Foto: Raquel Miranda
O empresário Sérgio Roberto Melo Bringel, envolvido na Operação Maus Caminhos – que desarticulou um esquema criminoso que teria desviado recursos públicos da saúde no Amazonas – ganhou um contrato de mais de R$ 79,4 milhões para gerir um hospital de campanha montado em Brasília. A informação é do site Metrópoles.
Segundo a reportagem, o governo do Distrito Federal contratou a empresa Hospital e Serviços de Assistência Social sem Alojamento Ltda, cujo nome fantasia é Hospital Domiciliar do Brasil, que tem como sócio-administrador o empresário, por meio de dispensa de licitação, em razão da emergência da Covid-19.
A unidade de saúde vai gerir, pelo menos, 197 leitos do hospital de campanha que está sendo montado no Estádio Mané Garrincha. O extrato da contratação emergencial foi publicado no Diário Oficial do DF, na edição do dia 20 de abril deste ano.
Ainda de acordo com a matéria, a contratação “engloba locação de equipamentos, gerenciamento técnico, assistência médica multiprofissional de forma ininterrupta, manutenção e insumos necessários para funcionamento dos equipamentos e atendimento dos pacientes, com medicamentos, materiais e alimentação”.
A reportagem também lembrou que entre 2014 e 2016, uma das empresas de Sérgio Bringel, a Bioplus, foi contratada por R$ 8,3 milhões pelo Governo do Amazonas, no entanto, o Ministério Público Federal (MPF) não encontrou a comprovação dos serviços. O empresário acabou sendo denunciado, por crime de peculato na Operação Maus Caminhos, acusado de desviar R$ 1,3 milhão da saúde no Estado. Ele chegou a ser preso durante as investigações.
Além disso, Bringel é acusado de integrar a organização criminosa que desviava verba pública e realizava pagamento de propina a políticos.
O MPF também denunciou o empresário por dispensa indevida de licitação em favor da Bioplus. Porém, em fevereiro deste ano, a Justiça Federal absolveu o réu nesse processo. As demais ações continuam em curso.
Sem processo
Para contratar a empresa de Sérgio Bringel, a Secretaria de Saúde do DF alegou que apenas ela apresentou proposta e, depois de análise técnica e de preço, foi declarada vencedora. “A mesma não tem pendências junto aos órgãos controladores, de acordo com as exigências contratuais da SES”, segundo informações da reportagem.
Já o advogado de Bringel, Alberto Simonetti Cabral Neto, teria declarado que o empresário “foi envolvido indevidamente na Operação Maus Caminhos porque não há nos autos nenhum elemento indiciatório sequer que o coloque em qualquer cenário ilícito”. E destacou, ainda, que as ações penais não causam nenhum impedimento de contratar com qualquer ente público.
(*) Com informações do site Metrópoles





