Alessandro Bronze, Luís Mário Braga Bonates, Alberto Neto e Wilson Lima (Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – As chapas de dois candidatos ao Senado pelo Amazonas colocaram em posição estratégica empresários conhecidos pela influência nos bastidores do poder. Alessandro Bronze Toniza é o primeiro suplente de Capitão Alberto Neto (PL), enquanto Luís Mário Braga Bonates, o “Bonatinho”, ocupa a primeira suplência de Wilson Lima (União Brasil).
Alessandro Bronze construiu uma rede de negócios que alcança os setores portuário, imobiliário, financeiro e de participações empresariais. Registros públicos relacionam seu nome a empresas como OSS Participações, BRZ Participações, Ares Gestão Empresarial e Participações, DCBR Participações e Roadway Centro Comercial. Na DCBR, ligada à operação portuária, aparece como sócio-administrador ao lado de Carlos Antônio De Carli Filho. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 23,4 milhões.
A principal vitrine empresarial de Bronze é o Porto de Manaus, mas sua influência também foi associada a contratos milionários da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Reportagens e manifestações políticas apontaram o empresário como articulador de grupos com interesses em contratos da pasta.
Em 2004, Bronze foi citado no depoimento de um lobista à Polícia Federal como possível articulador de um movimento para influenciar nomeações na Receita Federal. Em 2013, teve bens bloqueados em uma ação de improbidade relacionada à venda de patrimônio da União no Porto de Manaus.
Na política, Bronze já disputou a vice-prefeitura de Manaus, em 2016, e agora adotou oficialmente o nome Alessandro Toniza.
Articulador dos pagamentos
Na chapa de Wilson Lima, o primeiro suplente é Luís Mário Braga Bonates, o Bonatinho. Empresário, bacharel em Direito e vice-presidente estadual do União Brasil, ele é filho de Louismar Bonates, ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas.
Bonatinho aparece ligado à LMB Restaurantes Ltda., responsável pela marca Dell’Angelo Shakes, e à Norte Press Gráfica Ltda., de nome fantasia Seven Entertainment, empresa do ramo gráfico e de entretenimento.
Durante o primeiro mandato de Wilson Lima, Bonatinho ocupou os cargos de secretário de Estado extraordinário, secretário executivo da Casa Civil e secretário de Projetos Especiais. Considerado um dos homens fortes do governo, circulava entre empresários, parlamentares, secretários e fornecedores do Estado. Relatos de bastidores atribuíam a ele influência sobre a liberação de alguns dos maiores pagamentos feitos pelo governo e sobre a interlocução com empresas que aguardavam repasses.
Da influência ao Senado
A primeira suplência não concede mandato imediato, foro privilegiado ou imunidade parlamentar.
Entretanto, se Alberto Neto ou Wilson Lima forem eleitos, seus respectivos primeiros suplentes também serão eleitos com a chapa. Bronze ou Bonatinho poderão assumir o Senado durante licenças e afastamentos temporários dos titulares ou ocupar definitivamente a cadeira em caso de renúncia, morte, cassação ou outra situação de vacância.
Na prática, dois personagens que durante anos atuaram longe das urnas e próximos dos centros de decisão poderão chegar ao Senado sem receber votos individualmente. A presença dos dois nas primeiras suplências revela o peso dos articuladores empresariais na montagem das chapas e transforma influência de bastidores em possibilidade concreta de poder institucional.
Embora o lobby — entendido como a defesa de interesses diante do poder público — não seja crime por si só, a proximidade entre negócios privados, contratos públicos, liberação de pagamentos e decisões políticas exige transparência.
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