(Foto: Celso Maia/Portal AM1)
Manaus (AM) – Enquanto Manaus concentra grande parte da atividade econômica do Amazonas, o interior do estado segue à margem do desenvolvimento. Dados de 2021 mostram que a capital sozinha respondeu por 78,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, reflexo direto da presença do Polo Industrial de Manaus (PIM). Essa centralização, embora garanta arrecadação expressiva ao poder público, gera dependência crônica da indústria e limita a expansão de outras atividades econômicas no interior.
A economista Denise Kassama destaca que a dimensão territorial do Amazonas, o maior estado do Brasil, é ao mesmo tempo motivo de orgulho e um entrave para o crescimento fora da capital.
“O maior orgulho do estado de Amazonas é também o maior desafio, a maior dificuldade. Somos o maior estado do território brasileiro em termos de dimensões territoriais e esse também é o nosso principal entrave em termos de desenvolvimento do interior”, disse a especialista.
Essa realidade se traduz em obstáculos logísticos severos. A maior parte dos municípios não conta com rodovias ou ferrovias; os rios funcionam como as principais “estradas”, mas também impõem barreiras. Durante o período de seca, por exemplo, os níveis dos rios caem drasticamente, dificultando ou até impossibilitando a navegação de embarcações maiores. Isso compromete tanto o escoamento da produção agrícola — como farinha e tambaqui — quanto o transporte de insumos para o Polo Industrial de Manaus.
Além do impacto econômico, há reflexos sociais graves: populações ribeirinhas sofrem com a falta de alimentos, combustíveis, medicamentos e até de água potável. Nesses períodos, o governo monta forças-tarefa emergenciais para abastecer comunidades isoladas.
“Os municípios possuem dimensão territorial muito grande e a maior parte do nosso interior não é abastecida por estradas, mas por rio ou por terra. Então, em determinados municípios, um ribeirinho que tem uma roça no limite precisa de dois, três dias para chegar até a sede. Isso dificulta a atividade econômica. Muitas vezes, quando a produção agrícola chega a Manaus, já está estragada”, afirma.
Outro fator apontado pela economista é a “acomodação” do poder público em função da arrecadação expressiva garantida pelo polo industrial. Essa dependência, segundo ela, acaba desestimulando políticas estruturantes para desenvolver o interior.
“A dependência do polo industrial causa uma acomodação do poder público, já que ele tem uma arrecadação fiscal muito grande. Não é à toa que o nosso tambaqui vem de Rondônia e a nossa banana de Roraima. Falta um canal logístico competente para escoar a produção”, frisa.
Se por um lado os desafios logísticos e a concentração em Manaus criam gargalos, por outro há potenciais a serem explorados. Entre eles, Kassama destaca o turismo, que pode crescer tanto na capital quanto no interior, e a agricultura voltada para produtos típicos da Amazônia.
Várias comunidades ficam praticamente isoladas no período da seca – (Foto: Antônio Mendes/Portal Am1)
“Hoje já não se fala mais em alternativa à Zona Franca de Manaus, e sim em possibilidades, em potencialidades que possam diminuir a dependência. O turismo é um setor que pode crescer, assim como produções agrícolas típicas da Amazônia. Mas é complicado replicar modelos de outras regiões, porque nossas características são únicas”, acrescentou.
Apesar de experiências pontuais em alguns municípios próximos da Região Metropolitana de Manaus, a realidade do interior distante segue desafiadora. Longas distâncias, infraestrutura precária e a instabilidade dos rios impedem que se crie uma rede de integração produtiva.
“Viajar de município para município no Amazonas é diferente até do que ocorre no Pará, que tem mais estradas do que nós. É outro território, é o estado da Amazônia”, pontuou.
Números do governo
Em maio deste ano, o governador Wilson Lima divulgou que o Amazonas registrou crescimento em seus principais indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB), que teve um crescimento de 56%, além da geração de empregos formais no Polo Industrial de Manaus (PIM) e o bom desempenho da arrecadação estadual.
De acordo com o governador, o crescimento de indicadores econômicos e geração de empregos formais são reflexos de ações do Governo do Estado voltadas ao fortalecimento da economia no Amazonas.
“De 2019 para cá, a gente teve um crescimento significativo do nosso PIB, que você não encontra em qualquer região do Brasil. A quantidade de empregos formais, que no Distrito Industrial em 2020 era de 94 mil, hoje está com média de 130 mil pessoas com carteiras assinadas. Isso é resultado do que a gente tem feito, ações que nos colocam no caminho certo do desenvolvimento econômico, da geração de emprego e renda para as pessoas”, afirmou o governador durante solenidade de assinatura do Termo de Credenciamento de empresas da construção civil para o Programa Amazonas Meu Lar.
LEIA MAIS:







