(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Um grupo de 25 deputados democratas enviou uma carta ao governo de Donald Trump pedindo que o Departamento de Estado explique seu papel na viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. A carta foi obtida pela CNN Brasil.
Segundo os parlamentares, o povo americano e o Congresso têm o direito de saber se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de um político estrangeiro. Eles destacam que o caso envolve um processo judicial no Brasil, relações bilaterais delicadas e a aplicação das regras de imigração americanas.
A pergunta central é esta: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou outra agência americana ajudou o senador a viajar ou a entrar no país, mesmo com a restrição imposta pela Justiça brasileira? A viagem a Miami ocorreu depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que Flávio entregasse seus passaportes.
Os democratas também se preocuparam com uma informação, confirmada pela CNN Brasil na terça-feira (27), de que um alto funcionário do Departamento de Estado teria dito que os EUA concederiam vistos ao senador e à família. Para o grupo, isso é especialmente preocupante.
A carta traz 15 perguntas. Entre elas: quando o governo americano soube da decisão do STF, se houve emissão ou aceleração de vistos, se houve contato com o senador ou seus assessores e se as investigações criminais contra ele foram consideradas. Os deputados pedem respostas por escrito até 13 de novembro.
A iniciativa partiu das deputadas Sydney Kamlager-Dove (Califórnia) e Dina Titus (Nevada). Entre os signatários estão oito membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Vinte e um dos 25 estão concorrendo à reeleição, em uma eleição em que todas as 435 cadeiras da Câmara estão em disputa, no dia 3 de novembro.
O senador já havia dito publicamente que ficaria no Brasil para responder às acusações, o que dá peso à saída repentina. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha, a decisão foi mantida em sigilo, e até pessoas próximas a Flávio foram pegas de surpresa. Nos bastidores, a saída é chamada de fuga, num momento de máxima tensão, com novas medidas judiciais contra integrantes da família Bolsonaro no horizonte.
LEIA MAIS:





