O Ministério do Meio Ambiente alemão deixou de enviar R$ 150 milhões para a proteção da Amazônia devido ao crescimento do desmatamento da floresta. A decisão foi vista com tristeza por especialistas da área ambiental. “Infelizmente, temos um presidente que acha que controlando o sistema digestório da população é que vamos acabar com o desmatamento”, disse o biólogo Ismael Alexandre ao lamentar o bloqueio dos investimentos milionários dos alemães na proteção ambiental da Amazônia brasileira, anunciado neste sábado, 10.
O biólogo faz uma referência à declaração do presidente Jair Bolsonaro, disparada na sexta-feira, 9, à um repórter que o questionou sobre a preservação ambiental: “É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também”.
Esse comportamento do chefe da Nação brasileira encontra reforços nas redes sociais. Bastou alguns minutos da publicação sobre o corte no Facebook do Amazonas 1 que houve comentários de ódio ao país europeu: “Protege p* nenhuma. Tão acabando isso há 200 anos”, “Amazônia perde nada, quem perde são os parasitas das ONGs”, “Por isso que tem ambientalistas, artistas e políticos desesperados, acabou a teta papai”.
Para José Coutinho, engenheiro de meio ambiente, o Brasil saiu perdendo com a decisão da Alemanha, já que agora vai depender dos recursos financeiros internos para seguir com o trabalho de proteção. “Essa contribuição aplicada de forma correta contribui significativamente para diminuir as incidências sejam no desmatamento ou outros tipos de exploração ambiental”, completou. Ele também acredita que justamente porque os países europeus perderam suas florestas conhecem a “importância da preservação para a sobrevivência humana”.
Os desvios e a aplicação incorreta do dinheiro alemão também colaboraram para este desfecho, na visão de Ismael Alexandre. “Se o governo investisse, valorizasse e destinasse os recursos de forma correta aos órgãos de fiscalização ambiental seria o ideal”, indica o biólogo que sugere caber aos brasileiros exigir mais responsabilidade do governo na gestão ambiental.
Para tanto, é preciso “exigir de forma mais acirrada de nossos governantes leis ambientais mais atualizadas, realizar a agricultura de forma mais racional e deixar de transformar a Amazônia em pasto”, diz.
O corte anunciado pelo ministério alemão não atinge do Fundo Amazônia e nem os projetos financiados pelo Ministério da Cooperação da Federação Econômica alemão.





