(Foto: Divulgação /depositphotos Vejaa)
Manaus (AM) – O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido cada vez mais diagnosticado, inclusive em adultos. Ao mesmo tempo em que as redes sociais ajudam a ampliar a conscientização, especialistas alertam para os riscos de autodiagnósticos e da banalização da condição. O tema ganha destaque no Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril e instituído pela Organização das Nações Unidas.
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta comunicação, interação social e comportamento. Segundo a neurocientista Anita Brito, o autismo não é adquirido ao longo da vida: a pessoa já nasce autista, sem uma causa única ou cura definida. Fatores genéticos e ambientais podem estar envolvidos, mas não há relação com falta de estímulo ou negligência familiar.
O diagnóstico é clínico e feito por especialistas, com base na observação do comportamento e no histórico do paciente. No Brasil, os critérios seguem o DSM-5, manual internacional que orienta a identificação do transtorno. Em adultos, o processo tende a ser mais complexo, já que envolve resgatar a infância e considerar estratégias de adaptação social.
Atualmente, o autismo é classificado em três níveis de suporte, que indicam o grau de apoio necessário — do nível 1 (menor suporte) ao nível 3 (maior necessidade de assistência). Especialistas evitam termos como “leve”, por poderem minimizar as necessidades reais das pessoas autistas.
Entre as características mais comuns estão dificuldades na socialização, interesses intensos e específicos (hiperfocos), além de comportamentos repetitivos. Diferente de outros transtornos, essas repetições costumam gerar prazer, não angústia.
O tratamento é multidisciplinar e busca desenvolver autonomia, comunicação e habilidades sociais. Embora não haja cura, intervenções precoces podem melhorar significativamente a qualidade de vida.
No Brasil, o acesso ao diagnóstico e tratamento pode começar pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento para centros especializados. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o país tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA — 1,2% da população.
A legislação brasileira reconhece o autismo como deficiência, garantindo direitos como atendimento prioritário e acesso a políticas públicas. A conscientização, aliada à informação de qualidade, é essencial para combater o preconceito e promover inclusão.
LEIA MAIS:
- Mulheres lideram cuidados no autismo, aponta pesquisa
- Governo do AM reforça ações no mês do autismo
- Hapvida realiza palestra sobre seletividade alimentar e autismo em Manaus



