Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Especial Dia das Mães: as vozes e desafios das mães solo

Por trás de cada mãe solo, há uma história de luta, desafios e amor incondicional.

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(Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Brasil – Neste Dia das Mães, o Portal AM1 compartilha as histórias reais de mulheres que enfrentam os desafios da maternidade solo com coragem, amor e resiliência. De diferentes partes do Brasil, essas mães revelam, em suas próprias palavras, os valores que transmitem a seus filhos, as dificuldades que enfrentam, e o que esperam da sociedade e do poder público para uma maternidade mais digna. Por trás de cada mãe solo, há uma história de luta, desafios e amor incondicional.

Rayana Miranda

Rayana Miranda nasceu em Manaus e foi criada em Manaquiri. Mudou-se para Manaus aos 15 anos e até os 18 trabalhou em lanchonetes e como babá. Hoje atua como vendedora no Polo Industrial de Manaus e é mãe de Alice Manuella, de 6 anos. Rayana foi vítima de violência doméstica pelo pai de sua filha e afirma que o acompanhamento da Lei Maria da Penha foi fundamental para sua libertação:

“Isso nos salvou com certeza.”

Ela ensina a filha a valorizar a educação e ser uma pessoa boa e consciente. Um dos principais desafios é encontrar tempo de qualidade com a filha: “Trabalho em horário comercial e nos fins de semana cuido da casa.”

Sobre o apoio da sociedade, afirma: “A sociedade geralmente admira, mas nem sempre tem empatia. Já o governo não dá muita atenção para mães como eu que trabalham.”

Sua principal rede de apoio é sua tia, Dorotéia Almeida, que cuida da filha desde os cinco meses de idade. “Ela me deu a segurança de sair para trabalhar.”

Rayana destaca que, sem rede de apoio, conciliar carreira e maternidade é impossível.

Embora atualmente esteja melhor financeiramente, ela lembra dos tempos em que teve que cortar a própria janta para garantir alimentação e fraldas para a filha. Para ela, políticas públicas que ofereçam mais creches e escolas de tempo integral são essenciais.

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(Foto: Arquivo pessoal)

Shaina Sousa

Shaina Sousa, de 23 anos, nasceu em Itapiranga (AM) e mudou-se ainda criança. Trabalhou como babá, vendedora e comerciante, e hoje está desempregada. É mãe de uma menina de 3 anos e nunca teve uma rede de apoio constante. “É um desafio que enfrento.” 

Ela diz que seus principais valores são honestidade, empatia e respeito ao próximo, ensinamentos herdados de sua criação. A insegurança nas escolas públicas e a ausência de apoio institucional são preocupações constantes.

Ela conta com ajuda ocasional da avó, do pai da criança e da madrinha, mas a jornada é solitária. Mesmo assim, sente orgulho ao ver o reconhecimento da filha: “Me joguei de cabeça na maternidade.”

Shaina também relata dificuldades financeiras, especialmente em momentos de doença, e aponta que políticas públicas devem considerar as mulheres que são as únicas provedoras da família.

(Foto: Arquivo pessoal)

Iasmin Castro

Iasmin Pereira Castro, 21 anos, mãe de Iago Uriel, de 5 anos, enfrentou a maternidade desde a adolescência e encontrou na rede de apoio familiar e na educação os pilares para criar o filho com dignidade e valores sólidos.

Desde cedo, Yasmin compreendeu a importância da educação na formação do caráter de Iago. Para ela, a base de tudo é o aprendizado, tanto em casa quanto na escola.

“A gente preza muito a educação, porque ele possa ser uma criança bastante inteligente, que absorva bastante conteúdo na escola, mas também que seja uma pessoa educada e tenha valores”, destaca.

O respeito também é um dos princípios que ela não abre mão.

“Meu filho tem dessas, né? Ele é assim. Onde chega dá bom dia, boa tarde, boa noite. Isso pra mim são valores de suma importância.”

Criar um filho sozinha nunca foi fácil, e Iasmin reconhece que a maternidade solo vem acompanhada de desafios diários.

“Por mais que seja a parte mais fundamental e importante, é a parte mais desafiadora que a gente tem diariamente, porque criar um filho não é nada fácil”, afirma.

A jovem precisou aprender a equilibrar maternidade, estudos e trabalho desde cedo. Hoje, ela atua como jornalista na Secretaria de Segurança Social Municipal na SEMSEG e concilia a profissão com o papel de mãe.

“Saber escolher o tipo de educação que você quer passar para o seu filho é muito importante e, ao mesmo tempo, é muito difícil.”

Apesar dos desafios, Iasmin conta com uma rede de apoio essencial, composta por seus pais, que sempre estiveram ao seu lado na criação de Iago.

“Minha mãe sempre ficou com meu filho para eu estudar, porque ela sabia que era necessário”, relembra. Para ela, ter um suporte familiar faz toda a diferença na jornada da maternidade solo.

O apoio do governo também tem sido um fator importante para Iasmin, que recebe benefícios como Bolsa Família e Auxílio Brasil.

“Eu tenho meu trabalho, mas sou estagiária, e esses auxílios me ajudam a garantir tudo o que meu filho precisa”, conta.

No entanto, ela reconhece que muitas mães não têm acesso a esses programas e que mais políticas públicas deveriam ser criadas para atender quem realmente necessita.

Ela segue determinada, sabendo que cada esforço é para garantir um futuro melhor para seu filho.

“Tudo que eu estou fazendo é para ele, tudo que eu estou fazendo é por todas as melhorias que ele possa ter na vida dele”, declara.

Seu relato reforça a necessidade de mais políticas públicas voltadas às mães solo, incluindo acesso facilitado a creches, benefícios como auxílio-moradia e maior visibilidade sobre os direitos dessas mulheres.

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(Foto: Arquivo pessoal)

Márcia Cardoso

Márcia Cardoso, de São Paulo, tem 46 anos e é mãe de Enzo, de 16 anos, e Vicenzo, de 15. Divorciada há 12 anos, ela trabalha de casa como empreendedora para cuidar dos filhos. Márcia destaca os valores cristãos e a importância da convivência familiar como base para a criação dos filhos. Ela relata que educar adolescentes atualmente é um grande desafio, especialmente em um cenário onde princípios e valores nem sempre são prioridade.

Sobre o apoio institucional, afirma: “Infelizmente não temos apoio. O Judiciário ainda é machista, e não somos vistas com respeito.”

Ela lamenta que, na maioria dos casos, não há suporte do pai das crianças, o que força as mães a escolher entre a carreira ou os filhos.

“Ser empreendedora também não é fácil, mas creio que Deus vem agindo mensalmente, porque sem ele, acredito que não daria conta.”

Márcia acredita que leis mais severas para genitores inadimplentes e programas de apoio à recolocação profissional seriam essenciais para melhorar a realidade das mães solo.

Paula Arcanjo

Paula Arcanjo (@mae_solo.oficial) nasceu em São Paulo e hoje mora em Minas Gerais. Mãe de dois filhos, um menino de 8 anos com autismo e um bebê de 1 ano e 6 meses com síndrome de Tourette, ela compartilha sua experiência como influenciadora digital, profissão que se adaptou à sua rotina. “Ensino meus filhos todos os dias sobre amor, paciência e respeito, não só para o mundo, mas principalmente para si mesmos.”

A rotina intensa de terapias e cuidados sem dividir as tarefas com um parceiro gera cansaço extremo, mas ela afirma: “O amor que recebo deles é o que me fortalece.”

Paula aponta a falta de apoio e informação da sociedade e do governo como grandes obstáculos. “O SUS demora, faltam profissionais, e muitas mães são abandonadas pelo sistema.”

Ela valoriza profundamente sua pequena rede de apoio. A maternidade atípica a ensinou a transformar dor em força. Sobre os custos elevados com terapias e medicamentos, ela conta: “Planejo cada centavo e conto com o trabalho nas redes sociais para gerar renda.”

Paula defende políticas públicas com diagnósticos precoces, apoio psicológico e creches adaptadas para crianças com deficiência.

Gabriele Soares

Gabriele Soares, do Rio Grande do Sul, tem 23 anos e é mãe de Yago, de 3 anos. Trabalha como auxiliar de atendimento em uma grande empresa. Ela conta que ser mãe nunca foi um plano, mas que tudo mudou ao ouvir o coração de seu filho pela primeira vez.

“Desde que ele nasceu, ele é meu companheiro, meu porto seguro.”

Para ela, é fundamental ensinar valores como respeito, empatia, responsabilidade e honestidade. Conciliar todas as responsabilidades sozinha é o maior desafio: cuidar da casa, do trabalho e ainda ter tempo de qualidade com o filho.

“A sobrecarga física e emocional é grande, e às vezes a solidão pesa.”

Gabriele reconhece a importância de uma rede de apoio, mesmo pequena, para ajudar e ouvir. Os desafios financeiros também são constantes:

“Manter todas as despesas com apenas uma renda é complicado. Desde alimentação, saúde, escola até imprevistos. Tento organizar bem meu orçamento, buscar alternativas de renda extra e fazer escolhas conscientes para não comprometer o essencial.”

Sobre conciliar carreira e maternidade, Gabriele diz que a função de mãe é insubstituível, e muitas vezes o esforço no trabalho não é reconhecido.

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(Foto: Arquivo pessoal)

Essas mães solo representam milhares de brasileiras que, todos os dias, equilibram responsabilidades, enfrentam limitações e criam seus filhos com amor, dignidade e força. Neste Dia das Mães, que seus relatos sirvam não apenas de homenagem, mas de reflexão e chamada à ação.

O Portal AM1 deseja a essas e outras mães um feliz Dia das Mães! Que esta data seja marcada pelo reconhecimento e gratidão àquelas que, com coragem e amor, dedicam suas vidas à criação de seus filhos, enfrentando desafios e superando obstáculos diariamente. Que cada mãe solo encontre força em sua jornada e receba o apoio necessário para seguir construindo um futuro melhor. Celebramos não apenas suas histórias, mas também seu papel fundamental na sociedade. Hoje e sempre, que todo carinho, respeito e admiração por essas mulheres extraordinárias sejam multiplicados!

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