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Manaus, AM – Em ano eleitoral, os políticos fazem de tudo para se promover, seja realizando ações que deveriam ter feito ao decorrer do mandato ou até mesmo “colando” em personalidades importantes. Entre os parlamentares, é comum buscar apoio de pessoas que tenham maior visibilidade no cenário político, no entanto, um aperto de mão e outro, pode acabar influenciando no resultado final das eleições.
Esse exemplo é muito comum na bancada de direita no Brasil, por exemplo, que tem como maior representante o presidente Jair Bolsonaro (PL). Como aconteceu nas eleições em 2018, Bolsonaro surgiu como uma solução para acabar com a corrupção no Brasil e uma novidade para os brasileiros que queriam uma nova política e, com ele, outros candidatos foram eleitos, principalmente os do Partido Social Liberal (PSL), ex-sigla do presidente.
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Embalados pelo sucesso do bolsonarismo na campanha de 2018, o PSL conseguiu eleger 52 deputados federais e se tornou a maior bancada da Câmara dos Deputados, atrás apenas do Partido dos Trabalhadores (PT), que elegeu 56 candidatos. Anteriormente, nas eleições de 2014, o antigo partido de Bolsonaro só tinha conseguido eleger um deputado federal.

Além disso, apesar de as pesquisas continuarem apontando uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições 2022, Bolsonaro vem crescendo com o passar do meses e diminuído a diferença de intenções de voto. Inclusive, uma pesquisa divulgada nessa semana, comprova que o chefe do Executivo é um dos políticos com maior popularidade nas redes sociais. Prova disso são as menções somente do mês de fevereiro, que de quatro milhões de publicações, Bolsonaro é citado em dois milhões de postagens.
Com esses fatores positivos para o presidente, seria impossível os políticos não tentarem um engajamento na popularidade de Bolsonaro. No Amazonas, por exemplo, o presidente conta com uma força de apoio dos políticos, que disputam “com unhas e dentes” quem será o preferido.
Amazonas ‘verde e amarelo’
Mesmo sabendo que os outros políticos tentam ocupar o lugar de favorito, o Coronel Alfredo Menezes (PL) é o braço direito de Bolsonaro no Amazonas. Com uma relação harmoniosa, os dois já protagonizaram momentos de amizade no eixo Manaus-Brasília. São amigos de 40 anos e compadres.
Além disso, ao se candidatar para as eleições de 2020, quando concorreu ao cargo de prefeito de Manaus, Menezes foi apoiado pelo próprio Bolsonaro. Inclusive, durante a campanha eleitoral, o político afirmou que era o único candidato para prefeito apoiado pelo chefe da República.
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Mesmo com a ajuda de peso de Bolsonaro, Menezes sequer conseguiu votos para disputar o cargo no segundo turno. Ele terminou as eleições em 5º lugar, com 110.805 votos válidos. Mas, a posição de Menezes não o impediu de continuar lutando.
Agora, o político vai tentar se eleger para um cargo no Senado Federal e segue os mesmos passos de Bolsonaro, além de receber o apoio do presidente. Com o chefe da República em um novo partido, Menezes não pensou duas vezes e se filiou na sigla que vai representar o bolsonarismo nas eleições deste ano.
E Menezes não foi o único político “obediente a Bolsonaro”. O deputado federal Alberto Neto (PL) também deu adeus ao Republicanos, partido do qual era filiado, para seguir o presidente em uma nova eleição. O Capitão Alberto Neto já é conhecido dos eleitores amazonenses e, inclusive, competiu com Menezes para ter o apoio da massa bolsonarista nas eleições para prefeito de Manaus, em 2020.

A relação entre o presidente e o deputado pode não ser tão firme quanto a de Menezes com Bolsonaro, porém, Alberto Neto faz parte da bancada de apoio ao governo federal na Câmara dos Deputados, ganhando força para aprovar projetos que são favoráveis para o governo Bolsonaro, além de ser contra ações da oposição na Casa Legislativa.
Alberto Neto também tentou conquistar o eleitorado conservador manauara, mas acabou ficando na sexta colocação, atrás de Menezes. Com os votos divididos com o rival que compartilha as mesmas ideologias, o deputado acumulou 76.576 votos válidos, com uma porcentagem de 7,95%.
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Se os dois candidatos se juntassem para disputar o pleito, a chapa bolsonarista teria o total de 187.381 votos – somando os votos válidos que os dois receberam nas urnas – e ultrapassariam o candidato José Ricardo (PT), que ficou em terceiro lugar, com 139 mil votos.
Concorrência a mil
Mas não são somente esses dois políticos que duelam para tentar a atenção dos apoiadores do presidente Bolsonaro. O deputado federal Silas Câmara (Republicanos) também é um dos parlamentares que se destacam em relação à lealdade ao presidente.
Próximo de Bolsonaro, o político aproveita todas as chance de se mostrar ao lado dele de formas inusitadas. Uma dessas maneiras foi uma selfie enquanto Bolsonaro estava na igreja em um momento particular. Silas registrou o momento com o presidente e, ainda por cima, de olhos fechados.

Além das selfies, Silas e Bolsonaro possuem uma relação considerada boa no cenário político. Os dois têm os encontros religiosos, mas Câmara também é um importante personagem na bancada evangélica e aliada ao governo federal em Brasília.
Entre as pausas na agenda, Bolsonaro conseguiu encontrar um espaço para participar de um evento religioso em Manaus. Sem compromissos oficiais, sem formalidade como Presidente da República, o político veio à capital amazonense a convite de Silas Câmara para um culto.
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Em Manaus, Bolsonaro participou de um encontro com mais de mil pastores evangélicos, além de marcar presença na Convenção das Assembleias de Deus no Brasil (CADB).
Cidadão amazonense
Mas a relação entre Bolsonaro e Manaus vai além de cultos religiosos e demonstração de lealdade. Em abril de 2021, o presidente foi homenageado com o Título de Cidadão Amazonense, projeto proposto pelo deputado Delegado Péricles (PSL).
Como justificativa, o parlamentar afirmou que Bolsonaro fez uma grande ação de combate contra a covid-19 no Amazonas, como a compra de vacinas e a transferência de recursos para o Estado e municípios.

Na cerimônia, Bolsonaro recebeu o título das mãos do deputado e do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade (PV). “Esse título é um reconhecimento da Parceria do governo federal com a cidade de Manaus. Obrigado, deputado Péricles, Assembleia Legislativa e a população a qual devemos toda a nossa lealdade. Agradeço a confiança em mim depositada”, disse o presidente em discurso.
Corrida eleitoral
Conforme o cientista político Carlos Santiago explicou ao Portal AM1, a imagem e parceria com o presidente conseguiu estabelecer uma imagem para parlamentares nos últimos anos, além de serem vistos como novas lideranças.
Com isso, “vários políticos que seguiram e continuam seguindo o presidente foram eleitos e seguem em função da imagem e da parceria com o presidente”. O cientista político ainda explicou que, é por essa razão, que existe uma “corrida” de políticos sem grandes referências buscando legendas próximas a de Bolsonaro.
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“Muitos serão eleitos, até porque o presidente possui uma legião de seguidores, mas outros não conseguirão o mesmo desempenho de 2018 e ficarão fora do Parlamento”, disse. Em relação às últimas eleições presidenciais, Santiago afirma que o discurso de patriotismo, segurança pública, antipetismo e desesperança do povo com a política, conseguiram eleger vários deputados federais, estaduais e governadores.

O cientista político ainda ressaltou que existe uma força no se que refere à mobilização de Bolsonaro e dos apoiadores, mas que nem todos os políticos próximos ao presidente conseguirão se eleger ou conseguirão um novo mandato.
Como exemplo, Santiago afirmou que o mesmo fenômeno aconteceu com ex-presidente Lula, que tem recebido apoio de políticos de outras siglas, o que não estava acontecendo nos últimos dois anos, quando ainda respondia por escândalos na Justiça.
“Agora, como ele está livre dos processos e também liderando a corrida presidencial, políticos de várias siglas estão cortejando o ex-presidente Lula. E, alguns políticos tradicionais, fora do campo de esquerda, estão apontando que irão coligar e até apoiar, mesmo sem coligação, a eleição de Lula para a presidência da República, tudo por que Lula representa, hoje, pelas pesquisas, a maioria da vontade popular”, pontuou.





