Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Direita no AM tenta se reorganizar e medir força sem Bolsonaro

As prisões que atingiram lideranças nacionais, os conflitos internos e o desgaste de nomes tradicionais abriram um período de incertezas.

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(Foto:Divulgação)

Manaus (AM)A direita amazonense atravessa um dos momentos mais delicados desde a ascensão do bolsonarismo no Estado. As prisões que atingiram lideranças nacionais, os conflitos internos e o desgaste de nomes tradicionais abriram um período de incertezas e reposicionamentos, especialmente agora que o ex-presidente, Jair Bolsonaro, está preso e impedido de atuar fisicamente na campanha, e não deverá vir ao Amazonas para lançar candidatos, como sempre fez.

Mesmo assim, o campo conservador segue longe de estar esvaziado. Essa é a avaliação de cientistas políticos ouvidos, que analisam o impacto da ausência de Bolsonaro, o papel de seus filhos, e o potencial dos principais nomes locais, como Maria do Carmo (PSC), Capitão Alberto Neto (PL), Alfredo Nascimento (PL) e do próprio governador Wilson Lima (União Brasil), que tenta se consolidar como o nome mais forte da direita no Amazonas.

Bolsonarismo enfraquecido, mas ainda influente

Para o cientista político, Afrânio Soares**, não há dúvida de que o grupo mais ligado ao ex-presidente enfrenta uma crise, mas isso não significa perda total de influência:

 “Ao meu ver, a direita bolsonarista está enfraquecendo, porém, não está morta. Tem um grande poder de influência, e mesmo preso, Bolsonaro ainda pode influenciar nessas eleições, porque existe uma parte que lhe é fiel e votaria em quem ele indicasse.”

Afrânio acredita que a ausência física do ex-presidente será compensada por um porta-voz da própria família:

 “Imagino que um dos seus filhos, provavelmente o Flávio Bolsonaro, assuma o papel de apoiador e indicador de candidaturas. O Eduardo não pode entrar no Brasil, o Carlos não tem o carisma e vai disputar o Senado por Santa Catarina.”

Direita maior que o bolsonarismo

Já o cientista político, Helso do Carmo ponderou que a ausência de Bolsonaro nos palanques será sentida, mas alerta que reduzir a direita ao bolsonarismo é um erro analítico:

“Com certeza a ausência dele será sentida. Ele tem a capacidade de reunir centenas de milhares de pessoas. Mas a direita vai muito além do que o ex-presidente apoia.”

Helso lembra que, dos atuais oito deputados federais do Amazonas, todos transitam dentro da direita, mas apenas Alberto Neto é diretamente ligado ao bolsonarismo.

 “A direita é imensa, e o bolsonarismo é apenas uma parte dela, talvez até minoritária.”

Reorganização em curso: quem ganha força?

Com Bolsonaro fora dos palanques, o tabuleiro da direita no Amazonas se reorganiza e os especialista anunciaram o possível cenário: 

1. Wilson Lima

  • Surge como um dos principais beneficiados.
  • Mantém alta capilaridade política e tenta se posicionar como liderança natural da direita regional.
  • Busca aproximação com o eleitor conservador e com setores bolsonaristas.

2. Maria do Carmo

  • Nome preferido de parte do núcleo bolsonarista.
  • Deve ganhar mais visibilidade com um possível apoio formal da família Bolsonaro.

3. Capitão Alberto Neto

  • Único deputado federal do Amazonas com vínculo direto ao bolsonarismo.
  • Pode herdar boa parte do apoio emocional do eleitor fiel a Bolsonaro.
  • Se fortalece como candidato ao Senado, especialmente sem concorrentes “ungidos” por Bolsonaro presencialmente.

4. Alfredo Nascimento

  • Apesar de tradicional e influente, não recebeu, até agora, manifestação pública de apoio do ex-presidente.
  • Disputa espaço dentro do PL local, que passa por reacomodação interna.

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