Diretor do Brasil Open atribui saída do circuito à ex-parceira

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Diretor do Brasil Open atribui saída do circuito à ex-parceira

"O Brasil Open ficou com a pior data do ano porque é o único torneio ATP 250 que enfrenta a concorrência de dois ATPs 500 na mesma semana"

(Foto: Divulgação/Brasil Open)

Alvo de críticas nos últimos anos por parte de tenistas e fãs, o Brasil Open foi rebaixado no circuito profissional de tênis. O torneio de nível ATP 250 se tornará um challenger a partir de 2020, como antecipado pelo Estado no domingo. A mudança, segundo o diretor da competição, Luis Felipe Tavares, tem pouca relação com as dificuldades encontradas pelo evento nos últimos anos e se deve mais à posição no calendário e à ausência de brasileiros entre os melhores do mundo. Estes fatores teriam levado a empresa Octagon, ex-parceira de Tavares, a procurar outra cidade para sediar a competição.

“O Brasil Open ficou com a pior data do ano porque é o único torneio ATP 250 que enfrenta a concorrência de dois ATPs 500 na mesma semana: Acapulco e Dubai. Além disso, é jogado no saibro, no último evento da gira sul-americana, quando os tenistas já iniciam a preparação para os torneios de quadra rápida para jogarem em Indian Wells e Miami [ambos nos EUA]. E também há um challenger de quadra rápida na Califórnia na mesma semana. Estávamos numa camisa de força”, disse Tavares ao Estado.

Ao mesmo tempo, na sua avaliação, pesou o fato de o Brasil não contar no momento com tenistas mais bem ranqueados. “Não temos jogadores de ponta. O nível do tênis brasileiro hoje é de Top 100 para cima no ranking. O Chile tem dois entre os 100 melhroes São jovens e promissores.”

A situação econômica do País, segundo Tavares, também teria levado a Octagon, dona dos direitos de realizar o torneio e então parceira da Koch Tavares, a apostar em Santiago. A capital chilena vai passar a receber o torneio em substituição ao Brasil Open na mesma semana do calendário: entre 24 de fevereiro e 1º de março.

“A Octagon é uma empresa que não toma risco, busca o interesse financeiro e precisa entregar resultado. E Santiago ofereceu melhores condições para a empresa”, explicou Tavares, que garante não ter sido surpreendido pela decisão. “Lá tem dois jovens tenistas em ascensão e o promotor do evento é a mãe de um deles. Lá é como se nascesse outro Guga. Estão entusiasmados, apesar do problemas que estão aparecendo lá [manifestações das últimas semanas em protesto contra o governo].”

Os dois tenistas são Cristian Garin, atual 33º do mundo, e Nicolas Jarry, 77º. Este é neto de Jaime Fillol, um dos principais tenistas da história chilena, e filho de Catalina Fillol, nova diretora da competição. Santiago não recebia um torneio de tênis deste nível desde 2011. Viña del Mar, até 2014, vinha sediando competição ATP 250 no mesmo país.

Por outro lado, o Brasil Open perderá seu status de torneio ATP pela primeira vez desde que entrou no circuito em 2001. Parte importante da história do tênis brasileiro, a competição começou a ser disputada na Costa do Sauipe, na Bahia. Em 2011, passou a ser realizado em São Paulo, com a maior parte de suas edições sendo realizada no Ginásio do Ibirapuera. Tenistas como o brasileiro Gustavo Kuerten (2002 e 2004) e o espanhol Rafael Nadal (2005 e 2013) foram campeões em solo nacional.

DÍVIDAS – Com dificuldades nos últimos anos, o Brasil Open ainda busca saldar suas dívidas. Mas está perto disso, garante José Augusto Gonçalves, diretor comercial da Koch Tavares, promotora do torneio. “Está na casa de R$ 250 mil”, revela. Ele atribui estes débitos ao atraso no repasse dos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte na edição deste ano.

“Tivemos que repactuar alguns pagamentos. Ajustamos o cronograma de pagamentos ao fluxo de caixa do evento. Neste ato, existiu, sim, uma dívida no mercado. Mas fizemos acordos com os credores. E estes acordos já se encerraram e outros estão em fase final de encerramento. Sobrou muito pouco [de dívidas]. Não precisou chegar à Justiça. Foi tudo resolvido com conversas. Tudo está dentro da normalidade”, disse Gonçalves.

A demora na liberação dos recursos, segundo o diretor comercial, explica por que o Brasil Open captou apenas R$ 1,9 milhão dos R$ 3,8 millhões aprovados pelo governo federal. Para a nova versão do torneio, em versão challenger, o projeto de Lei de Incentivo já está encaminhado para 2020.

MUDANÇAS – Com status menor, o Brasil Open agora será disputado no fim de novembro, após as Finais da Copa Davis. E continuará sendo sediado no Ginásio do Ibirapuera. Tavares, contudo, quer um novo formato, sem dar detalhes. Ele diz que pretende discutir com a ATP e até com os jogadores para definir esse modelo até setembro do próximo ano.

“Até lá teremos tempo suficiente para elaborar junto a ATP e aos jogadores de que forma podemos revestir o Brasil Open pra fazê-lo mais atraente do ponto de vista dos tenistas, do público, da imprensa e do mercado em geral. Existe um trabalho a ser feito e ele já começou”, afirmou.

O novo Brasil Open estará na mais alta categoria dos challengers, com distribuição de 125 pontos do ranking ao campeão e premiação de US$ 162 mil (cerca de R$ 680 mil). Além disso, Tavares planeja organizar dois novos eventos, do mesmo nível, em cidades diferentes. Seriam preparações para a competição de São Paulo.

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A cidade de Olímpia, no interior de SP, sediaria um challenger 50 (pontos no ranking) e premiação de US$ 50 mil (R$ 210 mil), entre 16 e 22 de março. E Florianópolis (SC) receberia um de nível 80 e premiação de US$ 54 mil (R$ 226 mil) entre 6 e 12 de abril.

 

(*) Com informações da Estadão Conteúdo

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