Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Especialista aponta risco democrático após fala de Eduardo Bolsonaro sobre eleições de 2026

Deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que as eleições de 2026 podem nem acontecer caso o país não resolva crise institucional.

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(Fotos: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – Em entrevista concedida à CNN nesta sexta-feira (19), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que as eleições presidenciais de 2026 “podem nem acontecer” caso o Brasil não resolva, nas próximas semanas, o que classificou como uma “crise institucional”. O parlamentar ainda alertou que o país estaria sujeito a “ser mergulhado no caos” se não reconhecer as exigências do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A fala repercutiu imediatamente entre especialistas, que enxergam na declaração uma tentativa de deslegitimar antecipadamente o processo eleitoral brasileiro, utilizando estratégias semelhantes às empregadas por Trump em 2020, ao contestar sua derrota nas urnas norte-americanas.

“Trump não recua. Se o Brasil não reconhecer as queixas dele, vai receber o mesmo tratamento que a Venezuela”, disse Eduardo Bolsonaro à CNN.

Especialistas veem tentativa de desestabilização institucional

Em entrevista ao Portal AM1, o cientista político Luiz Marques afirmou que as declarações do deputado não apenas se descolam da realidade institucional brasileira, como também reproduzem narrativas conspiratórias.

“Tudo indica que Eduardo está vivendo em um mundo paralelo, uma bolha de falsas narrativas. Isso é delírio e desespero da família Bolsonaro, não uma realidade concreta. Não haverá golpe nem intervenção militar, e a sociedade brasileira não aceita mais esse tipo de ameaça”, declarou.

Para o cientista, essas falas têm potencial de enfraquecer a confiança do eleitorado nas instituições democráticas, algo que já ocorreu com parte da população influenciada por desinformação nas redes sociais. Ele alerta ainda que o fenômeno é global, mas encontra terreno fértil no Brasil, principalmente devido ao uso estratégico das redes por setores da extrema-direita.

Estratégia populista e redes sociais como aliadas

A declaração de Eduardo Bolsonaro segue um padrão já conhecido por pesquisadores da democracia: a deslegitimação eleitoral como estratégia populista de mobilização da base política. O modelo, replicado em diferentes partes do mundo, é marcado pela simplificação de problemas complexos, discurso contra o “sistema” e a sugestão de que eleições só são válidas se vencerem os “candidatos do povo”.

Segundo Luiz Marques, a internet potencializou essa lógica.

“As redes sociais deram voz a ignorâncias convertidas em verdades absolutas. Isso gera uma massa crítica facilmente manipulável, que acredita estar defendendo a democracia, quando, na verdade, repete discursos que esvaziam o próprio conceito democrático”, explica.

Perigos de importar o trumpismo para o Brasil

O uso recorrente de narrativas importadas dos Estados Unidos preocupa pesquisadores e analistas internacionais. Para Marques, há uma clara tentativa de transplantar o discurso trumpista para o Brasil, ignorando as especificidades da política nacional e colocando o país em posição de subserviência a interesses estrangeiros.

“Os BRICS representam uma ameaça à hegemonia dos EUA. A extrema-direita brasileira, em vez de pensar no povo brasileiro, age como linha auxiliar do trumpismo. Isso enfraquece o Brasil como potência emergente e compromete sua posição no cenário geopolítico”, argumenta.

O cientista político acrescentou que a insistência em narrativas golpistas pode isolar o Brasil internacionalmente e comprometer sua imagem em fóruns multilaterais, como a ONU e o G20.

Contexto e histórico

Desde 2018, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro vêm questionando a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro, apesar da ausência de provas sobre fraudes nas urnas eletrônicas. O movimento culminou com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

As novas declarações do filho, Eduardo Bolsonaro, reacendem preocupações sobre o uso da desinformação como arma política às vésperas de um novo ciclo eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já anunciou que irá monitorar atentamente conteúdos que possam instigar dúvidas sobre a realização e segurança das eleições de 2026.

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