(Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – Em meio a uma crise de confiança institucional e à aprovação pública em queda livre, o vereador Diego Afonso (União Brasil) embarcará nesta terça-feira (21) para Gramado (RS), com todas as despesas custeadas pela Câmara Municipal de Manaus. A viagem, formalizada pelas Portarias nº 084/2025 e nº 085/2025, foi publicada no Diário Oficial da CMM e inclui passagens aéreas mais quatro diárias.
A justificativa oficial é que Afonso representará o Legislativo municipal em um “Encontro Nacional de Gestores e Legislativos Municipais”. Mas o detalhe que incomoda: a Câmara, segundo levantamento recente, não goza de legitimidade junto à população.
Uma pesquisa do instituto Perspectiva Mercado e Opinião, divulgada em 20 de outubro de 2025, revela que 70,3% dos entrevistados afirmaram avaliar o desempenho da CMM como “Ruim” ou “Muito Ruim”; 49,0% disseram “Muito Ruim”, e 21,3% “Ruim”; 50,6% dos manauaras manifestaram o sentimento de desconfiança perante à instituição; apenas 2,6% declararam confiança.
No quesito transparência, 54% afirmaram que a CMM “nunca” é transparente em suas decisões ou gastos públicos. Outros 30,1% não opinaram. Na representatividade: 85,6% disseram não se sentir representados por nenhum vereador; 87,4% nunca procuraram um gabinete sequer para demandas.
A instituição que autoriza uma viagem como essa já opera sem respaldo popular. Com mais de dois terços da população avaliando mal o desempenho e uma maioria visível desconfiada, a iniciativa relativa à viagem do vereador adquire contornos de afronta ao bom senso.
Enquanto os índices apontam rejeição generalizada, a agenda da Câmara permanece volátil. Em paralelo ao levantamento, há notícia de que a Comissão de Justiça da própria CMM acumula 228 matérias em tramitação, revelando lentidão ou paralisação dentro do próprio legislativo.
Em um momento em que quase 96% da população nunca assistiu a uma sessão da CMM, seja presencialmente ou online, segundo levantamento e dado que 93,4% não sabem onde buscar informações sobre leis ou atividades da Casa autorizar viagens com diárias sem demonstrar retorno à sociedade torna-se não apenas questionável, mas quase inaceitável sob a ótica da prestação de contas democrática.
O custo político da ‘representação institucional’
Em teoria, um evento nacional, deslocamento, troca de experiências: plausível. Mas, no cenário real: a Câmara enfrenta crise de credibilidade. A população rejeita a atuação dos vereadores.
O custo — apesar de não explicitado publicamente neste momento — simboliza a priorização de deslocamentos sobre atuação local.
O vereador Diego Afonso, mesmo que bem intencionado, assume o débito coletivo de uma Casa que aparece à maioria como distante, pouco atuante e desconectada. Quando a instituição que banca a viagem é enxergada como irrelevante por 70% da população, a viagem deixa de ser “representação” e passa a ser “investimento controverso”.
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