(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Manaus (AM) – A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado (22), vai causar efeitos políticos imediatos no Amazonas e deve redesenhar o cenário da direita no Estado. Para o sociólogo Luiz Antônio, o episódio representa uma “libertação” para parte da direita amazonense, enquanto o cientista político Helso Ribeiro avalia que a ausência de Bolsonaro na campanha eleitoral deve obrigar os aliados a reorganizarem estratégias e disputarem espaço dentro do próprio bolsonarismo.
Segundo o sociólogo Luiz Antônio, a extrema direita no estado continuará atuante, mas viverá um período de adaptação. “Será um bolsonarismo sem Bolsonaro”, disse. Ele defende que o grupo sempre marchou sob a influência direta do ex-presidente, tanto em posicionamentos políticos quanto na condução de pautas sensíveis no Amazonas.
“É uma espécie de libertação para a extrema direita do Amazonas, que continuará militando, mas agora sem Bolsonaro. É preciso lembrar que muitos desses aliados marcharam com ele inclusive no período mais crítico da pandemia, quando o negacionismo custou milhares de vidas no Estado”, afirmou.
Luiz Antônio ressalta que a prisão, embora traga impacto nacional, tem reflexos diretos no estado, especialmente entre parlamentares e apoiadores que construíram suas carreiras políticas ancoradas na imagem de Bolsonaro. Segundo ele, a ausência do ex-presidente deve provocar disputas internas por liderança e reposicionamento de forças.
Reorganização
Apesar de considerar “uma pena que o Brasil tenha que prender um ex-presidente”, o sociólogo afirma que Bolsonaro responde por “atos graves contra a democracia” e por decisões que afetaram diretamente o Amazonas. Ele cita a condução do enfrentamento à pandemia, os índices de mortes no estado e a falta de investimentos federais na região durante sua gestão.
Já o cientista político Helso Ribeiro destaca que a prisão deve alterar o ritmo e o discurso da campanha eleitoral no Amazonas, que começa oficialmente em dez meses. Ele afirma que os aliados do ex-presidente devem intensificar a narrativa de “perseguição” para tentar unificar os 30% mais fiéis do eleitorado bolsonarista, enquanto outras lideranças da direita e extrema direita tentarão ocupar o vácuo deixado pela ausência de Bolsonaro.
“A impossibilidade do ex-presidente vir ao Amazonas enfraquece a mobilização direta, mas seus aliados vão usar a prisão para reforçar a ideia de injustiça. Os mais fiéis, que representam algo em torno de 30% dos eleitores dele, devem se unir ainda mais. A observação agora será essencial para entender o impacto real disso na campanha”, avaliou.
O especialista aponta que outras lideranças da direita e da extrema direita estão atentas ao vácuo deixado pela ausência de Bolsonaro e devem tentar ocupar esse espaço. Segundo ele, será necessário observar com cuidado como essa reorganização afetará a disputa eleitoral.
“A gente vai ter que dar tempo ao tempo e analisar até que ponto isso vai influenciar na campanha”, completou.
Para ambos os especialistas, o cenário político local entra em uma fase de tensão e reacomodação, com a direita amazonense buscando manter força mesmo diante da ausência dA principal liderança.
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