Hemodiálise. (Foto: Divulgação/MS)
Brasil – A doença renal crônica (DRC) afeta mais de 20 milhões de brasileiros, cerca de 10% da população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Em 2024, mais de 170 mil pessoas dependiam de terapia renal substitutiva, de acordo com o Censo Brasileiro de Diálise.
Esse número, porém, pode estar abaixo da realidade. Um estudo realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná aponta falhas no diagnóstico precoce da doença, principalmente entre pessoas com maior risco, como pacientes com diabetes e hipertensão.
A pesquisa analisou mais de 14 mil pessoas para verificar a frequência de dois exames usados na identificação da DRC: a dosagem de creatinina no sangue e o teste de albuminúria, que verifica a presença de proteína na urina.
Os resultados mostraram que os exames ainda são pouco solicitados. Entre os participantes que fizeram o teste de creatinina, menos de 5% também realizaram o exame de albuminúria. Mesmo após uma campanha nacional de rastreamento, esse índice ficou abaixo de 7%.
Segundo os pesquisadores, a baixa realização dos dois exames em conjunto pode fazer com que casos da doença não sejam identificados nos estágios iniciais. Como a DRC geralmente não apresenta sintomas no começo, o diagnóstico pode ocorrer apenas quando a função dos rins já está comprometida.
Impactos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040.
O diagnóstico precoce permite adotar medidas para preservar a função dos rins, reduzir complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade e a expectativa de vida. Em alguns casos, o acompanhamento adequado também pode retardar ou evitar a necessidade de diálise.
Publicado no Brazilian Journal of Nephrology, o estudo teve participação de pesquisadores ligados a instituições como a Universidade Estadual de Campinas, Escola Bahiana de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Arbor Research Collaborative for Health.
Principais fatores de risco
Segundo o Ministério da Saúde, estão entre os principais fatores associados à doença renal crônica:
- diabetes tipo 1 ou 2;
- hipertensão;
- idade avançada;
- obesidade;
- histórico de doenças cardiovasculares;
- histórico familiar de doença renal crônica;
- tabagismo;
- uso de medicamentos ou outras substâncias que podem afetar os rins.
A prevenção está relacionada principalmente ao controle desses fatores de risco. Manter diabetes e pressão arterial sob controle, evitar o tabagismo, cuidar do peso e acompanhar doenças cardiovasculares são medidas importantes para reduzir o risco de problemas renais.
(*) Com informações da Agência Brasil
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