Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Europa bane anúncios políticos e Brasil pode seguir o mesmo caminho?

Medida adotada na União Europeia levanta temores sobre possível desigualdade na corrida eleitoral brasileira.

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(Foto: InkDropCreative/Depositphotos)

Manaus (AM) – A plataforma Meta anunciou na última sexta-feira (25) que suspenderá a veiculação de anúncios políticos, eleitorais e sobre temas sociais em suas redes sociais dentro da União Europeia. A decisão entra em vigor a partir de outubro deste ano e segue as novas diretrizes previstas no regulamento europeu de Transparência e Orientação da Publicidade Política (TTPA).

A medida gerou forte repercussão, inclusive no Brasil. No Amazonas, nomes ligados à política se manifestaram nas redes sociais, criticando a decisão da União Europeia. Segundo ele, a proibição favorece apenas quem já tem acesso à televisão, dinheiro e grandes estruturas de campanha. O político ainda afirmou que “o que começou na Europa pode chegar ao Brasil com o discurso de regulação que pode calar a população”.

Para entender melhor os possíveis impactos da decisão no contexto brasileiro, o Portal AM1 ouviu o cientista político Helso Ribeiro. Ele avalia que a medida dificilmente seria implementada no Brasil.

“Tenho dúvidas de que algo assim avance aqui. A União Europeia aprova medidas em bloco, mas no Brasil o cenário é outro. As redes sociais são hoje canais de comunicação quase irreversíveis. Não dá para simplesmente ignorar Instagram, Facebook ou TikTok. Eu custo a crer que isso prosperaria por aqui”, afirmou.

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(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

Ribeiro também comentou sobre o impacto da suspensão de anúncios pagos nas redes sociais. Para ele, embora a tentativa de limitação possa parecer justa, ela acaba beneficiando apenas quem já domina a mídia tradicional.

“O que se pode tentar limitar são os anúncios pagos. Mas isso, na prática, acaba privilegiando quem já tem poder na mídia tradicional e também quem tem recursos para bancar a presença nas redes. É uma tentativa, mas não resolve o problema de fundo”, disse.

Questionado se a medida pode representar um avanço no combate à desinformação, Ribeiro ressaltou:

“As fake news se propagam facilmente. O eleitor precisa ter cuidado com o que recebe. Meios de comunicação tradicionais, como TV, rádio, jornais e portais, têm um crivo editorial. Recebi outro dia uma fake news absurda de alguém mal-informado. Isso mostra como a desinformação circula solta nas redes. Mas limitar as redes sociais não vai frear o poder econômico nas eleições”, completou.

A discussão sobre a regulação de anúncios políticos não é nova. No ano passado, o Google proibiu a publicidade política durante as eleições municipais, em cumprimento a uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além disso, em 2019, o cofundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, defendeu a liberdade de expressão nos anúncios políticos, inclusive com o risco de desinformação. Em entrevista ao Washington Post, ele afirmou:

“Não acho que as pessoas querem viver num mundo onde você só pode dizer coisas que as empresas de tecnologia determinam que são 100% verdadeiras”, afirmou Zuckerberg.

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