 milhões amarrado para a gestão do seu sucessor, Arthur Neto. Documento foi assinado pelo então secretário da Semulsp, Túlio Cáceres Kniphoff.

“Objeto: Prestação de serviço de remoção de entulho com a utilização de 02 empurradores, 02 balsas, 02 escavadeiras hidráulicas e 10 botes com motores de popa para atender às atividades de coleta de lixo nas margens dos rios e igarapés circunscritos ao Município de Manaus”, diz o contrato.

De dezembro de 2012 até novembro de 2017, este mesmo contrato foi renovado oito vezes, conforme consta no Portal da Transparência, resultando num total de R$ 29.925.000,00 pago à empresa Trairi. Todos os documentos foram assinados pelo ex-secretário Paulo Ricardo Farias, na gestão de Arthur Neto.

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Contratos sem aditivo

Embora não tenha ocorrido outros aditivos do contrato citado acima, consta no Portal da Transparência um segundo contrato de nº 008/2017, que foi firmado justamente após o encerramento do negócio anterior, em dezembro de 2017. Com duração de apenas três meses, encerrando em março de 2018, o contrato custou R$ 1.338.750,00 para o mesmo serviço.

Já em fevereiro de 2018, houve um aditivo, assinado pelo secretário Paulo Ricardo, por mais 90 dias, cerca de três meses, e pelo mesmo valor de R$ 1.338.750,00.

O documento não registrou mais aditivos. Mas, vale destacar que ao longo de 2018, foram registrados outros dois contratos diferentes e cada um no valor de R$ 4.747.870,92. O primeiro, de nº 002/2018, por cinco meses, e o segundo, de nº 006/2018, por seis meses. Somando, o total pago à empresa por esses dois contratos chegou a R$ 9,4 milhões.

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Esses contratos citados são anteriores ao que está sendo aditivado neste ano pela gestão de David Almeida. Ao todo, a Prefeitura de Manaus já pagou R$ 61.400.289,12 para a Trairi Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. Com a renovação atual, que vai durar até 2022, este valor sobe para R$ 71.051.312,76.

Empresa

Ao longo desses anos, quem vem lucrando com os contratos firmados pela Prefeitura de Manaus são os empresários Maria Celeste Sales e Humberto Lucio de Sales, que são os donos da Trairi Comercio de Derivados de Petróleo Ltda, conforme consta no cadastro da empresa no site da Receita Federal. Humberto Sales é quem aparece assinando os inúmeros contratos.

O estabelecimento, que atende pelo nome fantasia Posto Castelinho e fica localizado no bairro Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus, funciona desde 2001. Atualmente, a firma registra um capital social de R$ 15 milhões.

O principal tipo de serviço da empresa, conforme a Receita Federal, é o comércio varejista de combustíveis para veículos automotores, além de outras 53 atividades secundárias.

Empresa citada na CPI

A empresa Trairi, aliás, foi umas das 12 firmas citadas pelo senador Omar Aziz (PSD), durante depoimento do deputado estadual Fausto Jr (MDB) no início de julho na CPI da Covid, que teriam recebido, em dois anos, cerca de R$ 500 milhões em contratos com a administração pública no estado. As empresas deverão ser investigadas pela CPI, que, neste momento, está em recesso.

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Na ocasião, o deputado Fausto foi interrogado sobre os trabalhos na CPI da Saúde, realizada em Manaus, no meio do ano passado. A lista de empresas foi citada após Fausto evitar dizer por que não houve indiciamento do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), ao final das investigações.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz, insinuou, ainda, possível ligação entre essas empresas e o deputado Fausto Jr, uma vez que o parlamentar teria apresentado um crescimento patrimonial. Aziz chegou a dizer que vai pedir a quebra de sigilo bancário das empresas. 

Outro lado

A reportagem do Portal Amazonas1 entrou em contato com a Semulsp e questionou quanto de lixo já foi retirado dos igarapés neste ano, além de uma lista de quantos e quais igarapés da capital são atendidos pelos serviços da Trairi. A reportagem também questionou por que a Semulsp renovou um contrato da gestão passada em vez de realizar nova licitação para obter novas propostas e homologar a mais vantajosa para a pasta.

Porém, não houve retorno às perguntas enviadas por e-mail até a publicação da matéria.

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